TEOLOGIA EM FOCO

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O MILÊNIO O REINADO DE CRISTO



Em Apocalipse 11.15, o anjo toca trombeta anunciando ao mundo inteiro que o Milênio irá começar: “O sétimo anjo tocou a trombeta, e houve no céu grandes vozes, dizendo: O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos” (Ap 11.15).

O milênio não é uma fantasia nem uma criação poética. É o reino de Deus que o Senhor Jesus Cristo, juntamente Sua Igreja, implantará neste mundo logo após a Grande Tribulação.


  I.             O QUE É MILÊNIO

O termo “milênio” não consta na Bíblia, mas provém de duas palavras latinas: “Mille” que significa “mil”, e “annum” que significa “anos”. A palavra ‘milênio’ é um termo teológico baseado na passagem de Ap 20.1-10 e aparece seis vezes nesta passagem. Os crentes em Cristo devem saber que o milênio é uma doutrina essencialmente bíblica e consistentemente teológica.

O Milênio é o esplendoroso reinado de Cristo na terra por mil anos (Ap 5.10; 20.4-7; Is 65.20, 20, 25; Dn 2.35, 44; Lc 1.32, 33). Ocorrerá após a volta de Jesus, (Ap 20.1-7). Trata-se de um reino literal, cujo principal objetivo é a exaltação de Jesus não somente como messias de Israel, mas como o Desejado de todas as nações (Ag 2.7).

O milênio pode ser considerado ainda a manifestação plena do Reino de Deus na terra. E isto nada tem a ver com a doutrina de algumas seitas que, renegam as verdades bíblicas acerca do arrebatamento da Igreja, ensinam que este mundo haverá de melhorar, pouco a pouco, até transformar-se num paraíso.

II.             QUANDO SERÁ O MILÊNIO

O milênio terá início no final da Grande Tribulação, quando Nosso Senhor Jesus Cristo, na companhia de todos os seus santos (Igreja e Seus anjos), houver aniquilado o dragão (diabo), o falso profeta e a besta (Anticristo), (Ap 19.11-21). O milênio, por conseguinte, dar-se-á, logicamente, depois do arrebatamento da Igreja.

Neste período, Satanás estará amarrado até que se completem os mil anos. Em seguida, importa que ele seja solto por um pouco de tempo, até que seja definitivamente lançado no lago de fogo (inferno) (Ap 20.2, 7, 10).

Nas visões que da parte de Deus lhe foram enviadas o profeta Daniel viu uma sucessão de quatro impérios mundiais seguidos pelo reino da pedra (Dn 2.45; 7.13-14). Este último é o reino de Cristo a ser estabelecido quando ele for revelado, vindo do céu, vingando-se do Anticristo, o qual será destruído juntamente com o falso profeta e ainda efetuará o julgamento das nações (2ª Ts 2.8).

Quando Cristo voltar a terra, Ele trará juntamente consigo os santos, revestidos de corpos gloriosos, pessoas essas que morreram em Cristo desde o tempo de Abel (Ap 1.7; Jd 14.15).

Estes estarão com Cristo na administração dos reinos e governo da Terra (Ap 11.15). Os judeus perderão grande parte da população durante a grande tribulação (Zc 13.8-9). Tendo Cristo como seu Messias e cabeça, Israel tornar-se-á nação líder do mundo e não mais cauda. Assim sendo, os habitantes da Terra durante o milênio consistirão de salvos em Cristo. Os santos ressuscitados, os judeus que abraçaram a fé em Jesus e as nações simpatizantes.

“Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos” (Ap 20.5-6).

Há uma idéia entre o povo de Deus que a ressurreição será em só momento. Mas na realidade não será assim. A ordem é a seguinte: A primeira ressurreição é inaugurada por Jesus Cristo, que é as primícias dos que dormem (1ª Co 15.20, Cl 1.18). Seguindo a seqüência os que são de Cristo por ocasião da sua vinda (1ª Co 15.23), e sete anos depois os mártires da Grande Tribulação (Ap 6.9-11; 20.4). Portanto a primeira ressurreição abrange da ressurreição de Cristo, até os mártires da Grande Tribulação.

Esta “Bem-aventurança” é aplicada a “ressurreição dos justos”. O bem-estar e a felicidade dos justos advêm deste acontecimento.

 III.             A NOVA ALIANÇA DURANTE O MILÊNIO

Como devemos observar todas as alianças feitas entre Deus e os homens em tempos passados, fundamentam-se sobre a nova e eterna aliança. Portanto consideramos que tenha o seu cumprimento integral no período milênial. Assim, vemos que a nova aliança será plenamente operante, demonstrando em todo o mundo, e mui particularmente na Palestina suas bênçãos, resultando em que a maioria dos homens do mundo buscarão a Deus e aprenderão a Sua justiça.

 IV.             QUEM ESTARÁ NA TERRA DURANTE O MILÊNIO

Estarão na terra, durante o milênio, os mártires da Grande Tribulação (Ap 20.4-6), os judeus salvos pelo Senhor na Grande Tribulação (Mt 25.34), e os gentios que houverem sobrevivido à Grande Tribulação e ao Juízo das nações (Mt 25.31-41). A Igreja, como já o dissemos, estará, juntamente com Cristo, regendo o mundo. Afinal, dele receberemos está promessa (Ap 2.26-27; Ap 5.9-13).

 V.             CRISTO NO MILÊNIO


Ao soar a 7ª trombeta, o governo da terra ficará a cargo de Cristo: O Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. Portanto, no Milênio, Cristo Jesus estará presente na terra em pessoa e se assentará sobre o trono de Davi (Is 2.1-5). Ele reinará sobre toda a terra (S1 72.6-11; Zc 14.9). Seu reino será caracterizado por duas coisas: PAZ UNIVERSAL (Sl 72.7; Is 2.4; Mq 4.3). E JUSTIÇA UNIVERSAL (Is 11.4-5; Jr 23.5-6). O Reino de Cristo será Universal (Is 2.2-4;11.10-12; Zc 8.22-23; Jr 3.17; Is 60.3 e 66.20). O Senhor Jesus reinará com cetro de ferro (Ap 19.15). Julgará as nações que não andarem conforme a Sua vontade (Zc 14.17-19).

1. O reino de Cristo. O Reino de Cristo será estabelecido na Terra por um período de mil anos e tem como finalidade estabelecer a justiça, obediência, santidade, verdade, plenitude do Espírito Santo, cumprimento da Nova Aliança, derramamento do Espírito Santo sobre toda a carne, aprisionamento de Satanás, eliminação dos ímpios, fazer com que Israel veja o Senhor em Sião, conhecimento universal do Senhor e submissão dos gentios à Cristo.

VI.             O ESPÍRITO SANTO NO MILÊNIO

1. O Espírito Santo no milênio. O Divino Poder Executivo. Através da dispensação atual, o Espírito Santo tem sido o Divino poder executivo da Igreja. Quando a Igreja O honra, experimenta avivamento; quando O ignora ou negligencia, sofre derrota em sua missão. O Milênio, ou seja, o reino de mil anos quando Cristo reinará sobre a Terra será o tempo quando o Espírito Santo exercerá a plenitude de Seu ministério, quando haverá um derramamento tal nunca houve no mundo. Isaías 32.15, assim descreve esse avivamento do Espírito Santo: “Até que se derrame sobre nós o Espírito lá do alto”. O profeta continua a descrever as condições reinantes durante o Milênio: “Justiça, paz, repouso, e segurança”, (Versos 16 e 17).

2. Em Escala Internacional. A obra do Espírito manifestar-se-á em toda parte do mundo, em escala nunca vista entre os homens. Ezequiel viu assim esse movimento espiritual: “E porei dentro de vós o meu Espírito” (Ez 36.27). Essa é a consumação da nova aliança entre Deus e os homens.

 VII.             A IGREJA NO MILÊNIO


“Bem aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos”.

Durante o Milênio, a Igreja reinará com Cristo sobre toda a terra (Ap 5.9-10; 20.4-6). Nesta época a Igreja já estará glorificada, isto é, os santos crentes estarão revestidos dum corpo como o do Senhor Jesus (Fp 3.21), que se locomove sem obstáculos e barreiras (Lc 24.30-43; Jo 20.19-27). Em Mt 17.1-6, vemos que Moisés e Elias não estavam sujeitos às limitações físicas, da mesma forma estará a Igreja no Milênio; aliás, não só no Milênio, mas, para todo o sempre. Nenhum mortal poderá descrever a glória futura da Igreja do Senhor, nem mesmo as imaginações mais férteis; porque são coisas que: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1ª Co 2.9).

 VIII.             ISRAEL NO MILÊNIO

1. O que acontecerá com Israel? Nesta época Israel deverá estar reunido na sua terra (Is 11.10-13; Jr 16.14-15); voltarão rebeldes e incrédulos (Ez 20.34-38); porém muitos vão se arrepender e converter (Ez 36.16-38; Zc 12.10-13; Rm 11.25-26). Quando eles se arrependerem o Senhor Deus os purificará, irá restaurá-los espiritualmente e porá o seu Espírito dentro deles (Ez 36.25-27). Israel ficará de posse da terra prometida a eles (Ez 34.28; 37.25; Am 9.15). Novamente o povo de Israel terá os seus juízes restaurados (Is 1.26; Mt 19.28). No Milênio Israel irá evangelizar os gentios (Is 66.19; Zc 8.13, 20-23); isto se refere aos que nascerem naquele tempo.

2. O território de Israel. Há diferença de opinião quanto à extensão do território de Israel durante o milênio. Sabemos que a terra prometida a Abraão em Gênesis 15.18, jamais foi totalmente ocupada por essa nação, nem mesmo durante os prósperos reinados de Davi e Salomão. A concessão original estende-se do rio Egito até o rio Eufrates. As referências de Dt 11.24 e Ez 47.18 mencionam o mar Ocidental (Mediterrâneo) e o mar Oriental, que possivelmente refere-se ao Oceano Índico.

3. A Palestina nos dias do milênio. Já antes que Israel entrasse na terra de Canaã, Deus já havia chamado de terra de trigo e cevada, figueiras e romaneiras, terra de oliveiras, de azeite e mel (Dt 8.8).
Assim que Israel entrou na terra prometida esqueceu-se de Deus e de Seus mandamentos e a bênção lhe foi retirada, a qual resultou na retenção das chuvas e durante séculos esta terra permaneceu abandonada, sendo verdadeiramente arruinada. Hoje pelo restabelecimento de Israel, a Palestina e o emprego de métodos modernos e científicos de agricultura, a terra está novamente florescente. As águas do Jordão foram canalizadas em direção ao sul até o deserto de Neguev, esse ermo está agora transformando em producentes fazendas de toda espécie.

As chuvas temporã e serôdias, já voltaram a regar a terra, cremos que tudo isso que está acontecendo hoje é prenúncio das bênçãos que se evidenciarão ali durante os mil anos de paz sob o regime de Jesus Cristo (Is 35.1; Ez 36.8.11).

4. A cidade milenial. De acordo com Ezequiel 48.1-35, a repartição do território de Israel entre as doze tribos, estender-se-á do Oeste ao Leste, a partir da tribo de Dã no norte e terminando com Gade no sul. Colocada entre as tribos de Judá e Benjamim, haverá uma área conhecida como região Santa, um território de extensão. É interessante notar que as tribos de Judá e Benjamim, que eram as mais leais a Davi no tempo da divisão do reino, agora achar-se-ão em lugar mais privilegiado quanto à proximidade da região Santa.

5. O templo de Jerusalém. 
O templo em Jerusalém será reconstruído (Is 44.26-28). O templo que na época da Grande Tribulação fora reconstruído, com ajudo do Anticristo, segundo Apocalipse 11.2, ficará sendo um templo profanado pelos gentios, mas no mesmo livro do Apocalipse 11.13, dá a nos entender que nessa hora o templo profanado pelo Anticristo e pelos gentios, fora destruído pelo grande terremoto que matou 7 mil homens (Ap 11.13).

6. O culto de adoração na época do milênio. Ezequiel o profeta teve uma visão extraordinária sobre a ordem dos acontecimentos, tanto civil como religioso durante o milênio. Essa visão traz uma descrição detalhada do próprio santuário dos sacerdotes e levitas e as instruções minuciosas para os sacerdotes e ao povo, quanto ao culto celebrado a Jeová (ver Ez 40.1-44).

 IX.             O MUNDO EM GERAL NO MILÊNIO

É evidente que multidões nascerão durante o Milênio (Zc 8.4-6; Is 65.20; Mq 4.1-4). Todas as nações do mundo irão a Jerusalém buscar a Lei do Senhor (Is 2:2-4; Zc 14:16-19). Durante o Milênio o mundo se encherá do conhecimento do Senhor (Is 11.9). Será um período de verdadeira paz sobre a terra (Ap 20.1-3). O Senhor Jesus governará toda terra (Zc 14.9) e reinará de Jerusalém (Is 2.2-5). Nesta época haverá muita fertilidade no solo (Am 9.13-14) e não haverá desertos (Is 35.1-6). Os animais selvagens voltarão a ser dóceis (Is 11.6-9; 65.25) e as armas se converterão em implementos agrícolas (Is 2.4; Mq 4.3). Haverá longevidade para os seres humanos (Is 65.20) e aumentará o índice de natalidade (Zc 8.5; 10.8). No Milênio haverá abundância de saúde (Is 33.24; 35.5-6) e muita prosperidade (Is 65.21). Neste tempo haverá abundância de salvação (Is 33.6; Zc 9.16) e paz entre as nações (Mq 14.3). Durante o Milênio haverá grande derramamento do Espírito Santo (Is 44.3; Ez 39.29; Zc 12.10). O Egito ser uma nação temente a Deus e unida com Israel (Is 19.21-25).
  
X.             A FORMA DE GOVERNO

A terra nesse tempo será regida nem por monarquia nem democracia, mas sim por TEOCRACIA (Dn 7.13-14), isto é, o próprio Deus regerá o mundo na pessoa de Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo (Lc 1.32-33).

Algumas passagens das Escrituras indicam que o rei Davi, de cuja linhagem veio Jesus, segundo a carne, tomará parte no governo de Israel já restaurado servindo como príncipe ou co-regente (Jr 30.9; Ez 37.24, 25; Is 2.2). Cristo também disse a seus discípulos que se assentariam em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel (Mt 19.28).

XI.             A SEDE DO GOVERNO DE CRISTO

A capital do mundo será Jerusalém, a desprezada cidade tantas vezes pisada pelos exércitos invasores (Is 2.2). Esta cidade será totalmente restaurada cumprindo-se a visão do salmista Davi que disse: “Grande é o Senhor e mui digno de ser louvado na cidade de nosso Deus, Seu santo nome, belo e sobranceiro é a alegria de toda a terra, o monte Sião para todos os lados do norte a cidade do grande Rei. Nos palácios dela Deus se faz conhecer como alto refúgio” (Sl 48.1-3).

As nações do mundo não terão supremacia, exceto Israel que será a cabeça das nações, sendo Jerusalém a capital.

1.      Jerusalém será totalmente restaurada (Salmos 48.1-3).
2.      Jerusalém se chamará HEFZDIBÁ BEULÁ, que significa “meu prazer está nela”, e Beulá significa “Desposada”, esses nomes indicam que Deus renovou seu concerto com Jerusalém tudo nos mostra que Israel sempre foi à menina dos olhos de Deus e o centro geográfico do mundo.
3.      Jerusalém será não somente a sede do governo messiânico como também o centro de adoração divina (Zc 14.16).

  XII.             A VIDA ESPIRITUAL DURANTE O MILÊNIO

As condições espirituais durante o milênio contrastarão fortemente com as condições dos nossos dias atuais. Será na época do milênio que haverá plena realização da profecia do profeta Joel descrita no cap. 2 e versos 28 e 29. O povo pentecostal costuma errar na exegese de Joel 2.28, 29, atribuindo ao atual movimento pentecostal o pleno cumprimento da profecia. Na verdade o acontecimento é igual na qualidade e natureza, porém em graus não é Dias gloriosos ainda esperam Israel e as nações.

Milênio será um reino não só de bênçãos espirituais, como também matérias, pois a glória do Senhor encherá a Terra (Sl 72) e o Espírito Santo será derramado sobre toda a carne.

No dia do Pentecostes e nos nossos dias, o Espírito Santo foi derramado sobre aqueles que foram regenerados, ou seja, no Antigo Testamento, o Espírito Santo fora derramado sobre os patriarcas, os profetas e os reis, já no Novo Testamento, fora derramado sobre os discípulos e a Igreja do Senhor. O mundo em si não conhece o Espírito Santo. Mas, no Milênio será diferente, o pecado não existirá, e todos conhecerão o Senhor e haverá santidade ao Senhor e aí vai se cumprir o que Joel profetizou (Jl 2.28-29; Is 32.15; Ex 36.27 39.22; Zc 12.10; At 2.19-20).

O conhecimento do Senhor será universal. Tal qual hoje prevalece o mal entre muitas nações que jazem nas trevas da idolatria, naquele tempo a justiça prevalecerá e todas as nações conhecerão o nome de Jeová (Ml 1.11; Is 11.9).

 XIII.             O RIO MILENIAL

Costuma-se interpretar essa passagem de Ez 47.1-12, dando a ela um sentido espiritual como o rio da salvação, as águas do Espírito que começaram a fluir no dia de Pentecostes, etc. Por mais que o texto sirva para tais ilustrações, o rio descrito pelo profeta Ezequiel é um rio literal que sai debaixo do altar do templo restaurado por Deus fluindo na direção oriental, desaguando finalmente no Mar Morto. As águas salubres desse rio transformarão esse mar, atualmente muito salgado, em mar de água doce. Então haverá peixe nesse mar, hoje não há. Nas suas margens haverá terreno frutífero. O leito desse rio que fluirá na direção oriental provavelmente será aberto por terremoto na ocasião em que Jesus descer sobre o monte das Oliveiras (Zc 14.4). O terremoto fará o monte dividir-se em duas partes, uma deslocando-se para o norte e a outra para o sul, permitindo o rio passar entre ambas.

 XIV.             A GLÓRIA SHEKINHAH SE MANIFESTARÁ EM JERUSALÉM

Em uma certa visão, Ezequiel viu a glória do Senhor afastando-se da cidade de Jerusalém, vindo a desaparecer ao leste do monte das oliveiras (Ez 9.30; 10.4; 10.18). Isto se deu em razão dos grandes pecados e abominações que eram cometidas pelo povo Judeu. Mas, o profeta viu em visão que a glória do Senhor começou a voltar do oriente, vindo encher o templo (Ez 43.1-5). Esta glória estará continuamente sobre a cidade Santa, no milênio (Is 4.5-6).

 XV.             OBJETIVOS DO MILÊNIO

O Milênio será implantado, com objetivos bem definidos:

1. Exaltar a Cristo. Todos os povos, principalmente Israel, terão de se curvar ante Jesus Cristo, cujo nome será sublime e soberanamente exaltado como Rei dos reis e Senhores dos senhores (Fl 2.5; Ap 19.16).

2. Manifestar o Reino de Deus na Sua plenitude. Na oração Dominical, o Senhor Jesus ensinou-nos a orar: “Venha o teu reino” (Mt 6.10). Esta petição será plenamente respondida quando vier o Senhor Jesus, juntamente com a sua Igreja, inaugurar o Milênio – a exposição mais visível do Reino de Deus na terra.

3. Mostrar que este mundo pode ser administrado com justiça e eqüidade. Em conseqüência da corrupção e dos desmandos administrativos dos governantes, a população da terra é assolada pela fome, pela falta de habitação e por muitas outras necessidades básicas. Todavia, quando Cristo instaurar o seu governo, mostrará que todos esses problemas podem ser rápida e perfeitamente solucionados.

4. Deixar bem claro que os reinos deste mundo pertencem a Cristo. No deserto, Satanás tentou a Cristo, alegando serem dele todos os reinos deste mundo (Mt 4.8-9). Na verdade, tudo pertencem a Jesus: “Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre” (Ap 11.15). Desta forma, cumprir-se-á a aliança que Deus estabeleceu com a casa de Davi, da qual veio, legalmente, o Senhor Jesus (Is 9.7; Dn 7.14).
  
    XVI.      COMO SERÁ O MILÊNIO

Será um período de grande conhecimento da Palavra de Deus. “E virão muitos povos e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine o que concerne aos seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá à lei, e de Jerusalém a Palavra do Senhor” (Is 2.3).

Durante o milênio os habitantes da terra não serão mais esmagados debaixo dos enormes orçamentos bélicos com os quais as forças armadas ameaçam as demais nações. Sabemos que a paz universal só se tornará realidade com o estabelecimento do reino de Cristo a quem as escrituras chamam o Príncipe da Paz.

Será uma era de abundante saúde física e mental. Não haverá doenças, ou ninguém dirá: Estou doente (Is 33.24). Não haverá cegos, nem surdos, nem coxos e nem mudos (Is 3.5-6).

A vida humana será prolongada: Será uma era de prosperidade, segurança e vida longa. “Não edificarão para que outros habitem, não plantarão para que outros comam, porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore, e os meus eleitos gozarão das obras das suas mãos até a velhice” (Is 65.22).

O homem outra vez viverá até alcançar a idade provecta de centenas de anos como nos dias antediluvianos. Isto pode ser atribuído a algumas mudanças climáticas ou ambientais e também a remoção da influência maléfica de Satanás (Is 65.20).

No Milênio um jovem terá a idade no mínimo 100 anos, (Is 65.19-20). A morte existirá no Reino Milenar, mas a duração da vida humana será muito mais longa do que agora. Uma pessoa de 100 anos de idade será considerada jovem, e morrer antes dessa idade será considerado uma maldição.

Os dias do Milênio serão maravilhosos para as crianças, e os velhos terão tempo de amparo (Zc 8.4-5).

Todas as nações terão que celebrar a festa ao Senhor, enviando seus representantes de ano em ano para Jerusalém.

O pecado não existirá no Milênio (Zc 14.20).

Já não haverá separação entre o sagrado e o profano, todas as coisas e pessoas serão Santas, consagradas e dedicadas ao serviço e adoração do Senhor.

Satanás nessa época estará preso, é ele que faz o homem pecar, e todas as pessoas que nascerem no Milênio só conhecerão o Senhor Jesus, o Salvador. Haverá abundancia de Salvação (Is 33.6; Is 33.22; Is 62.1 e Zc 9.16).

O sol se envergonhará de Cristo, porque o Senhor brilhará muito mais (Is 24.23). O Senhor será o Sol da Justiça (Ml 2.28-29).

    XVII.      A HARMONIA NA TERRA SERÁ RESTAURADA

Haverá harmonia entre os animais e toda a ferocidade dos animais serão removidas (Is 35.6-9). Não haverá animais carnívoros (Is 65.25), e a serpente não fará dano a ninguém.

A Terra será restaurada a sua fertilidade, como diz em Is 35.6-7. O mar morto dará abundancia de peixes (Ez 47.1-12).

Nunca mais haverá fome na Terra (Ez 36.29-30). A Terra será como Jardim do Éden (Ez 34.36-37; Is 51.3). As riquezas serão abundantes (Is 60.16-17).

A maldição será tirada da Terra (Gn 3.17-18). O Senhor irá restaurar a Terra por completo (Ez 36.29-36).

O Senhor será o alvo de todas as atenções (Zc 8.20-23), todos quererão vê-lo (Is 2.2-4). Não haverá idolatria (Is 17.7-8). E a saudação será, O Senhor te abençoe (Jr 31.23). Os judeus nessa época serão os mensageiros do Rei Jesus (Zc 8.23), e eles serão uma benção para as nações (Zc 8.13).

No início no Milênio a população mundial será escassa (Is 13.11-12). Mas, depois no decorrer dos acontecimentos, o Senhor mudará esse quadro conforme Jeremias 33.22.

O mundo inteiro viverá nessa harmonia completa com Cristo, em gozo de alegria, paz mundial, sem fome e sem doenças; a Terra produzirá o que os homens precisarem, porque será abençoada como foi no princípio, e todos de todas as nações do mundo inteiro correrão a Jerusalém, para prestarem adoração ao Senhor Jesus (Zc 14.16). Haverá mudança no solo (Zc 14.10).

A criação do mundo todo aguarda ansiosamente esse tempo para sua libertação (Rm 8.22-23).

Se o milênio é tão maravilhoso, o que não diremos da Nova Jerusalém? O primeiro, apesar de suas realizações, será imperfeito e temporário. O segundo não, pelo contrário, há de ser eterno e perfeitíssimo. Já pensou quando entrarmos naquela cidade, cujo arquiteto e construtor é o próprio Deus? Como descrever a formosa cidade?

  XVIII.             O QUE ACONTECERÁ COM SATANÁS NO MILÊNIO

Enquanto o Senhor Jesus estiver reinando no milênio Satanás estará preso no poço do abismo. Satanás o grande inimigo de Deus e dos homens, será algemado e lançado no abismo de maneira que ficará impossibilitado de exercer o seu nefasto programa de destruição e engano entre os homens. Os céus, e a terra serão purificados de todas as influências maléficas de Satanás e suas hostes Ap 20.1, 3.
Em Apocalipse 19.19-21, é revelado que a besta (o Anticristo) e o Falso Profeta foram lançados vivos dentro do lago de fogo (e no capítulo 20.1-3), nos diz que Satanás fora lançado amarrado dentro do Poço do Abismo e preso por mil anos.

 XIX.             O FIM DO MILÊNIO

Encerrando-se o período de paz sobre a Terra, o inimigo de Deus, de Cristo e dos homens será solto do poço do abismo por um pouco de tempo.

1. Satanás será solto Ap 20.7-10: Mais uma vez Satanás irá promover uma rebelião de ordem mundial, e irá enganar muitos cujo número será como areia do mar. Essa será a última guerra mundial, conhecida como Gogue e Magogue. Mas, Deus mandará fogo do céu e destruirá a todos que se juntaram à rebelião de Satanás, que enganava as nações e os homens, fora lançado dentro do lago de fogo, onde está a besta e o Falso Profeta (Ap 20.10).

O estado de depravação do coração humano é revelado pelos acontecimentos ao fim desse período de 1000 anos, durante o qual o homem foi exposto as melhores influências espirituais possíveis, Satanás estava algemado e Jesus Cristo e o Espírito Santo reinaram supremos em todo mundo. Mas ao fim do milênio Satanás será solto do abismo por pouco tempo, quando uma vasta multidão de pessoas o acompanharão em uma rebelião contra o Senhor Jesus Cristo. Essa rebelião será sufocada imediatamente e dominada por Deus que enviará fogo do céu que os devorará. Esse será o verdadeiro fim de Satanás nesta terra quando ele será lançado no lago de fogo onde será atormentado para sempre.

2. Qual a finalidade de Satanás ser solto final do milênio? Se em todos os seres humanos foram tentados na sua vida terrena, no milênio Deus irá soltar Satanás de sua prisão para tentar e provar a fidelidade de cada habitante milenar; para mostrar que o homem apesar de toda prosperidade, abundância e paz, dará ouvido ao tentador e se levantar-se-ão contra o reinado de Cristo.

Satanás será solto para provar as pessoas que nasceram durante o milênio. Para revelar que o coração do homem não convertido permanece na sua velha natureza. O Senhor provará a depravação completa do homem.

Para mostrar a falta de sinceridade de alguns que estarão vivendo nesta época; porque mesmo depois de um Reino tão glorioso, multidões como a areia do mar, seguirão a Satanás na primeira oportunidade. Assim como Adão e Eva pecaram no ambiente perfeito do jardim do Éden, da mesma forma uma inumerável multidão rebelará contra Cristo apesar das bênçãos advindas do Seu reinado milenial. O juízo é tão rápido quanto à rebelião das nações dos quatro cantos da terra. A sorte destes rebeldes e de Satanás está selada nas seguintes palavras: ”Mas desceu fogo do céu, e os consumiu” (Ap 20.9-10). Ele terá de comparecer perante o grande trono branco, para receber sua sentença no Juízo Final (1ª Co 6.3; Ap 20.11-15). Satanás é lançado no lago de fogo e enxofre para todo o sempre. De lá, jamais escapará; nunca mais tentará ninguém nem fará oposição aos planos de Deus. Satanás terá como destino final o inferno (Mt 25.41), onde será atormentado eternamente (Ap 20.10).
O fim do milênio marcará também o fim de todas as dispensações terrestres e o fim do tempo.

Havendo muitos fracassados durante essa derradeira dispensação em que se manifestou a presença do Senhor e sua influência que visará a salvação e a vida eterna, não resta mais nada para os tais a não ser a indignação abrasadora de Deus.

Deus havia dito a Noé que nunca mais destruiria a terra por água e essa promessa Deus tem cumprido a risca. Portanto, esta vez a destruição será por fogo como Pedro o revela em 2ª Pe 3.7.12.

Assim como os salvos da época antediluviana foram guardados dentro da arca, assim Deus guardará redimidos desta dispensação milênial enquanto a terra é renovada por fogo (Is 51.16).

 XX.      O MILÊNIO TERMINARÁ QUANDO CRISTO ENTREGAR O REINO AO PAI

“Depois, virá o fim, quando tiver entregado o Reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo império e toda potestade e força” (1ª Co 15.24).

O alvo e expectativa finais da fé do NT é um novo mundo, transformado e redimido, onde Cristo permanece com seu povo e a justiça reina em santa perfeição.

Pr. Elias Ribas

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O JULGAMENTO DOS ANJOS CAÍDOS


Originalmente todos os anjos foram criados bons e em estado de santidade. Isto é plenamente estabelecido pelo caráter de Deus que é absolutamente santo (Gn 18.25).

Alguns afirmam que a queda dos anjos aconteceu antes da criação citada em Gn 1.2, entre os vs. 1e 2; que foi esta queda que fez a criação original tornar-se “sem forma e vazia” (Gn 1.1).

Segundo alguns intérpretes teológicos a queda de Satanás e seus anjos são demonstrados em Ezequiel 28.12-17; Isaías 14.12-14. Destas passagens, podemos deduzir que Satanás era, no princípio, o querubim da guarda, o ungido, o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura. Ele vivia no Éden, um jardim mineral. Ocupava uma posição sobre as demais criaturas celestiais. Mas ele juntamente com todos os anjos, tinham a capacidade de pecar e a capacidade de não pecar. E eles estavam em uma posição onde podiam fazer sem serem constrangidos a fazer um ou outro.

A queda dos anjos foi devida à sua revolta deliberada e auto-determinada contra Deus. Foi a escolha do ego e de seus interesses em preferências à escolha de Deus e de Seus interesses.

Satanás, embora apontado e designado para ser guarda do trono de Deus (conf. Ez 28), aspirou a posse de um trono para ele mesmo, e governar sobre “as estrelas de Deus”, isto é, os anjos (Jó 38.7; Jd 13; Ap 12.3-4).

A ambição e o desejo de possuir aquilo que não era seu, levou Satanás a ruína. De qualquer forma foi o egoísmo, descontentamento com aquilo que ele tinha e o desejo ardente de conseguir tudo o qualquer outro tivesse. Sem dúvida a queda de Satanás foi também a queda dos outros.

Por causa da desobediência eles perderam sua santidade original e se tornaram corruptos na sua conduta (Mt 10.1; Ef 6.11-12; Ap 12.9), se tornaram ímpios e pecadores.

Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo (2ª Pe 2.4).

Sobre esse assunto, devíamos usar uma passagem similar de Judas 6 que diz: “E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão, e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia”.

Todos parecem concordar que Pedro e Judas tinham os mesmos anjos em vistas. Nem Pedro nem Judas falam da natureza do pecado dos anjos. Segundo Judas, os anjos não conservaram suas posições de autoridade, mas abandonaram sua própria morada. A queda dos anjos é descrita como abandono de suas funções nos céus, seu lar original. Como punição para este pecado, Deus os lançou no inferno. Inferno do hebraico Sheol, do grego hades, que significa: lugar de suplício, penas e açoites.

“Precipitando-os no inferno”. É uma única palavra em grego tartaroo, que ocorre somente aqui, e que significa “lançar dentro; manter cativo”.

Na mitologia grega, tartaroo, designava a área mais profunda do hades, reservado para a punição dos deuses desobedientes. Pedro usa essa expressão para designar a ideia de que os anjos caídos agora estão na prisão de trevas e morte, separados da divina fonte de vida. Essa não é uma prisão literal porque os demônios ainda estão ativos no mundo dos humanos (1ª Pe 5.8; Jd 9).

No mundo antigo, os presos eram geralmente forçados a trabalhar e em muitos casos ficavam aguardando o julgamento em execução da pena já sentenciada contra eles (Lv 24.10-12; Nm 15.32-36). De acordo com Pedro, os anjos caídos estão encarcerados em trevas espirituais, no reino dos mortos esperando a execução de sua sentença. Eles já foram julgados.

O tempo quando os anjos serão julgados, nos parece que ocorrerá depois da volta em Cristo em glória, depois do milênio. Esse julgamento será para os anjos caídos. Satanás e algumas de suas hostes estão em liberdade para operarem os seus desígnios, dentro dos limites estabelecidos por Deus.
Satanás será primeiramente algemado no início do Milênio e então, ao fim deste período será solto por um pouco de tempo, e por fim será lançado no lago de fogo.

É claro que o Milênio não é o estado final. Os mil anos que Satanás passará no abismo não produzirão nenhuma mudança em seu caráter maligno. A Bíblia ensina que, terminado o Milênio, Satanás será solto de sua prisão por algum tempo (Ap 20.3, 7-10).

Depois deste julgamento (1ª Co 6.3), serão lançados no lago de fogo (Mt 25.41-46; Jd 6; 2ª Pe 2.4).

Pr. Elias Ribas