TEOLOGIA EM FOCO

sábado, 6 de maio de 2017

A ONISCIÊNCIA DIVINA


Geralmente, quando um homem deixa o pecado e volta-se para Deus, está totalmente alheio aos esforços que Deus fez para levá-lo a fazer tal decisão. Muito antes do homem pensar em Deus, ele já estava no pensamento de Deus. Antes do convertido clamar a Deus, Deus o tinha buscado e atraído pelo Espírito Santo.

I.         A PRESCIÊNCIA DE DEUS

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.28-30).

Deus sentiu, de antemão, o futuro amor das almas pecadoras por Ele e lhes deu a oportunidade de terem um novo nome pela Lei do Novo Testamento, pois sabia que guardariam sua lei, não rejeitariam seu convite e viveriam conforme sua vontade, o que seriam mostrados como dignos de serem honrados. Note-se que não é uma escolha fatalista de Deus, antecipando quem vai ou não ao céu.
A presciência é o aspecto da onisciência relacionada com o fato de Deus conhecer todas as coisas relacionadas com o futuro. A palavra do Novo Testamento traduzida por “presciência” (ou conhecer de antemão) é “prognosis”, da qual deriva a palavra “prognóstico” em português. Significa “saber antes” (pro = antes; “gnosis” = saber ou conhecer).

Vamos analisar algumas palavras citadas pelo apóstolo Paulo no texto acima:

1. Conheceu do grego “proginosko”. Significa sentiu, como a atração entre o homem e a mulher judaicos.
2. Imagem do grego “eikon”. Ser como, em excelência moral e mente santa.
3. Chamou do grego “kaleo”. Convidou, como um Pai convida um filho.
4. Justificou do grego “dikaioo”. Pronunciou alguém justo, pela observância às leis divinas, usado para aquele cujo o modo de pensar, sentir e agir é inteiramente conforme a vontade de Deus, e quem por esta razão não necessita de retificação no coração (vida).

Glorificou do grego “doxazo”. Honrar, estimar, manifestar sua dignidade como condição gloriosa de bem-aventurança dos cristãos em face da sua condição de verdadeiros adoradores e convertidos a Deus.

A presciência de Deus não afeta as decisões do homem, nem seu livre-arbítrio. As ações de um homem não são permitidas ou impedidas simplesmente porque são conhecidas de antemão, por Deus.

A presciência divina envolve o conhecimento da parte de Deus de que a raça humana cairia no pecado e que precisaria de um salvador. Logo, Deus planejou a redenção em Cristo muito tempo antes do mundo ter sido criado. A presciência é uma garantia da certeza de que os planos e propósitos de Deus para a Igreja nunca serão frustrados.

II.      A ELEIÇÃO

A eleição é uma das palavras mais comum da Bíblia, mas tem sido de certa forma mal interpretada pelos crentes. A eleição não significa que Deus escolhe alguns para serem salvos e outros para serem condenados, sem a participação das pessoas nessa escolha.

A Palavra “eleição” significa escolha. Esta palavra foi usada no Antigo Testamento para descrever a escolha que Deus fez de alguns indivíduos, de algumas famílias e da nação de Israel privilégios especiais ou propósitos divinos.

É empregada para descrever a escolha que Deus fez de Cristo para a tarefa de consumar a salvação, mas também Sua escolha dos que estão “em Cristo” para a salvação.

No que diz respeito à salvação, a eleição é a escolha de Deus, dos homens para a salvação e privilégios, baseada na escolha inicial d’Ele, feita por eles.

“Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor” (Ef 1.4).

“...escolheu n’Ele...”. Este versículo mostra claramente que nosso “mérito” por sermos escolhidos não é baseado em nós mesmo, mas, sim, no “mérito” de estarmos “em Cristo”. Assim como estamos em Cristo, assim também somos dignos de sermos escolhidos por Deus. Paulo explica que fomos eleitos antes da fundação do mundo (presciência de Deus) de conhecer de antemão os que receberia Jesus em seus corações.

Significa que todos da raça de Adão, que são ou serão salvos, foram escolhidos por Deus desde a eternidade para a salvação eterna mediante a santificação do coração pela fé em Cristo. Em outras palavras, eles são os escolhidos para a salvação por meio da santificação. A salvação é o fim - a santificação é o meio. Tanto o fim quanto o meio são eleitos, designados, escolhidos; o meio tão realmente quanto o fim e em benefício do fim.

“Eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas” (1ª Pe 1.2).

Este versículo explica que a eleição do crente é baseada na presciência de Deus. Ou seja, a escolha feita pelo homem foi prevista por Deus. Baseado no Seu conhecimento da decisão que o crente tomaria, Deus o elegeu, até mesmo antes de terem sido lançados os alicerces da terra.

O soberano Deus deu a todos os homens o livre-arbítrio. O fato de que Deus sabe de antemão as decisões de cada homem, não significa que Ele imponha a tomada delas. Deus não força ninguém a fazer uma decisão pró ou contra o reino dos céus (Ap 3.20). Ele apenas prescreve através de Sua Palavra o certo e o errado e cabe a cada tomar sua decisão.

Além disto, a Bíblia ensina que a eleição tem origem na fidelidade do homem em permanecer em Cristo. É, portanto, um privilégio que pode ser perdido. O apóstolo Pedro admoestou os irmãos a tornarem sua eleição mais segura a fim de não caírem.

“Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum” (1ª Pe 1.10).

Este versículo certamente ensina que a eleição é tanto responsabilidade do homem, como divina. Certamente Deus sabe quem permanecerá fiel até o fim da sua vida.

A Bíblia diz que Cristo foi eleito por Deus (1ª Pe 2.4). O crente, por sua vez, é tornado aceitável a Deus por Jesus Cristo (1ª Pe 2.5). A eleição de Cristo nos garantiu, assim, a nossa própria eleição quando nos tornamos membros do Seu “corpo”.

A eleição, portanto, é ao mesmo tempo coletiva como individual. A Igreja é eleita e cada pessoa, como parte daquele corpo, também é individualmente eleita.

“Aos santos e fiéis irmãos em Cristo que se encontram em Colossos...” (Cl 1.2) 12 “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados...” (Cl 3.12).

III.   PREDESTINAÇÃO

A predestinação é uma das doutrinas mais consoladoras da Bíblia quando é devidamente entendida. Sua essência jaz nos fato de que Deus tem plano geral e original para o mundo, e que Seus propósitos nunca serão abalados.

A palavra predestinação do grego proorizo, quer dizer: predeterminar, decidir de antemão, o decreto de Deus desde a eternidade; preordenar, designou antes, nomeou.

Mediante o planejamento predeterminado por Deus (predestinação) a salvação é oferecida a todos (At 4.27-28) e é possível para todos os que o buscam (At 17.26-27). Por causa desta provisão, nenhum homem em qualquer tempo poderá acusar Deus de não lhe ter dado uma oportunidade para crer (Rm 1.20).

Deus não somente planeja uma maneira do povo conhecer a salvação, como também tem um plano para ajudar os salvos a progredirem na sua vida espiritual.

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29).

Este plano, no entanto, depende da disposição do crente de corresponder em obediência (Jr 15.19). Esta provisão para glorificar a Deus é ilimitada para o crente que corresponder aos apelos do Espírito Santo.

“Mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1ª Co 2.9).

O crente é predestinado a salvação por ter aceitado a Cristo em seu coração. “Nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1.5).

“Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo” (Ef 1.11-12).

Deus chamou a todos:
• Todos pecaram (Rm 3.9-12).
• A justiça e salvação é para todos (Rm 3.22-23).
• A graça foi para todos (Rm 5.18).
• Condição para todos serem filhos (Rm 8.14; Jo 3.16).
• Deus entregou Jesus por todos nós (Rm 8.32; Jo 6.39).
• Jesus morreu por todos (Hb 2.9).
• Deus é rico para com todos os que o invocam (Rm 10.12).
• Misericórdia é para todos (Rm 11.32).
• Santos são todos os que invocam a Jesus (1ª Co 1.2).
• Todos mortos em Adão e todos vivificados em Cristo (1ª Co 15.22).
• Jesus morreu por todos, mas todos os querem? (2ª Co 5.15).
• Deus quer que todos se salvem pelo único mediador (1ª Tm 2.3-6) e se arrependam (2ª Pe 3.9).

IV.   LIVRE-ARBÍTRIO

Livre Arbítrio significa a faculdade ou poder dos agentes morais em escolher, decidir entre objetos de escolha sem força ou por necessidade.

Adão e Eva escolheram desobedecer a Deus e comer da árvore do bem e do mal (Gn 3.11); Homem pode fazer o bem ou o mal (Gn 4.7); Os homens escolhem se querem servir ou não, a Deus (Js 24.15); Os homens podem escolher entre a porta estreita e a larga (Mt 7.13).

Segundo John Wesley embora o homem tivesse perdido todo o seu livre arbítrio natural em virtude da degeneração da raça pelo pecado, o ser humano, pela misericórdia de Deus, teve em si restaurada, até certo ponto, a capacidade de escolha. É o que poderíamos chamar de LIVRE ARBÍTRIO PELA GRAÇA. A Graça preventiva de Deus, na linguagem de Wesley, atuando sobre o coração do ser humano, recupera lhe a possibilidade de responder positiva ou negativamente, aos apelos que o próprio Deus lhe faz.


A presciência e a eleição não são inconsistentes com o livre arbítrio. Os eleitos foram escolhidos para a vida eterna, sob a condição de que Deus o previu no perfeito exercício da liberdade deles, de modo que eles pudessem ser induzidos ao arrependimento e a abraçar o Evangelho.

Pr. Elias Ribas

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