TEOLOGIA EM FOCO

domingo, 25 de setembro de 2016

A CHAMADA PARA A SALVAÇÃO


Deus nunca força o homem aceitá-lo, mas certamente convida a receberem a salvação. Este convite inclui o dom da graça de Deus e o poder do Espírito Santo para convencer o homem do pecado e ajudá-lo na decisão para sua salvação. Os atos da graça divina mediante a salvação são conhecidos como “a chamada para a salvação”. “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28).

I.         A NECESSIDADE DA CHAMADA


Certo líder espiritual observou que o homem não descobre a Deus mas, sim, Deus se revela ao homem através das Escrituras Sagradas. Além disto, o homem não pode iniciar ou realizar sua salvação à parte de Deus. Por causa da sua natureza pecaminosa, o homem é espiritualmente um “inválido”, incapaz em si mesmo de dar um só passo em direção a Deus (Rm 3.11). Porque a natureza depravada do homem e seu pecado tornam-se incapaz de vir a Deus, por isso Deus teve que vir até ele. Portanto, Deus precisou prover não somente um meio de salvação (a redenção em Cristo); mas também Ele restaura ao homem a capacidade de buscá-lo. Ele mesmo atrai todos os homens a Si, no recebimento da salvação, mediante o Espírito Santo. Sem esta ajuda divina nenhum homem poderia jamais ser salvo. “Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios” (Rm 5.6). “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.44).

Conforme a resposta positiva que Deus vê no coração do homem em aceitá-lo, ele restaura, liberta, perdoa e transforma o homem numa nova criatura.

II.      SALVAÇÃO OFERECIDA A TODOS


A preservação da vida de Raabe e sua família (Hb 11.31); a benção sobre a vida de Rute (Rt 4.13-22); e a cura de Naamã (2º Rs 5.1-14), são apenas alguns exemplos de que Deus é Senhor e abençoador de todos. Ele quer salvar a todos (T 2.11; Mt 11.28; Jô 6.37; Ef 4.6). O profeta Jonas testificou que Deus é misericordioso para aceitar a qualquer um que se arrependa de seus pecados (Jn 4.2). O evangelho de João 1.12, confirma este propósito de Deus: salvar a todos (Jo1.12). Jesus também o declarou (Jô 3.17; 5.24). Infelizmente, muitos são os que rejeitam o convite da graça de Deus e acabam por desprezar a Cristo, acarretando sobre si a ira divina.

III.   A NATUREZA DO CHAMAMENTO

É importante compreender que o chamamento de Deus para a salvação. Deus deseja que todos recebam a salvação em Cristo, e a vida eterna que Ele oferece. Deus deseja que todos os homens sejam salvos. Ele não força a decisão do homem, mas Seu próprio desejo é que o mundo receba. “...não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento’ (2ª Pe 3.9b). Portanto Deus deseja que todos cheguem ao arrependimento e recebam o perdão de seus pecados.

O convide de Jesus não é seletivo, mas para todos os homens. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Embora o chamamento de Deus seja dirigido a todos os homens, estes não são obrigados a aceitá-lo. O fato do chamamento ser universal, a salvação não é universal, mas individual. Assim como a redenção de Cristo é suficiente para todos, mas eficaz somente para o que crê, assim também a chamada de Deus é válida para o mundo inteiro. Mas aplicável somente aqueles que a atendem.

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Jesus convida a todos para que recebam a vida eterna.

Deus chama o homem para desfrutar de uma porção especial no Seu evangelho. “Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite” (Is 55.1).

No capítulo 55 o profeta messiânico prenuncia o evangelho da graça. As primeiras palavras deste capítulo fazem nos lembrar aos de nosso Senhor Jesus Cristo no grande dia da Festa dos Tabernáculo: “No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (Jo 7.37). O evangelho faz o seu apelo ao um mundo sedento. Notemos os seguintes pontos:

1. Um evangelho de graça: tudo é oferecido “sem dinheiro e sem preço”.
2. É um evangelho de fé e não de obras: “Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá” (v.3).

3. É o evangelho de Cristo (v.4). Deus o tem dado como príncipe e Comandante do povo, para ser o Capitão da sua salvação. Os que o procuram, acham; e todos os que o invocam (v. 6) recebem misericórdia e perdão (v.7).

4. É um evangelho de gozo (v.12). Quem o recebe sai cantando, como o eunuco da Etiópia (At 8.39).

5. É um evangelho frutífero (v.13). “Em lugar do espinheiro, crescerá o cipreste, e em lugar da sarça crescerá a murta”. As obras da carne cedem lugar ao fruto do Espírito.

IV.   O CHAMADO ESPECIAL

O chamamento básico e geral de Deus é para o arrependimento (Mt 3.2; 2ª Pe 3.9) e para a fé (Rm 10.9; 1ª Jo 3.23). Este é o chamamento para a salvação, o qual envolve outros chamamentos mais específicos. Primeiramente, os que recebem o chamamento para a salvação recebem uma vocação especial para serem num sentido específico os “chamados”, em contraste com o restante do mundo (1ª Co 1.26; Ef 1.18), pois são chamados para serem santos (1ª Co 1.7).


Em segundo lugar, os que “chamados para serem santos” também recebem chamamento para ministérios específicos, assim como Paulo foi “chamado” para ser apóstolo (Rm 1.1).

Pr. Elias Ribas

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A DOUTRINA DA SALVAÇÃO


I.         A DEFINIÇÃO DA PALAVRA SALVAÇÃO

É um estudo chamado de “SOTERIOLOGIA”. Esta palavra deriva-se de duas palavras gregas, “soteria” e “logos”. A primeira significa “salvação” e a última palavra, discurso ou doutrina. O vocábulo português que aparece em nossas versões e traduções se deriva do latim, “salvare”, “salvar” de “salus”, “saúde”, “ajudar”, e traduz o termo hebraico “yeshua” e cognatos: “largura, facilidade, segurança, etc.”. Porém, o Novo Testamento conhece também o significado mais comum do verbo; salvar no grego clássico deriva de “são” e significa devolver a saúde ao doente e arrancar a morte do moribundo (Mt 8.25; 14.30; 27.40, 42,49; Mc 3.4; Lc 6.9; Jo 12.27; At 27.20; Hb 5.7).

“Ela dará à luz a um filho e lhe porá o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mateus 1.21).

Á palavra salvação no hebraico Yeshua (ישוע/ יֵשׁוּעַ) é uma forma alternativa de Yehoshua, Josué, e é o nome completo de Jesus que significa “Iavé é salvação”. (transliterado ao grego Yeshua fica: Ιησου'α, “Iesua”/”Ieshua” [também Ιησου'ς, “Iesu”/ “Ieshu”/ “Iesus”]; Yehoshua [יהושוע/ יְהוֹשֻׁעַ‎] fica: Γεχοσούαχ).

Deus na sua presciência previu tudo o que teria lugar na queda do homem e, então, Ele planejou exatamente a salvação necessária, antes mesmo da fundação da terra. Antes do primeiro pecado cometido no universo, antes da terrível crise provocada pelo homem rebelde, que fora feito à imagem de Deus, o Senhor planejou e proveu um meio de fuga das armadilhas e condenação do pecado. O plano da salvação é tão simples que o menor dentre os filhos dos homens pode entendê-lo o bastante para experimentar o seu poder transformador. Ao mesmo tempo, é tão profundo que nenhuma imperfeição foi descoberta nele. O ponto culminante do plano da salvação se concentra no cargo e função de um mediador - alguém que pudesse colocar-se entre um Deus ofendido e uma criatura pecadora e sem esperança, o homem. Esta é a posição que Cristo veio preencher quando do seu sacrifício (1ª Tm 2.5). Esta é a razão por ter Jesus vindo ao mundo como homem para ser o mediador entre o homem e Deus. A penalidade pelos pecados humanos era a morte. A alma que pecar morrerá. Mas em vista de Deus não poder morrer - o espírito não pode morrer - pois ele precisaria de um corpo, Jesus, o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.14).

Do ponto de vista divino de observar, “salvação” é um termo, inclusive, que abrange dentro do seu alvo muitos aspectos. Por exemplo, há a salvação do passado, no presente e para o futuro; seja, salvação do espírito na regeneração, da alma na santificação, e do corpo na glorificação.

II.      DEUS É A ORIGEM DE NOSSA SALVAÇÃO

A Bíblia ensina a respeito da salvação, mas precisamos entender quem é que necessita da salvação e por quê. A Bíblia claramente nos ensina que perante Deus, todos os homens levam a culpa do próprio pecado, sendo alienados da sua glória e destinados a sofrer as consequências da sua ira (Rm 3.23). Além disso, a Bíblia explica que o homem por si mesmo nada pode fazer para merecer a salvação. Cada homem pode ser descrito como um paralítico espiritual, aguardando o “braço salvador” do Senhor para que possa ser levantado da miséria do pecado (Is 59.16).

A raiz do problema que cada homem enfrenta a sua própria natureza pecaminosa. Desde que nasce, o homem é inclinado ao pecado e por isso é incapaz de agradar a Deus (Rm 7.18).

A Salvação preparada para o mundo nasceu do coração amoroso de Deus. É por isso que a multidão salva no Apocalipse canta: “Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação” (Ap 7.10). “Ao SENHOR pertence a salvação!” (Jn 2.9b).

No dia da queda do homem Deus prometeu enviar um salvador. Ele disse a respeito da mulher: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.15).

Na plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher (Gl 4.4). A promessa se cumpriu literalmente. Foi uma expressão de seu amor (Jo 3.16).

Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo (2ª Co 5.19). Se a morte na cruz foi tremenda para Jesus, também foi para o Pai. Foi o Seu grande amor que pagou o sacrifício e foi Sua justiça que recebeu o preço pago por Jesus (Hb 9.24-26). A obra propiciatória de Jesus Cristo nosso Senhor é a maior revelação do grande propósito de Deus no plano da redenção em salvar a humanidade.

O propósito de Deus. A soteriologia trata da previsão de salvação através de Cristo e sua aplicação através do Espírito Santo. A salvação é a grande obra espiritual de Deus com relação ao homem. Através de sua presciência, Deus estava ciente da queda do homem, por causa disso, Ele planejou uma maneira de resgatá-lo. O propósito de Deus de providenciar salvação para a raça humana está relatado nas Sagradas Escrituras, começando em Gn 3.1.5. As aparições de Deus a Moisés e, às vezes, a todos os judeus acampados, serviram para confirmar e desenvolver a fé em um Deus pessoal. As exigências da lei mosaica com as suas punições para os que não as cumprissem, serviram para despertar uma convicção de culpa e um temor das consequências do pecado (Rm 3.20). O estabelecimento de um sistema de sacrifício e sacerdócio para ministrá-lo, indicam a necessidade de algum método para remover a culpa do homem. E finalmente, pela voz profética, Deus anunciou Seu propósito. A vinda do Salvador é claramente prevista pelos profetas, e muitos falam da Sua humilhação com o propósito de nos livrar do pecado (Is 53.1-12; 59.20; 63.8; Jr 23.6; Os 13.4; Zc 9.9,16). O apóstolo Paulo diz que o Senhor Deus nos desvendou “o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra” (Ef 1.9,10-ARA) e fala do “eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus nosso Senhor” (Ef 3.11-ARA). Não resta a menor sombra de dúvida de Deus ter um propósito bem definido de salvar a humanidade.

III.   O ALCANCE DA SALVAÇÃO

A encarnação e a propiciação de Jesus constituem a maior prova da boa vontade de Deus. As Sagradas Escrituras ensinam que Deus providenciou salvação na pessoa e obra de seu Filho. Este Filho teve que encarnar, morrer em nosso lugar, ressurgir dos mortos, subir até o Pai, receber o lugar de poder à mão direita de Deus e interceder perante Deus em favor do crente. Esta obra realizada pelo Filho de Deus foi feita com o propósito de nos salvar da culpa, do castigo e do domínio do pecado. A Salvação foi providenciada para o mundo inteiro:

“Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e, não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1ª Jo 2.2). Apesar do Senhor Jesus ter morrido pelos pecados do mundo inteiro, a salvação é para aqueles que creem em Cristo e que andam em Seus caminhos. A salvação depende da reconciliação do homem com Deus (2ª Co 5.18-20; Jó 1.29; 3.15-18; Rm 5.18; 2ª Co 5.14,15; 2ª Tm 2.4,6; 4.10; Hb 2.9,10; 2ª Pe 3.9; 1ª Jo 4.14).

Deus se fez presente no meio do seu povo, em carne, entrou pela porta, nasceu, e o menino cresceu em estatura e em espírito (Lc 1.80; 2.40), e venceu o inimigo das nossas almas, e venceu a morte, e levou cativo o cativeiro, e nos devolveu aquela maravilhosa condição, que Adão desfrutava no Jardim do Éden: “E na viração do dia Deus visitava a Adão e Eva” e falava com eles. Jesus nos devolveu esta maravilhosa condição de estarmos novamente em sintonia com Deus com este rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o povo de Deus, aqueles que pertencem a Deus, que são chamados de “seu povo”.

“Ninguém nunca viu Deus. Somente o Filho único, que é Deus e está ao lado do Pai, foi quem nos mostrou quem é Deus” (Jo 1.18 - NLH).

A mensagem de Jesus faz-nos sete comunicações:
1. Que Deus amou o mundo (Jo 3.16).
2. Jesus morreu na cruz do Calvário para salvar o mundo inteiro (1ª Jo 2.2).
3. Que Deus veio em busca do homem na pessoa do Emanuel (Mt 1.21-23).
4. Que Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele (Jo 3.17).
5. Que a vontade de Deus é que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade (1ª Tm 2.4).
6. Que Jesus veio salvar o que se havia perdido (Lc 19.10).
7. Que Jesus veio trazer paz aos turbados de corações (Jo 14.27).

8. Que o Filho de Deus se manifestou para fazer as obras do diabo (1ª Jo 3.8).
Deus nos enviou Jesus, o Seu amado Filho, dos céus, do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.


Amigo leitor, já recebeste este dom de Deus? Aceite este presente no teu coração.

Pr. Elias Ribas