TEOLOGIA EM FOCO

domingo, 5 de março de 2017

A DOUTRINA DA SANTIFICAÇÃO


Salvação e santificação são a obra redentora realizada por Jesus no homem integral: espírito, alma e corpo. A Bíblia afirma que fomos eleitos “desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito” (2ª Ts 2.13). Esta verdade está implícita no evangelho de João 19.34, que diz que do lado ferido do corpo de Jesus fluíram, a um só tempo, sangue e água. Isto é, sangue poderoso de Cristo nos redime de todo o pecado, mas a água também nos lava de nossas impurezas pecaminosas. Cristo morreu “para nos remir de toda iniquidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso e de boas obras” (Tt 2.14). Portanto, para que alcancemos a salvação é necessário ter uma vida santificada.

I.     A DEFINIÇÃO DA PALAVRA SANTO

A palavra santo no grego hagios e no heb. Kadosh, quer dizer separado. Santo então é separar do mundo e aparatar-se do pecado, consagrar a fim de termos ampla comunhão com Deus e servi-lo com alegria. É aquele que se separa do mal, e dedica-se ao serviço de Deus, é o ato de santificar; tornar sagrado; dedicado exclusivamente para Deus; ter uma vida de santificação, ou seja, ter qualidades específicas que nos mantenham ou nos levem à separação das pessoas pecadoras que vivem longe da presença de Deus.
Santo do Lat. Sanctitatem, significa perfeição moral; estado de quem se destaca pela natureza.
Ambas as palavras no original representam um indivíduo que pela fé crê no sacrifício de Jesus, e separa-se do mundo e de tudo que no mundo há.

II.      SER SANTO SIGNIFICA UMA SEPARAÇÃO DO PECADO

“Mas a vós outros vos tenho dito: em herança possuireis a sua terra, e eu vo-la darei para a possuirdes, terra que mana leite e mel. Eu sou o SENHOR, vosso Deus, que vos separei dos povos. 26. Ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus” (Lv 20.24,26).
Deus escolheu Abraão, separando de outros povos e prometeu ser o pai de uma grande nação. Abraão seria pai de um povo de quem Jeová seria Deus (Gênesis 17.7) e por meio do qual Deus viria ao mundo. A nação resultante de Israel prenunciava um povo espiritual e ideal no qual Deus teria o que desejava.
Assim Deus queria que viesse agir Israel, que foi libertada dos laços de Faraó para habitar na terra que mana leite e mel, mas na terra havia outros povos que não conheciam a Deus e viviam em práticas pagãs, o que levou Deus a todo momento a adverti-los para que viessem a guardar os seus mandamentos e se separarem para o uso exclusivo de Deus, para não caírem no laço das outras Nações, pois Deus sabe que a palavra é um meio de santificação, separação (Jo 17.17). Mas o povo tinha a velha natureza, o velho homem, que dificultou muito o povo e tem dificultado os cristãos de hoje em dia a se livrarem dos maus hábitos.
“...vos separei dos povos...”. A palavra é usada para distinguir entre o santo e o profano, entre o especial e o vulgar: “Então, vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não o serve” (Ml 3.18).
Santo significa uma retidão moral de um caráter imaculado, demonstrada na pureza do crente diante de Deus, na obediência à sua Palavra e na inculpabilidade desse crente diante do mundo (Fp 2.14-15; Cl 1.22; 1ª Ts 2.10).
“Retirar-vos, retirar-vos, saí de lá, não toqueis coisas imundas; saí do meio dela, purificai-vos, vós que levais os utensílios do Senhor” (Is 52.11).
O cristão é chamado por Deus para viver uma vida irrepreensível, correta e pura perante o Senhor Deus, e separada do mundo.
“A fim de que seja o vosso coração confirmado em santidade, isento de culpa, na presença de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos” (1ª Ts 3.13).

Santificação. O substantivo hagiasmos, o mesmo que santificação é usado em alusão a total separação do homem para com Deus (1ª Co 1.30, 2ª Ts 2.13, 1ª Pe 1.2), e ao curso de vida adequado aos que são separados (1ª Ts 4.3, 4-7; Rm 6.19-22; 1ª Tm 2.15).
A santificação envolve: a separação ao mundo e a sua completa dedicação ao serviço de Deus: “Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra” (2ª Tm 2.21).
Santo é o crente que vive separado do pecado e das práticas mundanas pecaminosas, para o domínio e uso exclusivo de Deus. É exatamente o contrário do crente que se mistura com as coisas tenebrosas do pecado.
Santificação é um processo pelo qual a condição moral da pessoa é elevada à conformidade com seu estado legal perante Deus. Santificação é um ato subsequente a regeneração, pelo qual os crentes são libertos do pecado original e de suas depravações, e trazidos num estado de inteira devoção a Deus, e a obediência santa de amor perfeito.
Santificação no sentido próprio da palavra é uma libertação instantânea de todo o pecado, e inclui poder instantâneo, dado sempre para manter-se fiel a Deus.
O ser santificado não é nada mais ou menos do que uma completa remoção do coração, daquilo que é inimizade contra Deus.
Segundo o NT, a santificação não é descrita como um processo lento, de abandonar o pecado pouco a pouco. Pelo contrário, é apresentada como um ato definitivo mediante o qual, o crente, pela graça, é liberto da escravidão de Satanás e rompe totalmente com o pecado a fim de viver para a Deus (Rm 6.18; 2ª Co 5.17; Ef 2.4-6; Cl 3.1-3).
O cristão, pela graça que Deus lhe deu, morreu com Cristo e foi liberto do poder e domínio do pecado (Rm 6.18); por isso, não precisa nem deve pecar. E sim obter a necessária vitória no Seu Salvador, Jesus Cristo. Mediante o Espírito Santo, temos a capacidade para não pecar (1ª Jo 3.6), embora nunca cheguemos à condição de estarmos livres da tentação e da possibilidade do pecado.
No mesmo tempo, no entanto, a santificação é descrita como um processo vitalício mediante o qual continuamos a mortificar os desejos pecaminosos da carne (Rm 8.1-17), somos progressivamente transformados pelo Espírito à semelhança de Cristo (2ª Co 3.18), crescemos na graça (2ª Pe 3.18), e devotamos maior amor a Deus e ao próximo (Mt 22.37-39; 1ª Jo 4.10-12, 17-21).
A nossa santificação é realmente mediante a renúncia ao pecado e a o seguir a santidade. Mediante a rendição total da própria vida (Rm 12.1; 6.12-13, 19). Uma rendição que é voluntária, completa e definitiva (final) é uma ação necessária para que o crente possa experimentar inteira santificação. Uma entrega definitiva da vida para Deus constitui a condição suprema para a santificação prática. Se o homem que ser santo, ele deve oferecer a si mesmo a Deus, para que este possa realizar esta obra nele.

III.   POR QUE SER SANTO

1.      Porque Deus é santo.
“Disse o Senhor a Moisés: Fala a toda congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (Lv 19.1-2).
A Bíblia diz que nosso Deus é santíssimo: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos” (Is 6.3; AP 4.8). A santidade de Deus é intrínseca, absoluta e perfeita (Ap 15.2; Lv 19.2). É o atributo que melhor expressa sua natureza. No cristão, porém, a santificação não é um estado absoluto, é relativo assim como a lua, que não tendo luz própria, reflete a luz do sol (Hb 12.10; Lv 21.8).

2.      Santidade é uma ordem divina.
“Sede santo, por que eu sou santo” (1ª Pe 1.16; Lv 11.44; Lv 19.1, 2). “Santos serão a seu Deus e não profanarão o nome do seu Deus, porque oferecem as ofertas queimadas do SENHOR, o pão de seu Deus; portanto, serão santos” (Lv 20.6).
A Bíblia afirma que temos dentro de nós a “lei do pecado” (Rm 7.23; 8.2). Daí, ela ordena que sejamos santos (1ª Pe 1.16; Lv 11.44; AP 22.111), Pois o Senhor habita somente em lugar santo (Is 57.15; 1ª Co 3.17).
Sendo Deus Santo exige dos Seus filhos a santificação. A ideia principal de santidade é a separação dos modos ímpios do mundo e dedicação a Deus, por amor, para o seu serviço e adoração. Santidade é o alvo e o propósito da nossa eleição em Cristo (Ef 1.4); significa ser semelhante a Deus, ser dedicado a Deus e viver para agradar a Deus (Rm 12. Ef 1.4; 2.10), é ficar perto de Deus, e, de todo coração, buscar sua presença, sua justiça e sua comunhão.
Seria zombaria para Deus exigir o que Ele não proveria. Santidade seria impossível se não fosse pela graça de Deus, (Sl 51.10; Mt 5). A perfeita obra de Deus realiza uma santidade real que conforma ao padrão de Deus (Rm 8.3-4; 1ª Pe 1.15-16). O poder do Espírito na obra da santificação é operação capacitadora do Espírito Santo na vida do crente.

3.      Santidade sempre foi a prioridade de Deus para Seu povo.

“Se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus, no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos removais no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4. 21-24).

Porque é à vontade de Deus.
A santificação no AT. foi a vontade de Deus para o povo israelita; eles tinham o dever de levar uma vida santificada, separada da maneira de viver dos povos à sua volta: “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel” (Êx 19.5-6).
Como parte do propósito de Deus para os israelitas ao tirá-los do Egito, eles deviam ser um reino sacerdotal (separados e consagrados ao serviço de Deus) e uma nação santa. Da mesma forma os crentes do NT, devem ser um reino de sacerdotes (1ª Pe 2.5-9). Um povo santo, separado do modo ímpio de vida do mundo e que anda nos caminhos justos de Deus e na Sua santa vontade.
“Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus” (1ª Ts 4.3-5).
Santificação envolve a morte do velho homem, isto é, a pessoa que você era antes da sua salvação, para que nosso corpo, que era o instrumento do poder do pecado, fosse feito ineficaz e inativo para com o mau e para que não mais sejamos escravos do rei do pecado. Mediante a obra sobrenatural de Deus, a pessoa é liberta do poder do pecado que dominava sua vida. A nova pessoa que somos em Cristo Jesus, vive em novidade de vida.
Santificação foi um quesito que Deus sempre exigiu de Seu povo, tanto no VT, quanto no NT. Alguém acha que por estarmos vivendo num período de graça, Deus tem a obrigação de tolerar um amontoado de imundícias que vem tomando conta da Sua Igreja, está muito equivocado. À vontade de Deus para Sua Igreja é que haja uma separação das coisas e maneiras más. (1ª Ts 4.3).
Santificação envolve o homem todo: espírito, alma e corpo (1ª Ts 5.23). Santificação ocorre na vida interior do homem, no seu coração; e, sendo que o homem interior está liberto e mudado, haverá mudança também na sua vida diária. O corpo é o órgão ou instrumento da alma, pelo qual as inclinações, hábitos e paixões pecaminosas se expressam. Santificação do corpo envolve o emprego dos membros como implementos de volição santas (Rm 6.12.13; Cl 3.5). Também aparece nas Escrituras que santificação afeta todo os poderes ou faculdades da alma: o entendimento (Ef 4.13; Rm 12.2; Cl 3.1-2; Jo6.45)), a vontade (Ez 36.25-27; Fp 2.13), as paixões (Gl 5.24) e no espírito, a consciência (Tt 1.15; Hb 9.14; 2ª Co 7.1).

4.      Santo significa um revestimento da plenitude de Cristo.

“Para que sejais cheios de toda a plenitude de Cristo” (Ef 3.19). A maior motivação para sermos santo é a esperança da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. A mesma vida que foi separada do mundo e entregue a Deus. A santificação plena tem de acontecer nesta vida.
Paulo ordena a Igreja em Éfeso que se tornem perfeitos e cheguem “à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.13).
Na carta de Paulo aos efésios capítulo 4 verso 13, Paulo ora pela santificação plena dos crentes nesta vida. Está implícito em estarmos “arraigados e fundados em amor” e “cheios de toda a plenitude de Deus” que somos tão perfeitos em nossa medida e de acordo com nossa capacidade, segundo Deus é. Se nos mostrarmos cheios da plenitude de Deus implica em um estado de santificação plena.

5.        Porque era o propósito de Cristo.
A santidade foi o propósito de Cristo para Seu povo quando Ele veio a esta terra (Mt 1.21; 1ª Co 1.2, 30).
“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5.25-27).

6.      Porque já estava nos planos de Deus.
A santidade foi o propósito de Deus para Seu povo quando Ele planejou sua salvação. “...como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fossemos santos, irrepreensíveis diante dele em caridade” (Ef 1.4).

5. Porque fomos chamados para ser santos. “À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santo, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1ª Co 1.2).

IV.   A FASE OU O ATO DA SANTIFICAÇÃO

De acordo com a Bíblia, a santificação do crente é tríplice: Posicional, progressiva e futura.
Esta fase de santificação é instantânea e tem duplo aspecto: posicional e prático ou experimental. É simultânea com nossa aceitação de Cristo como Salvador e Senhor. Os dois aspectos da santificação que estão incluídos nesta fase são muito semelhantes.

1.      Santificação posicional.
A santificação posicional, referente à posição moral, santa e perfeita em Cristo e é Deus que faz. As Escrituras ensinam que no momento em que o homem crê em Cristo, ele é “santificado”. Isto fica claro pelo fato que crentes são chamados “santos” no Novo Testamento, (1ª Co 1.2; Ef 1.1; 6.8; Cl 1.2; Hb 10.9-10, 14; Jd 3). Dos Coríntios, Paulo, explicitamente diz que “fostes santificados” (1ª Co 6.11). Em efésios ele fala do “aperfeiçoamento dos santos” (Ef 4.12), e exorta seus leitores a andar “como convém a santos” (Ef 5.3). Há certo sentido, por conseguinte, em que cada verdadeiro crente já está santificado. Mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, feita “uma vez por todas”, fomos separados do pecado e para Deus – “aperfeiçoados para sempre” (Hb 10.10, 14), no que concerne nossa posição perante Deus. No momento que o homem crê em Jesus como Salvador, ele é santificado posicionalmente. Envolve um ato declaratório que pronuncia a alma santa, acompanhada pela graça concomitante que liberta do poder do pecado. O mesmo ato que introduz no estado de justificação, coloca-o imediatamente na posição de santificação.

2.        Santificação progressiva.
É a santificação prática e experimental, aplicada ao viver diário do crente. Nesse aspecto, a santificação do crente pode ser aperfeiçoada (2ª Co 7.1), como o novo nascimento é exigido para o começo da vida cristã (Jo 3.3). Os crentes mencionados em Hebreus 10.10 já haviam sido santificados, e continuavam sendo santificados (vv. 10-14).
Deus quer cresçamos “na graça e no conhecimento do nosso Salvador Jesus Cristo” (2ª Pe 3.18); que cresçamos e aumentemos “no amor uns para com os outros e para com todos” (1ª Ts 3.12); e prossigamos para conquistar aquilo para o que também fomos conquistados (Fp 3.12); e como diz Paulo: “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2ª Co 7.1); e como 2ª Co 3.18 e Ef 4.11-15 que diz: ser transformados na imagem de Cristo.
A santificação realmente é progressiva porque somos exortados a continuar progredindo cada vez mais (1ª Ts 3.12; 4.1, 9-10), nas graças da vida cristã. Existe realmente, o “aperfeiçoamento da santificação”, Os dons ministeriais à Igreja, de apóstolo, profeta, evangelista, pastores e mestres, tem o propósito de aperfeiçoar os santos na semelhança de Cristo até que, finalmente, atinjam o padrão divino (Ef 4.11-15).

3.      Santificação futura.
É Deus é quem santifica: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensível para vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1ª Ts 5.23).
Trata-se da santificação completa e final (1ª Jo 3.2) A santificação tem início no começo da salvação do crente, é progressiva com sua vida nesta terra, e atingirá o seu clímax e perfeição quando Cristo voltar buscar os Seus (conf. 1ª Ts 4.16-17). Como cristãos somos salvos da culpa e da penalidade do pecado, podemos ser libertos do poder do pecado, podemos ser aperfeiçoados em santidade aqui, mas o tempo chegará quando seremos salvos da presença do pecado. A nossa salvação da presença do pecado acontecerá (Ap 21.27), quando virmos o Senhor, ou na morte ou na Sua vinda (Hb 9.27; Jd 24; 1ª Ts 3.12-13; 1ª Jo 3.2). Não haverá mais possibilidade de pecar depois disso (Ap 2.7; 22.11). O corpo do crente também está glorificado (Fp 3.20-21; Rm 8.23-24).
A decisão determina caráter e caráter determina o destino. Se as advertências bíblicas não são suficientes, não há nada mais que Deus possa fazer. “Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se. E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras” (Ap 22.11- 12).
A escolha deliberada que os homens fazem nesta vida, fixa o destino inalterável das pessoas para a eternidade. Céu ou inferno. O caráter designará o seu destino.
Jesus exige de seus discípulos e aos homens a serem “perfeitos, como é perfeito o vosso Pai” (Mt 5.48) e a serem santos em “todo o vosso espírito, e alma, e corpo” (1ª Ts 5.23).
A igreja precisa entender que a consagração plena significa algo menos que a santificação plena ou a perfeição cristã.

V.      A SANTIFICAÇÃO É UMA OBRA DO DEUS TRINO

1. Deus Pai santifica o crente, concedendo-lhe a santificação de Cristo. “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1ª Co 1.30). Deus mostra Sua sabedoria por meio da justiça, santificação e redenção que temos em Cristo.

2. Cristo santifica o crente por ter dado sua vida por Ele. O Filho a comprou (Hb 10.10, 14; 13.12; Ef 5.25-27) e produz santidade nele (2ª Co 4.11; Jo 17.18-19; Hb 13.12; Ef 5.15-27; 1ª Jo 1.7-9).
“E a favor deles eu me santificou a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade” (Jo 17.19).

3. O Espírito Santo santifica o crente, libertando-o da “lei do pecado e da morte” (Rm 8.2); ajudando o crente a fazer morrer os feitos do corpo (Rm 8.13), e produzindo o “fruto do Espírito” (Gl 5.22-23).
Podemos ver, então, uma definição de cada Pessoa da Trindade em nossa santificação. É nosso Deus que consagra o crente para Si mesmo e o separa do pecado. Quem faz isso é o Deus Trino: Pai, Filho e Espírito Santo; cada Pessoa se incumbe com Seu papel respectivo. Resumindo, Deus Pai planejou a santificação; Deus Filho providenciou-a; Deus Espírito realiza-a.
O homem em si mesmo não pode fazer nada para se santificar (2ª Co 3.5; 5.17-18). E embora o homem seja privilegiado em cooperar com o Espírito de Deus, vamos lembrar que ele pode fazer isso somente em virtude da graça e força que o Espírito partilha com ele dia-a-dia. O desenvolvimento espiritual do homem não é então uma realização humana, mas uma obra da graça divina. O homem porém na santificação dependendo de Deus, isto é, ele trabalha porquê e porquanto o Espírito Santo trabalha nele (Rm 8.13-14; Gl 5.16-19). Portanto, cada novo impulso espiritual que o crente tem, e cada nova boa obra, é impulsionado e executado nele mediante o gracioso poder do Espírito Santo (Fp 1.6; 2.13). Embora a ação na santificação seja sobrenatural, e a habitação e operação do Espírito Santo são requeridas, não apenas para iniciar, mas para continuar o crescimento na graça, mesmo assim, Ele opera normalmente por vários meios. O homem não merece crédito nenhum porque tudo quanto ele contribui à sua santificação é ser apenas instrumento nas mãos de Deus. Paulo diz aos filipenses: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13).

VI.   PARA QUE SER SANTO

1. Para ver a Deus. A santificação é para todo o crente em Cristo. As Escrituras declaram que sem a santificação ninguém verá a Deus (Hb 12.14).
Deus é santo e exige de seus filhos a santidade como Ele na verdade é santo. E sem esta santidade ninguém O verá. A santificação é o ato de preparar-se para ver a Deus. Acima de todas as coisas, a santidade é a prioridade de Deus para os Seus seguidores (Ef 4.21-22).
A palavra “seguir”, quer dizer: “procurar”, “perseguir”, como Paulo de Tarso persegui e segui os cristão. Não podemos ser relaxados em ser santos. A santidade de Deus requer a nossa santificação (1ª Pe 1.15-16).
Uma criatura não santa não tem lugar no favor e no seio de Deus santo. Santificação é o que Deus espera do crente (Rm 6.15; 1ª Co 15.3-4; 1ª Jo 2.1; 3.6; Sl 119.1-4,11; Ju 24).

2. Para ser um vaso de honra, santificado e idôneo: Para ser útil a Deus. Sem santidade, ninguém poderá ser útil a Deus: “Ora, numa grande casa não há somente utensílios de ouro e de prata; há também de madeira e de barro. Alguns, para honra; outros, porém, para desonra. Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra” (2ª Tm 2.20-21).

3. Para anunciar as virtudes de Cristo. “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1ª Pe 2.9).
Somos uma geração eleita por Deus com a finalidade de anunciar Sua excelência, bem como seguir Seus passos e Seus exemplos deixados por Cristo Jesus.

4. Para ter intimidade com Deus. Sem santidade, ninguém terá intimidade nem comunhão com Deus: “Quem, SENHOR, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte? O que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade” (Sl 15.1-2).

VII.COMO PODEMOS OBTER A SANTIFICAÇÃO

O pecado original não é erradicado da carne, por si mesma (pois não haveria morte), nem pode ser libertar por observância de regras e regulamentos (pois a lei não santifica - Legalismo) e não pode tentar subjugar a carne por privações e sofrimentos. A santificação somente acontece após o novo nascimento.

1. É Deus é quem santifica. “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensível para vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1ª Ts 5.23).

2. Somos santificados observando a Palavra de Deus. “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). “Para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra” (Ef 5.26). “Vós já estais limpo pela palavra que vos tenho falado” (Jo 15.3).
A santificação só é possível mediante a obediência integra a Santa Palavra do Senhor.

3. Somos santificados pela Palavra e a oração. “Porque pela palavra de Deus e pela oração é santificado” (1ª Tm 4.5).
A Palavra de Deus serve para nos orientar o caminho certo, nos purificar, lavar e santificar o nosso espírito, alma e corpo para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
A santificação não vem pelos sacrifícios, mas unicamente pela Palavra. Nem mesmo o jejum tem este poder.
A verdade em si mesma, certamente não tem nenhuma eficiência adequada para santificar o crente, mas o Espírito Santo pode usá-la em nossas vidas. As Escrituras revelam o estado do coração e mostram o remédio para as falhas. As Escrituras servem para incentivar a atividade espiritual por apresentar motivos e dar direção através de proibições, exortações e exemplos.
Mediante o conhecimento da verdade e uma entrega definitiva da vida para Deus constitui a condição suprema para a santificação prática. É Deus que precisa fazer o homem santo. Se o homem quer ser santo, ele deve oferecer a si mesmo a Deus, para que este possa realizar esta obra nele.

4. Somos santificados pelo sangue de Jesus. “Por isso, foi que também Jesus, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta” (Hb 13.12).

5. Somos santificados pelo poder regenerador do Espírito Santo. “Eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas” (1ª Pe 1.2). “...porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito Santo” (2ª Ts b).
Somos eleitos, ou seja, escolhido por Deus para vivermos uma vida santifica no Espírito. Fomos lavados, santificados e justificados, em nome de Jesus Cristo e no Espírito Santo de Deus, (1ª Co 6.11). Pregando a Palavra de Deus, seremos agradáveis e santificados pelo Espírito Santo de Deus, (Rm 15.16). É o Espírito Santo de Deus que realiza em nós a santificação, que purifica do pecado nossa alma e nosso espírito, que renova em nós a imagem de Cristo e que nos capacita, pela comunicação da graça, a obedecer a Deus segundo a Sua Palavra (Gl 5.16, 22, 23, 25).

6. Os filhos de Deus são Santificados mediante a fé.
Fé na obra redentora de Cristo é a causa mediadora ou condicional de santificação. Aquele que crê em Cristo é santificado posicionalmente, pois Cristo é naquele momento feito para ele santificação (1ª Co 1.30). Mas também é mediante a fé que o crente torna-se na experiência e na prática separado do poder do pecado para Deus (At 26.18; 15.9; Hb 13.12-13; Gl 6.14; Cl 2.12). Devemos lembrar que o objeto da nossa fé é Cristo Jesus. Santificação não começa olhando por dentro, mas por estar em Cristo e olhando para Ele.
O homem não se torna santificado em experiência nem cresce em santificação por fazer esforço para experimentar ou crescer, mas colocar a si mesmo nas condições de crescimento, por viver e permanecer em Cristo. A lua não faz esforço para brilhar, nem poder em si mesma para brilhar. Ela brilha somente por refletir a luz do sol. À medida que permanecemos em Cristo, reconhecemos o que temos nele e confiando nele, refletimos Cristo em nossa vida.
A Bíblia não ensina que um grau mais alto de fé é necessário para santificação do que justificação. A fé envolve temor a Deus e a Sua Palavra sem duvidar ou raciocinar. É fé independente de todo o sentimento e desapegado de qualquer outra dependência senão só de Cristo.
Na comissão divina do apóstolo Paulo extraímos um grande exemplo de santificação pela fé: “Para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (At 26.18).
Este versículo é uma declaração típica feita pelo Senhor Jesus daquilo que Ele quer realizar através da pregação do Evangelho.
Jesus veio a este mundo “para abrir os olhos dos cegos”. Satanás cegou a mente dos perdidos para não verem a realidade da sua condição de perdidos que perecem, nem a verdade de Cristo Jesus, no poder do Espírito Santo, seu entendimento será aberto (2ª Co 4.5; Ef 1.18).

6.1. “Os converteres...”. Satanás é o governante deste mundo, e todos que não têm Cristo estão sujeitos ao controle de Satanás e escravizados pelo seu poder. O espírito de Satanás age em todos os pecadores, ou seja, nos filhos da desobediência (Ef 2.2). A proclamação do evangelho, no poder do Espírito Santo, libertará homens e mulheres do poder de Satanás e os colocará no reino de Cristo (Cl 1.13; 1ª Pe 2.9). “A fim de que recebam a remissão dos pecados”. O perdão de Deus vem mediante a fé em Cristo, firmada nos méritos da Sua morte sacrificial na cruz.

6.2. “Santificados pela fé”. Aquele que é perdoado, liberto do domínio do pecado e de Satanás, está separado do mundo e agora vive para Deus, na comunhão com todos os demais salvos pela fé em Cristo.

VIII.       ESTORVOS À SANTIFICAÇÃO DO CRENTE

Estorvos são embaraços que impedem o cristão de viver em santidade. Vejamos alguns:
1.      Desobediência.
Desobedecer de modo consciente, continuo e obstinadamente à conhecida vontade do Senhor (Êx 19.5-6).

2.      Comunhão com as trevas.
Comungar com as obras infrutíferas das trevas (Rm 13.12); com os ímpios, seus costumes mundanos e suas falsas doutrinas (Ef 5.3; 2ª Co 6.14-17).

3.      Erros a respeito da santificação.
O pecador não percebe sua necessidade de santificação. Sua culpa e condenação no começo ocupam sua atenção, somente mais tarde ele vem a ver sua necessidade. Mas se o pecador convertido não tiver um discipulado eficiente, poderá portanto, mais tarde, caracterizar sua santificação com as tradições e regaras humanas. Erros a respeito da santificação, poderão portanto, confundir qualquer cristão imaturo e com isto vir a cair da graça (Gl 1.6-7). O próprio Pedro enganou-se a respeito da santificação (At 10.10-15). Vejamos o que não é santificação bíblica:

3.1. Exterioridade (Mt 23.25-28). Usos, práticas e costumes. Este último, quando bom, deve ser o efeito da santificação, e não a causa (Ef 2.10).
Grande parte dos pentecostais atribuem tradições legadas dos pais (usos e costumes), como meio de santificação. Há líderes que ensinam sua igreja dizendo que pecar é transgredir as tradições e regras da igreja. Portanto o próprio Jesus combateu estes ensinos (Mt 15.1-8). Os costumes são hábitos criados pelos homens, podendo ser mau ou bom dependendo como ele usa.
As diferenças no ensino de hoje, faz necessário também que olhemos cuidadosamente o ensino das Escrituras concernentes a esta doutrina. Não devemos adaptar a doutrina à luz de nossa vida, mas sim, ajustar nossa vida à doutrina.
Santificação é uma obra sobrenatural de Deus realizada por Sua graça e amor para com aquele que buscam um dia estar com Deus. Ela não é portanto, uma mera reforma moral feita por motivo de consciência, da opinião dos outros, nem de auto interesse, nem de autodisciplina, nem de auto esforço, nem poder da vontade nem pelos recursos humanos. Esta reforma externa simplesmente deixa o caráter interior, diante de Deus, inalterado. É Deus o autor da obra sobre natural de santificação e não o homem. É algo feito por Ele, não algo que nós fazemos (Ef 5.26; Tt 2,14).


3.2. Maturidade cristã. Não pelo tempo que algo se torna limpo, mas pela ação continua da limpeza. A maturidade cristã varia, como se vê em 1ª Jo 2.12-13: “Filhinhos”; “pais”; “jovens”.

Pr. Elias Ribas

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