TEOLOGIA EM FOCO

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

AS DUAS BESTAS DO APOCALIPSE 13

O Anticristo e seu falso profeta

 No capítulo 13 do livro do Apocalipse, o apóstolo João vê duas bestas; uma besta que sobe do mar que representa o Anticristo (um líder político) e a besta que surge da terra que representa o falso profeta (um líder religioso).

 I.          A BESTA QUE SUBIU DO MAR - Ap 13.1.10

1. A diferença entre Satanás e o Anticristo.

No capítulo 12 verso 3 de Apocalipse, João viu Satanás o grande dragão vermelho (Pai), que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas, mas no capítulo 13 verso 1, João vê uma besta (Anticristo) com sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres, dez diademas. Vamos analisar uma diferença entre Satanás (o pai) e o Anticristo (o filho). Note que ambos tinham sete cabeças e dez chifres, a diferença é que Satanás tem “sete” diademas sobre a cabeça e o Anticristo tem “dez” diademas sobre os seus chifres. Deste modo, os diademas do dragão eram sete, e os da besta eram dez.

2.      “Uma besta”.

Eis que surge do mar (dentre as nações: Is 17.1-13; Ap 17.15). A Besta que surge do mar refere-se ao Império do Anticristo; ele é assim chamado por duas razões: opõe a Cristo no sentido de resistir e hostilizar, mas também se chama assim porque imitará a Cristo no seu papel de redentor.

A palavra usada no original indica animal selvagem. Isso mostra o caráter bestial, animalesco, baixo e vil do Anticristo, quando ele se manifestar abertamente.

A besta que sobe do mar é o último grande governo mundial da história e consiste em dez reinos sob o controle do Anticristo. No sonho de Nabucodonosor revelado ao profeta Daniel no capítulo 2 verso 41 e 42, ele vê uma estátua com os dez dedos dos pés, mas no capítulo 7 verso 7 e 20, Daniel vê um terrível animal com dez chifres, porém aqui o profeta João vê uma besta com como dez diademas sobre os chifres. Nas revelações de Daniel e aqui no apocalipse, os números dez também representa dez reinos. Mas as sete cabeças são sete montes onde a besta estará assentada (Ap 17.9).

A besta será apoiada por todas as nações em troca de promessas fabulosas de “paz e segurança”. Visto naturalmente, esse reino oferece paz , mas na realidade, será um reino brutal, animal, evidenciando o espírito de uma fera (besta).

3.      No sentido figurado como será esta besta?

Na visão de Daniel no capítulo sete, ele vê quatro terríveis animais (leão, urso e leopardo e o quarto animal que era terrível, espantoso e muito forte). Aqui no Apocalipse, João vê a besta com aparência de todos os animais juntos. Entretanto no verso dois, João vê o retrato da besta: “Era semelhante ao leopardo, com pés de urso e boca de leão” (v.2).

O leopardo fala de rapidez; o urso de força e o leão de soberba. Certamente isso significa a rapidez, a força e a soberba desse monstro dos últimos tempos. Aboca de leão fala da autoridade que ele irá receber de Satanás para guerrear contra os santos na Grande Tribulação. Esta besta será uma pessoa cruel como uma fera, que conseguirá o governo político e religioso do mundo naqueles dias. O Anticristo afirmará ser o Messias verdadeiro (Mt 24.24).

A besta receberá o trono e autoridade de Satanás para governar o mundo: “E deu-lhe o dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade” (v. 2).

Esta besta, sendo o último representante dos poderes gentílicos do mundo (como a grande imagem em seu aspecto final, Daniel cap. 2). Ela é, realmente, a quarta besta no último tempo de seu reino; agora revivificada e restaurada no poder de Satanás, que levantará a sua força contra o Rei dos reis e encontrará sua ruína nas mãos d’Ele, depois que o Senhor e os seus santos descerem para reinar sobre a terra.

4.      Será ferida de morte.

“Então, vi uma de suas cabeças como golpeada de morte, mas essa ferida mortal foi curada” (v.3). Parecerá ao mundo que o Anticristo foi mortalmente ferido e depois revivificado pelo poder miraculoso de Satanás (2ª Ts 2.9; Ap 17.8). Nesta época Deus permitirá a Satanás, imitar o poder de Cristo, podendo ser este seu principal meio de enganar a raça humana, pois o seu objetivo principal é enganar os homens. E o mundo irá maravilhar-se com isto e irá adorar a besta: “e toda a terra se maravilhou, seguindo a besta; e adoraram o dragão porque deu a sua autoridade à besta; também adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta?” (3b, 4).

A expressão “maravilhou-se” fala não somente de maravilhar-se no sentido de aplausos e louvores, mas de adoração e endeusamento completos que renderão á besta e ao dragão, a qual será adorada universalmente, como acontecia aos antigos reis, que se julgavam ser os deuses supremos de toda a terra.

5.      Receberá poder e sabedoria.

“Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e autoridade para agir quarenta e dois meses e abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu” (v. 5-6).

Daniel estava considerando as pontas do quarto animal, em sua visão, quando viu a saliência da “ponta pequena” sobre as outras pontas “que possuía uma boca que falava grandiosamente” (Dn 7.8).

João contempla o cumprimento desta visão: a Besta (a ponta pequena), arrogante no poder que lhe foi dado, insurge-se contra grandes coisas e blasfema contra o Todo poderoso e Sua obra.

A especialidade do adversário é maltratar e lançar todo o impropério contra seu inimigo. Assim a besta, em que sua grande campanha, blasfemará com todo o ardor satânico, com vingança e ódio contra Deus, contra seu nome, contra o Tabernáculo e contra os que habitam no céu.

“... e recebeu autoridade para continuar quarenta e dois meses....”. Nos primeiros três anos e meio, a metade da tribulação, será um período de falsa paz entre o mundo. A besta terá inigualável habilidade de influenciar as massas humanas, pelos seus discursos inflamados. Com os modernos meios de comunicação, alcançará o mundo todo com sua demagogia saturada de poder maligno.

Nas ações iníquas, praticadas pela besta, notam-se as expressões: “foi lhe dada uma boca”; “deu-lhe poder”; “foi permitido fazer guerra aos santos”; “deu-se lhe poder sobre toda tribo, língua e nação” Esse poder provém de Deus (conf. 1° Rs 22.19-23), que não quer que o mundo se pereça na obstinação em que tem vivido (Ez 18.23; 1ª Tm 2.4). O homem tem resistido a todos os rogos de Deus em seu favor (Pv 23.26; Is 1.18; Mt 11.28); por isso Deus vai permitir a toda humanidade tragar o amargo fruto da sua rebeldia e desobediência.

6.      Levantar-se-á contra Deus e o que se chama Deus.

“E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos e vencê-los” (v. 7). A Grande Tribulação é esse período de angustia sem igual que envolve o mundo todo, mas é, especialmente, o tempo de angustia para Jacó (Jr 30.7), tendo por centro Jerusalém e a Terra Santa. Nessa oportunidade, a besta estará furiosa, lutando contra os santos, subjugando os seus súditos e desafiando o próprio Céu (v. 6; conf. Dn 7.25).

No verso 15b, está escrito: “...como ainda fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta”. O Anticristo fará guerra contra os santos, a fim de vencê-los (v.4). Os tais santos mortos pela besta são os mártires da Grande Tribulação. “....e adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (v. 8).

Na metade da Grande Tribulação, o Anticristo se levantará contra Deus e todos os que se chamam pelo seu nome e ele se assentará como um deus (2ª Ts 2.4). O Anticristo se apresentará como se fosse deus com poder sobrenatural demoníaco (2ª Ts 2.9). Ela é um objeto de adoração mundial e também de adoração individual. O povo terá de escolher entre a nova, popular religião que o Anticristo implantará, ou crer em Jesus e permanecer fiel. Quem não aceitar o plano do Anticristo e sua marca será morto (Ap 20.4). Satanás concede seu poder ao Anticristo para combater contra Deus e seu povo. Seu povo aqui significa os que ficaram na tribulação e a nação de Israel. Eles não adoram a besta, mas, por serem imponentes diante de todo aquele poderio infernal, não a puderam vencer: foram levados cativos a morte, mas triunfaram na fé e perseveram na confiança do Seu Deus.

Isto levará o mundo a adorá-lo. A religião do Anticristo ensina a divinização do ser humano ao invés da verdade, que somos pecadores e precisamos de salvação e que em Cristo Deus se tornou homem (Jo 1.14). O Anticristo propaga a mentira de que, nele mesmo a humanidade é parte de Deus (2ª Ts 2.4). Atualmente a Nova Era já enfatiza claramente a doutrina do Anticristo, sem dúvida preparando as massas para a aceitação posterior e final desta doutrina.

II.       A BESTA QUE SUBIU DA TERRA

1. A segunda besta ou o Falso Profeta. “Vi ainda outra besta emergir da terra (v. 11).

A primeira besta sobe do mar (nações - v. 1), o que lembra a agitação e o estado de perturbação e instabilidade dos povos em seus governos políticos (Dn 7.2). A segunda besta subiu da terra, símbolo daquela parte do mundo para onde estão voltadas todas as atenções divinas e humanas – a Terra da Promessa, por dependerem dela como verdadeira bússola os planos e os propósitos de Deus, com relação ao bem de toda a humanidade (Gn 12.7).

A segunda besta será chamada falso profeta, vai preparar o mundo para adorar o Anticristo, que é a primeira besta que João vê. Se Satanás imita o Pai, o Anticristo o Filho então o Falso Profeta irá imitar o Espírito Santo.

O falso profeta construirá uma imagem do Anticristo que será colocada no templo de Deus. Quem fará isto? O Falso Profeta, a segunda besta. O Senhor Jesus profetizou isso no Seu evangelho: “Quando, pois virdes que a abominação da desolação de que falou o profeta Daniel, estiver no lugar Santo quem lê que entenda” (Mt 24.15). E concernente a isto Daniel diz assim: “Ele firmará um concerto com muitos por uma semana, e na metade da semana fará cessar os sacrifícios e as ofertas de manjares, e sob a asa das abominações virá o assolador” (Dn 9.27).

Ele colocará a imagem da besta dentro do templo, e o mesmo falará, e obrigará a todos que adorem a imagem da primeira besta.

2.       O falso profeta será um líder religioso.

“...possuía dois chifres, parecendo cordeiro, mas falava como dragão” (v. 11).

Os dois chifres é símbolo de poder em qualquer sentido, tanto político como religioso, pois no verso 12 diz que ela exerce a autoridade da primeira besta e compele todos à adoração da primeira besta “Parecendo cordeiro”, mas falava como dragão.

A segunda besta é descrita como cordeiro, o que indica o seu caráter religioso, que é confirmado pelo seu título “falso profeta”. Profeta de quê? Só pode ser uma falsa religião, um falso líder religioso que conquistará as nações, com seus discursos inflamados.

A falsa igreja que podemos chamar de igreja ecumênica, será a unificação de todas as religiões, desde que creiam em Deus. Sabemos que há um movimento muito grande em prol do ecumenismo, pois o palco para seus autores já está sendo montado.

A segunda besta liderará uma falsa igreja que adorará o Anticristo. Isso será efetuado mediante grandes sinais e maravilhas (2ª Ts 2.9). Ora, o comparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais e prodígios de mentira. Portanto serão como sempre, milagres falsos.

Não é difícil pela luz da Bíblia identificar o falso profeta. Se analisar as igrejas em geral veremos uma que sempre buscou o poder e se coloca como única “igreja” verdadeira. Para sermos bem claro, há algumas “arrogâncias” do papado que para Deus são blasfêmias. Por exemplo: sua pretensão de perdoar pecados. Depois da ascensão de nosso Senhor Jesus Cristo, São Pedro deixou bem claro que ele (Pedro) não tinha poder para perdoar pecados, que esta é atribuição de Deus (At 8.20-13). Evidentemente ele conhecia o princípio bíblico de que só Deus tem poder de perdoar pecados e que, quem pretende fazê-lo, blasfema (Mc 2.7). Outros exemplos: ao fazer-se chamar “Santo Pai” adotou um nome que corresponde a Deus. Jesus diz: “A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, Aquele que está no Céu” (Mt 23.9). Proclama ser cabeça da igreja, usurpando assim a função de Cristo, que é o cabeça do corpo da Igreja (Ef 5.23). Também aceita homenagens que na Santa Bíblia são um ato de adoração que corresponde só a Deus. Referimo-nos à prática de ajoelhar-se ante o papa. São Pedro proibiu a Cornélio que o fizesse por considerar-se (Pedro) um mero ser humano (Atos 10.25-26). Note que o anjo de Deus, apesar de ser superior a um apóstolo, proibiu a João que se ajoelhasse diante dele, explicando-lhe que isso era um ato de adoração que só corresponde praticar perante Deus (Ap 19.10; 22.8-9). Agora entendemos melhor o que quis dizer o apóstolo Paulo quando escreveu na sua carta que “o homem da iniqüidade, o filho da perdição, a ponto de sentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus” (2ª Ts 2.3-4). Por isto é ele o Anticristo (ANTICRISTO, quer dizer que se põe no lugar de Cristo, e também se opõem a Cristo). Martinho Lutero estava certo de que o Papa de sua época era o Anticristo.

“...falava como dragão”.

O povo de Israel esperava um messias de atitude forte e agressiva e com uma completa liderança para reinar. Eles queriam que Jesus expulsasse os romanos da Palestina e se constituísse rei de Israel. E assim Israel esperava um reino material e poderoso. Foi a maior decepção para eles e seus líderes: Jesus só falava de coisas espirituais, e de um reino espiritual e santo, que seria formado com base no sacrifício d’Ele próprio. Isto porque não podiam compreender o plano de Deus para a salvação de toda a humanidade.

A maneira que o Anticristo ou o falso profeta se imporá ao povo de Israel, fazendo ouvir a voz do dragão, revela a sua grande astúcia. Satanás sabe inteiramente, o porquê da rejeição de Jesus e assim inspira o seu representante junto a Israel, para preencher todas as medidas exigidas pela nação. Eis porque lhe será fácil a conquista dos israelitas; mas, o verdadeiro Israel, os assinalados, serão libertos dos ardis satânicos.

“E esse rei fará conforme a sua vontade, e se levantará, e se engrandecerá sobre todo deus; e contra o Deus dos deuses falará coisas incríveis e será próspero, até que a ira se complete; porque aquilo que está determinado será feito. E não terá respeito aos deuses de seus pais, nem terá respeito ao amor das mulheres, nem a qualquer deus, porque sobre tudo se engrandecerá. Mas ao deus das fortalezas honrará em seu lugar; e a um deus a quem seus pais não conheceram honrará com ouro, e com prata, e com pedras preciosas, e com coisas agradáveis. E haver-se-á com os castelos fortes com o auxílio do deus estranho; aos que o reconhecerem multiplicará a honra, e os fará reinar sobre muitos, e repartirá a terra por preço” (Dn 11.36-39).

“E não terá respeito aos deuses de seus pais...” (Dn 11.36-39).
Daniel descreve como o falso profeta e o Anticristo viverá em Jerusalém. Ele será um judeu apóstata, verdadeiro ateísta, que não respeitará o Deus de seus pais (referindo-se ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó, e contra o Senhor falará coisas espantosas). É muito importante sabermos que besta nunca poderia apresentar-se como Messias, ainda que falso, se não fosse um judeu; porque, de outro modo não seria aceito por Israel.

“E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada” (Ap 13.12).

Aqui fica demonstrada a aliança entre o Anticristo e o falso profeta, pela ação dos milagres que opera. Para os judeus o falso milagre operado pelo falso cristo será considerado um milagre da parte de Deus.

“E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida de espada e vivia (Ap 13.13-14).

Os antigos imperadores exigiam a adoração de seus súditos e consideravam-se deuses. Os magos e falsos profetas mantinham esta adoração supersticiosa aos imperadores (conf. At 13.6-12; 2ª Tm 3.8), erigiam suas imagens, colocando-as nos templos de seus deuses para serem adorados. Assim procederá a segunda besta, exercendo a sua função de falso profeta.

3.  O falso profeta, a segunda besta, ajudará a preparar o mundo para adorar o Anticristo.

“E foi-lhe concedido que desse espírito à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta” (vv. 15).

Esse sinal-evento, visível, relaciona-se primeiramente com a profanação do templo judaico daqueles dias em Jerusalém, pelo Anticristo.

O Anticristo, também chamado o homem do pecado, colocará uma imagem dele mesmo no templo de Deus, declarando ser ele mesmo Deus (2ª Ts 2.3,4; Ap 13.14,15).

“Ninguém, de maneira alguma, vos engane, porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe de se levanta contra tudo o que se chama Deus ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” (2ª Ts 2.3,4).

Será lançado um decreto ordenando a morte de todos que recusarem a adorar o governo mundial e sua imagem. Noutras palavras, muitos que resistirem ao Anticristo e permanecerem fiéis a Jesus, selarão sua fé com suas vidas.
1.      Obrigará os homens a usarem o sinal da besta.
“E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhe seja posto um sinal na mão direita ou na testa, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome” (v. 16-17).

O caos econômico, o terrorismo e a violência estão levando o mundo para uma sociedade sem dinheiro, onde instituições financeiras interligadas com os governos controlarão toda a humanidade através da tecnologia por um curto período de tempo chamado “A Grande Tribulação”.

O Anticristo terá o total controle econômico do mundo. Todo o mundo será obrigado a adorá-lo e receber um sinal na mão ou na testa, a fim de poder comprar ou vender, identificando, assim, os adeptos dessa religião mundial do Anticristo. Quem se recusar a aceitar o sinal será procurado e morto: 

“E vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder de julgar. E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa nem na sua mão; e viveram e reinaram com Cristo por mil anos” (Ap 20.4).

Esta multidão incontável pode referir-se aqueles que, então, guardaram sua fé e confessarem a Cristo como seu messias durante a grande tribulação. Note que eles serão perseguidos e mortos pelo próprio Anticristo e o falso profeta. Mas aquele que irão aceitar a marca da besta deve dizer que não terá o seu nome escrito no livro da vida e no juízo final serão condenados e lançados no lago de fogo (Ap 20.15).

Pr. Elias Ribas


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A GRANDE TRIBULAÇÃO



I.         O QUE É A GRANDE TRIBULAÇÃO

“Porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais” (Mt 24.21).

A palavra “tribulação” significa literalmente “cumprir com força”, como se faz com as uvas no lagar, ou com a cana de açúcar na moenda. A Grande Tribulação é o período de maior angústia da história humana, em que os ímpios serão obrigados a reconhecer quão terríveis é cair nas mãos do Deus vivo.
A Grande Tribulação é chamada na Bíblia como o “Dia do Senhor” o qual Deus entrará em juízo com o mundo altivo, rebelde e impenitente que não ouviram e nem obedeceram a Sua Palavra (Is 13.9-11; Ml 4.1).

Esta aflição, sem precedente na história, será universal. O castigo de Deus virá sobre os moradores da terra, conforme descrito no livro de Apocalipse, do capítulo 6 ao 19.

A palavra profética tem predito que virá uma Grande Tribulação sobre a face da terra. O próprio Jesus falou muitas vezes sobre isto (Mt 24.31; Mc 13.39). O profeta Daniel chamou aquele tempo de “um tempo de angústia” (Dn 12.1). Será um tempo como nunca houve no universo. Em Lucas 21.25-26, lemos a respeito da angústia das nações, e como os homens desmaiarão de terror. O profeta Sofonias fala sobre as densas trevas que dominarão o tempo (Sf 1.14-18).

A grande tribulação é também chamada de:

1.      Dia do Senhor                              Sf 1.14.
2.      Ira do Cordeiro                            Ap 6.16.       
3.      Ultima semana de Daniel             Dn 9.24-27.
4.      Tempo de angústia de Jacó          Jr 30-7; Sf 1.15.
5.      Ira futura                                      1ª Ts 1.10; 5.9; Ap 6.16-17.
6.      Tempo de destruição                    1ª Ts 5.3.
7.      Tempo de Eclipse (escuridão)      Is 24.10-23; Am 5.18.
8.      Tempo de castigo                         Ez 20.37-38.
9.      Tempo de choro (pranto)             Am 5.16-17.
10.  Tempo de aflição                         Mt 24.21.
11.  Dilúvio de açoites                        Is 28.15-18.

II.      A GRANDE TRIBULAÇÃO TERÁ A DURAÇÃO DE SETE ANOS


A Grande Tribulação será dividida em duas fases:
1ª Fase: Será três anos e meio de falsa paz que o Anticristo trará para o mundo, neste período o mundo o receberá como grande solucionador dos problemas da humanidade e será adorado como um deus.

2ª Fase: termina a falsa paz, e nos três anos e meio que faltam para completar os 7 anos. São três anos e meio de juízos onde o Jeová irá derramar as pragas do Apocalipse sobre os homens e haverá pestilências em todo o mundo, fazendo assim o Senhor estará frustrando o reinado do Anticristo, que a Bíblia chama de Grande Tribulação.

A Grande Tribulação terá uma duração de sete anos com base nas referências de Daniel 9.27, 7.25 e Apocalipse 12.6. Então esta duração abrange a meia semana, três anos e meio, pois de acordo com Daniel 9.27, o Anticristo, o príncipe no qual Israel então terá feito uma aliança, interromperá no meio da semana o serviço do sacrifício. Daniel 12.7 diz: “...um tempo, dois tempos e metade de um tempo”. No capítulo 7.25 é indicado de forma muito concreta a duração da grande tribulação: “e os santos lhe serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e metade de um tempo”. Em Apocalipse 12.6 fala-se de mil duzentos e sessenta dias e em Apocalipse 13.5 de quarenta e dois meses. E notório que o apóstolo João o qual igualmente descreve estes três anos e meio usa as mesmas expressões de Daniel. Em Apocalipse lemos: “...um tempo, dois tempos e metade de um tempo”.

No estudo sobre as setenta semanas de Daniel, podemos verificar que a última semana que equivale o período de sete anos que ainda não se cumpriu e é exatamente a Grande Tribulação que terá uma duração de sete anos, divididos em duas partes de três anos e meio.
§  Mil duzentos e sessenta dias – Ap 11.1; 12.6.
§  Quarenta e dois meses – Ap 13.5.
§  Tempo e tempo e metade de um tempo – Ap 12.14.

A Escritura, entretanto indica toda a 70ª semana como a grande tribulação porque a primeira é preenchida pela sedução de Israel por parte do Anticristo. Eles o aceitarão como o Messias (Jo 5.43). Perfazem assim o período profético de 7 anos de Grande Tribulação. Quanto ao Anticristo, a leitura atenta dos textos que o mencionam deixamos claro tratar-se de uma personalidade real, porque ele é chamado de “homem do pecado” e “filho da perdição”, e em Daniel de “o assolador” (2ª Ts 2.3; Dn 9.27).

1.      A primeira fase da Grande Tribulação.
A primeira fase da Grande Tribulação que são três anos e meio terá os seguintes acontecimentos:

A.  Israel terá pleno domínio de Jerusalém (Dn 9.24).
B. Israel fará acordo com o Anticristo por sete anos (Dn 9.27; Jo 5.43; Is 28.15-18). 
C. Israel irá construir o templo derrubado por Roma em 70 d.C. (2ª Ts 2.4).
D. O livro com os sete selos serão abertos (Ap 5.1-14).
E.  As duas testemunhas darão as suas profecias (Ap 11.1-12).

2.      A segunda parte da Grande Tribulação.

A.  Israel é invadida pelo Anticristo (Ap 12.6).
B. O Anticristo sentará no templo exigindo adoração (2ª Ts 2.3-4; Dn 9.27. Jo 5.43; Is 28.15-18).
C.  As duas bestas (O falso profeta e o Anticristo) (Ap 13).
D. As sete pragas (Ap 15 e 16).
E.   A batalha do Amargedom (as nações contra Israel) (Zc 14.12-13; Ap 19.19).
F.  O espírito do demônio controlará os reis da terra (Ap 16.13-14).
G. Os reis do oriente marcham rumo a Israel (Ap 16.12-16).
H. Uma chuva de meteoro de até um talento que equivale a 34 quilos (Ap 16.21; Mt 24.29).
I.  As sete trombetas do juízo de Deus (Ap 8.2-12; 9.1-13; 11.15).
I.   A Volta de Cristo com Seus santos para livrar Israel (Ap 19.11-26; 1.7;
Judas 1.14; Mt 24.30-31).


III.  QUANDO TERÁ INÍCIO A GRANDE TRIBULAÇÃO

A Bíblia é clara a respeito da Grande Tribulação, que terá início:

1.      Será a última semana de Daniel.
“E ele firmará um concerto com muitos por uma semana; e na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador” (Dn 9.27).

A primeira metade da semana será marcada pelo reinado absoluto do Anticristo que, fará um concerto com Israel em Jerusalém e será aceito tanto pelos judeus quanto pelos gentios. Aqueles terão como o seu messias.

A segunda metade será ocupada pela Grande Tribulação propriamente dita: “Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então, lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto aquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão” (1ª Ts 5.3).

Na primeira fase da Grande Tribulação (três anos e meio), Israel rompe a aliança com o Anticristo, o seu tratado é quebrado e interrompe o sacrifício no templo (Dn 9.27).

O Anticristo vai declarar-se deus, apoderar-se-á do templo em Jerusalém e proibirá adoração ao Senhor (2ª Ts 2.4) e assolará a Palestina.

Israel será o único país no mundo que rompera o concerto com o Anticristo, e nenhum judeu receberá a marca do Anticristo. Diante deste acontecimento, o Anticristo se preparará para reunir as nações com soldados no grande vale do Amargedom para destruir por completo Israel, mas o seu intento só acontecerá no final da Grande Tribulação (Ap 16.16). Então o Anticristo terá um prazo de três anos e meio para concretizar o seu mal intento contra os filhos de Deus (Dn 7.25).

Quando Israel romper a aliança com o Anticristo, Deus no céu abre as portas de um cataclismo mundial. Porque o Senhor enviará o seu juízo sobre a terra aos que ficarem.

O Apocalipse mostra-nos quão difíceis serão estes dias para os que estiverem aqui na terra, o Senhor derramará pragas e pestilências, um grande e terrível cálice de dor, de angústia e sofrimento sobre os homens que rejeitaram a Sua Palavra e não aceitaram a Jesus como Salvador.

2.      Será o “dia da vingança do nosso Deus” (Is 61.2).
Foi logo em Is 61.1-2 que Jesus leu, no dia que entrou na sinagoga da Sua cidade (Nazaré), e foi-lhe dado o livro, pois quando abriu a Escritura achou esta passagem. Ele leu, mas quando chegou a palavra “o dia da vingança”, cerrou o livro e entregou-o ao sacerdote (Lc 4.16-20). Por que Jesus parou a leitura no meio do versículo? Sim, porque naquele tempo Ele não tinha por missão executar a vingança, mas em salvar. Porém na Grande Tribulação chegará “o dia da vingança”, quando Deus afasta-se da humanidade, e entrega os homens à operação do erro, para que creiam na mentira, pois não receberam o amor da verdade para salvarem-se (2ª Ts 2.10-11).

IV.  OBJETIVOS DE DEUS NA GRANDE TRIBULAÇÃO

A Grande Tribulação será deflagrada, visando a aplicação dos juízos divinos sobre a terra e a reconciliação de Israel com o seu verdadeiro Messias. Ela também possui como objetivos:

1.      Repreender, castigar e educar Israel com vara de Juízo, preparando os Judeus para enfim aceitarem a Jesus Cristo como o Messias prometido (Ezequiel 20.37; Dt 4.30; Mt 23.37-39).
2.       Separar os judeus fiéis a Deus (Zc 13.8-9; Ap 14.1-3).
3.       Castigar os ímpios que rejeitaram o maior presente de Deus que é o amor de Cristo, e não se converteram dos seus pecados, pois recusaram a luz de Cristo para viver em trevas (2ª Ts 2.11-12) e preferiram crer nas trevas e na mentira do diabo.
4.       Trazer aflição e angústia porque rejeitaram a Jesus como salvador da humanidade.
5.       Derramar a ira de Deus (Ap 6.16-17; 2ª Ts 1.7-9).
6.       Destruir o império do Anticristo (Ap 16.10).
7.       Desestabilizar o atual sistema mundial (Dn 2.34-35).
8.       Implantar o reino de Nosso Senhor Jesus Cristo (Dn 2.44).

V.     A IGREJA E A GRANDE TRIBULAÇÃO

O Pré-Tribulacionismo. Ensina que o arrebatamento da igreja (tanto os santos vivos quanto os mortos) ocorrerá antes do período de sete anos da tribulação, ou seja, antes do início da 70º semana de Daniel 9.24-27. É necessário dizer “antes do período de sete anos de tribulação” (RYRIE 2004, p. 563).

O Mesotribulacionismo. A visão do arrebatamento mesotribulacionista defende que o arrebatamento da igreja ocorrerá no meio dos sete anos e meio. Segundo esta visão, a tribulação é somente a segunda metade da 70º semana de Daniel. (p.579).

O Pós-Tribulacionismo. Ensina que o arrebatamento e a Segunda Vinda são facetas diferentes de um único evento, que ocorrerá no final da Grande Tribulação, quando Cristo voltar. A Igreja estará na Terra durante a tribulação para experimentar os eventos desse período. (p. 582).

VI.             A IGREJA PASSARÁ PELA GRANDE TRIBULAÇÃO?

Segundo a interpretação da escola pré-tribulacionista a Igreja será arrebatada antes da Grande Tribulação e concordo com está linha de pensamento.

“Eles gritavam às montanhas e às rochas: "Caiam sobre nós e escondam-nos da face daquele que está assentado no trono e da ira do Cordeiro! Pois chegou o grande dia da ira deles; e quem poderá suportar?” (Ap 6.16-17).

Alguns crêem que a Igreja do Senhor enfrentará aqui a Grande Tribulação, e que, quando Jesus vier, virá num ato único para ela, para Israel e para as nações rebeladas contra Deus. Ensinam ainda que a trombeta de 1ª Coríntios 15.52 e 1ª Tessalonicenses 4.16, ligada ao arrebatamento da Igreja, é equivalente à sétima trombeta de Apocalipse 11.15-19, que dá início aos últimos juízos da Grande Tribulação.

O Apocalipse mostra que a Igreja não estará na Terra durante a Grande Tribulação A igreja não é vista na Terra nos capítulos 4 a 18 do Apocalipse.

Israel será a testemunha de Deus durante a Grande Tribulação e não a Igreja. (Apocalipse 7).
As orações dos santos em Apocalipse 8 são de julgamento. Somente Israel faz orações deste tipo. A Igreja é ensinada a orar pelos seus inimigos e não contra eles (Lc 9.51-56). As orações do Apocalipse são as orações dos Salmos, embasadas nas promessas feitas a Abraão, de amaldiçoar os que amaldiçoassem Israel (Gn 12.1-3).

A Bíblia fala sobre dois eventos distintos: a remoção dos crentes antes da grande tribulação (arrebatamento) e a segunda vinda de Cristo. O primeiro ocorrerá no começo e o segundo no fim da septuagésima semana de Daniel. Primeiro, Cristo virá para os seus santos para levá-los para o céu; de outra forma jamais poderia vir com os seus santos do céu para socorrer a Israel na Batalha do Armagedom. O arrebatamento acontecerá quando menos esperado.

A segunda vinda acontece apenas depois de todos os sinais terem sido dados e todos souberem que Cristo está prestes a voltar em glória e poder. O arrebatamento ocorre em meio a paz (1ª Ts 5.3); a segunda vinda em meio a guerra (Ap 19.11-21). É simplesmente impossível colocar no mesmo referencial de tempo e num único evento as afirmações mutuamente exclusivas que o Novo Testamento faz sobre o arrebatamento e a segunda vinda (Mt 24.29-44).

As diferenças e os contrastes das duas fases da vinda de Jesus são tanto na Escritura, que se houvesse uma só fase, tudo seria uma grande contradição. Vejamos, a seguir, as evidências de que Jesus arrebatará para si a Igreja, antes da sua revelação em glória às nações. Citaremos algumas referências bíblicas para contrastá-las, a primeira sobre o arrebatamento, e a segunda sobre a revelação de Jesus.

Is 57.1: “Perece o justo, e não há quem se impressione com isso; e os homens piedosos são arrebatados sem que alguém considere nesse fato; pois o justo é levado antes que venha o mal”.

Na primeira fase o mundo não o verá. 1ª Coríntios 15.52: “Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados”.
Mateus 24.30: “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória”.

 Na primeira passagem, Jesus vem num momento, e levará os seus para o Céu. Isto é, num abrir e fechar de olhos, num milésimo de segundo. Na segunda passagem, Jesus, ao voltar será visto por todos os povos da terra: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém” (Ap 1.7).

Esta fase da sua vinda será precedida do “sinal” do Filho do homem, como está bem claro nesta segunda referência. Será, portanto, algo lento e diferente do primeiro caso.

João 14.3: “E quando eu for, e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também”.
Colossenses 3.4: “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele, em glória”.

Em João 14.3 Jesus promete vir buscar o seu povo que está aqui na terra. Então, aqui Ele vem para os seus. Em Colossenses 3.4 a Palavra nos declara que quando Ele vier, nós viremos com Ele. Então, aqui Ele vem com os seus. Para Jesus vir com os seus, Ele primeiro os levará para si. (Quanto a Colossenses 3.4 – Jesus vindo com os seus – ler também Zacarias 14.4,5 e Judas v.14).

1ª Tessalonicenses 4.17: “Depois nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor”.
Zacarias 14.4: “Naquele dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; o monte das Oliveiras será fendido pelo meio...”.

Em 1 Tessalonicenses 4.17, Jesus vem até as nuvens, para levar os seus; dos ares Ele os levará. Em Zacarias 14.4 o Senhor vem e pisará a terra, a saber, o monte das Oliveiras e de modo ostensivo. E trata-se aí da vinda do Senhor (Zc 14.5b). Logo trata-se aí de dois casos diferentes.

Em Hebreus 9.27-28 lemos que Jesus virá sem pecado, isto é, não para tratar do problema do pecado. Ele virá para os que o aguardam para a salvação. Em Mateus 25.31-46, vemos Jesus vindo para julgar e castigar os pecados daqueles que tiveram prazer somente em pecar. Logo, estas duas referências tratam de dois casos diferentes.

Apocalipse 19.7, 8 e Apocalipse 19.11-14. Na primeira referência temos a Igreja reunida a Cristo nas bodas do Cordeiro no céu (Ap 19.1) e na segunda referência Ele vem para julgar as nações.

1ª Coríntios 15.51. “Eis que vos digo um mistério: Nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos”. A fase da vinda de Jesus aqui abordada é um “mistério”. O arrebatamento da Igreja não foi revelado aos escritores do Antigo Testamento. Os escritores do Novo Testamento tiveram a revelação do evento, mas não dos seus detalhes. Já a volta de Cristo à Terra é um evento detalhadamente descrito em grande parte do Antigo Testamento. É o chamado “Dia do Senhor Jeová”, tão mencionado nos profetas. O dia em que Ele virá à terra para julgar as nações.

Tito 2.13. Aqui temos num só versículo as duas fases da segunda vinda de Jesus. Paulo primeiramente fala dos salvos como “aguardando a bendita esperança”, mas a seguir fala também da “manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus”. A “bendita esperança” é sem dúvida alguma alusão ao arrebatamento da Igreja; a “manifestação da glória” é uma alusão à manifestação pessoal de Cristo.

Torna-se pois bem claro, à vista da Palavra de Deus, que há dois aspectos distintos da segunda vinda de Jesus.

Vejamos alguns fatos que ocorreram livramento antes da tribulação:
§  Enoque foi levado ao céu antes do Dilúvio; a Bíblia diz na carta de Hebreus para não ver a morte (Hb 11.5).
§  Elias foi levado ao céu antes do aparecimento das duas ursas que mataram os 42 rapazes (2ª Reis 2.1, 23, 24).
§  Ló foi tirado de Sodoma antes da destruição (Gênesis 19).
§  Deus não destinou a Igreja para a ira (1ª Ts 5.9).
§  João foi arrebatado ao céu logo após o relato da última carta à igreja de Laodicéia (Ap 4.1-2).
§  Se orarmos e vigiarmos escaparemos das coisas que sucederão (Lc 21.36).
§  Versículos bíblicos que nos mostram o grande livramento que o Senhor nos dará:
(Salmos 32.7; Salmos 27.5- 6; Salmos 33.19; Pv 11.8; Ec 8.5; Isaías 65.13 e 1ª Ts. 1.10).

VII.        A IGREJA E O DIA DO SENHOR

1. O Dia de Cristo. O “Dia de Cristo” foi revelado somente no Novo Testamento e aplica-se unicamente à Igreja de Jesus. Por isto, ele está relacionado quase sempre com bênçãos, com promessas e com a esperança da glória de Cristo. Ele diz respeito ao retorno dos crentes renascidos para o reino do Pai (a casa do Pai), mas também ao tribunal de Cristo que vai acontecer nesta ocasião.
O arrebatamento da Igreja marca o início do chamado “dia de Cristo” (1ª Co 1.8; Fl 1.6). Este “dia” é relacionado com a Igreja, e vai do arrebatamento da Igreja à revelação de Cristo em Glória. Em 2ª Ts 2.2, a tradução correta é “dia do SENHOR”, (com maiúscula, significando “Jeová” conforme o estabelecido pelos editores da Bíblia, internacionalmente). A expressão “dia do Senhor” abrange o mesmo período da vinda de Jesus com relação às nações gentílicas e Israel. Tem a ver com julgamento. A Igreja não está esperando o “dia do Senhor”, mas o “dia de Cristo”.

2. O “Dia do Senhor”. O dia do Senhor, pelo contrário, não é uma nova revelação, mas já era conhecido no Antigo Testamento. Este “dia” tem a ver com o justo juízo de Deus que cairá sobre o mundo incrédulo e castigará a rebelião contra Ele. Neste dia igualmente acontecerá o juízo sobre o povo de Israel e seu restabelecimento espiritual. Trata-se da intervenção evidente e visível de Deus nos acontecimentos deste mundo.

Este dia é o dia da Grande Tribulação e começa depois do “Dia de Cristo”, ou seja, depois do arrebatamento. Ele resultará, finalmente, na vinda de Jesus em poder e glória juntamente com os Seus santos. Por isto ele também é chamado de “as dores” ou “dores de parto” (1ª Ts 5.3). Em sua abrangência mais ampla, o “Dia do Senhor” refere-se ao estabelecimento do reino de Jesus (Milênio) e conduz à derradeira destruição do antigo céu e da antiga Terra. Também a este respeito seguem alguns exemplos:

“Porque o Dia do Senhor dos Exércitos será contra todo soberbo e altivo e contra todo aquele que se exalta, para que seja abatido. Então, os homens se meterão nas cavernas das rochas e nos buracos da terra, ante o terror do Senhor e a glória da sua majestade, quando ele se levantar para espantar a terra” (Is 2.12 e 19; compare Ap 6.15-17).

“Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor” (At 2.19-20).

Outras passagens bíblicas sobre o “Dia do Senhor” são encontradas em Joel 1.15; 2.1-2; Ezequiel 30.3; Sofonias 1.14; Zacarias 14.4-5 e 8; 1ª Tessalonicenses 5.1-5; 2ª Pedro 1.16; 3.10 e Judas 14-15.

3. O Dia de Deus. O “Dia de Deus” é após todos os acontecimentos apocalípticos, ou seja, após o julgamento do grande trono branco. Será dia em que o próprio Deus triunfará definitivamente; depois que todo o mal tiver sido afastado e tudo estiver implantado na nova situação eterna e permanente, quando Deus será tudo em todos.

“Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente exclui aquele que tudo lhe subordinou. Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos” (1ª Co 15.25-28). Nesse contexto a Palavra diz aos crentes: "...esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão. Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça" (2 Pe 3.12-13).

VIII.     QUAL A DIFERENÇA ENTRE TRIBULAÇÃO E GRANDE TRIBULAÇÃO?

A palavra tribulação significa: aflição, amargura, adversidade, trabalho, ou seja, são aqueles problemas que todo o mundo tem, é muito comum em alguém “Eu estou atribulado”, “estou passando por uma tribulação”, porém isto não passa de momentos maus que acontecem na vida de cada ser humano. Quem nunca passou por problemas na família, na escola, no trabalho, financeiro, no ministério da igreja, etc. Jesus ensinou no Seu evangelho que passaríamos por aflições (Jo 16.33).
A Bíblia diz que a Igreja aqui neste mundo passará por aflições, provas, tribulações. São adversidades que enfrentamos contra o inimigo de nossas almas (Satanás). Pois estas adversidades são formas que Deus usa para corrigir o seu povo nesta terra. O apóstolo Paulo fala da tribulação do tempo presente (Rm 8.18), isto porque refere-se aos momentos difíceis do dia-a-dia. Paulo é bem claro para ninguém confundir tribulação com Grande Tribulação.

Porque Cristo iria castigar a Sua Noiva? È uma pergunta que não tem resposta na Bíblia.

Isto tudo são tribulações, porém nada comparado com a GRANDE TRIBULAÇÃO, que será um período onde a ira (juízos) de Deus serão derramados sobre a terra o qual nunca houve antes, e nem haverá em outro tempo (Mt 24.31). Esta Grande Tribulação virá sobre os moradores da terra que ficarem após o arrebatamento da Igreja.

IX.  A IRA DO CORDEIRO

A ira (gr. orge), é uma expressão da justiça. É a indignação pessoal de Deus e Sua reação imutável diante de todo o pecado (Ez 7.8-9; Ef 5.6; Ap 19.15) causada pelo comportamento iníquo do ser humano (Êx 4.14; Nm 12.1-9; 2º Sm 6.6-7), e pela apostasia e infidelidade do povo (Nm 25.3; 32;10-13; Dt 29.24-28).

“E disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?” (Ap 6.16-17).

A ira do Cordeiro descrito neste capítulo do verso 6 ao 19, é uma manifestação da vingança divina contra os transgressores da Sua Palavra e para quem não há manifestação da Sua misericórdia (Dt 32.39-43; Ex 22.23-24).

Muitos destacam o amor á Deus e esquecem que Ele também é justiça. E nesta justiça, está a Sua ira contra o pecado (Rm 1.18, 3.5-6; 9.22). A ira de Deus foi pronunciada pela primeira vez no Éden e manifestar-se-á em plenitude com a vinda de Cristo (Ap 6.16-17).

A ira aqui se refere aos juízos que virão para aqueles que nunca acreditaram, creram na obra redentora de Cristo através de Sua morte no Calvário e não se arrependeram de seus pecados.

Na primeira carta aos tessalonicenses nos é mostrado claramente que o consolo da Igreja consiste do fato que o arrebatamento nos livrará do dia da ira de Deus (do “Dia do Senhor”): “...e para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura” (1ª Ts 1.10).

William McDonald diz: Aquele por quem esperamos é Jesus, “que nos livra da ira vindoura”. Esta descrição de nosso Senhor que voltará pode ser entendida de duas maneiras:

1. Ele nos livra do castigo eterno que merecemos pelos nossos pecados. Na cruz Ele suportou a ira de Deus por nossos pecados. Pela fé em Jesus, o valor da Sua obra na cruz é creditado a nós. Daqui por diante não há mais condenação para nós, por estarmos em Cristo (Rm 8.1).

2. Ele nos livra igualmente da era de juízo que virá sobre esta terra, quando a “ira” de Deus será derramada sobre um mundo que rejeitou Seu Filho. Este tempo é conhecido como “a Grande Tribulação”, ou também o tempo da “angústia de Jacó” (Dn 9.27; Mt 24.4-28; 1ª Ts 5.1-11; 2ª Ts 2.1-12; Ap 6.1-17 e 10).

Esta “ira de Deus” começará na Grande Tribulação, como se vê claramente em Apocalipse 6.15-17. Também em 1ª Tessalonicenses 5 é nitidamente do “Dia do Senhor” que o texto fala, dia que virá como ladrão de noite (vvs. 2-3). Mas neste contexto de juízo e castigo é dito a Igreja que ela será poupada deste dia:

“Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse Dia como ladrão vos apanhe de surpresa; porquanto vós todos sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite, nem das trevas. Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo” (1ª Ts 5.4-5 e 9).

A Bíblia Viva diz no versículo 9:”Porque Deus não nos escolheu para derramar sua ira sobre nós, mas para nos salvar por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”.

Portanto, em resumo, podemos dizer: sempre que o Espírito Santo nos recorda o tema do arrebatamento, somos lembrados de todo o consolo do Evangelho de Jesus, da esperança da nossa vocação.

Os tessalonicenses foram bem instruídos sobre este assunto. Por isto eles ficaram tão preocupados quando repentinamente surgiram rumores de que “o Dia do Senhor” (a Grande Tribulação) já havia chegado. Pois estaria acontecendo justamente o contrário do que eles haviam ouvido do apóstolo. Eles logo se preocuparam, ficaram com medo, abalados, surpresos, tristes e começaram a vacilar. Por quê? Porque haviam abandonado a palavra da graça. A Bíblia é nosso parâmetro, por isto devemos confiar no que ela está escrito!

“Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça” (Rm 1.18).

Ira de Deus nestes versículos refere-se ao ódio de Deus contra o pecado, a imoralidade e a iniquidade impenitente, a idolatria. Embora muitos “líderes” ensinam que a Noiva de Cristo ficara na Grande Tribulação. Mas, os que estivem esperando Seu Noivo subirão com Ele. Amem!

A esperança de Paulo deve ser de cada cristão: “Porque de vós repercutiu a palavra do Senhor não só na Macedônia e Acaia, mas também por toda parte divulgou-se a vossa fé para com Deus, a tal ponto de não termos necessidade de acrescentar coisa alguma; pois eles mesmos, no tocante a nós, proclamam que repercussão teve o nosso ingresso no vosso meio, e como, deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro e esperar dos céus a seu Filho, quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura” (1ª Ts 1.8-10).

Aqui o apóstolo Paulo está revelando o quadro horrível dos desobedientes à vinda de Jesus. Paulo fala aqui do “dia do SENHOR”, dia de ira, de vingança, quando Ele manifestar-se-á como fogo flamejante, contra os impenitentes, que recusaram o Evangelho do Senhor Jesus. Ora, aqui, aos ímpios serão infligidos castigados por sua rebeldia, e, é evidente, não há lugar neste contexto para a presença da Igreja, redimida pelo sangue de Cristo e fruto do amor de Deus.

Os fiéis da Igreja de Cristo não estão destinados à ira de Deus (1ª Ts 5.9). Deus prova Seu amor inefável para com Sua Noiva: “Mas Deus prova o seu amor para conosco que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, sendo justificado pelo seu sangue, seremos salvos da ira. Porque, se nós quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos agora, a reconciliação” (Rm 5.8-11).

Se Deus mandou o Seu Filho para morrer por nós quando éramos inimigos, quanto mais agora que somos seus filhos. O livramento da ira futura é a prova do seu grande amor por nós.

“Salvos da ira”: aponta para o julgamento de Deus no fim. No verso 10 Paulo diz que quando Cristo morreu, a nossa dívida foi paga. Quando aceitamos a Cristo, pela fé nós nos aproximamos da salvação. A morte de Jesus nos isentou da condenação e da ira futura.

O Senhor Deus já havia falado através do profeta Isaías que seu povo não entraria em juízo: “Os teus mortos viverão, os teus mortos ressuscitarão; despertai e exultai, vós que habitais no pó, porque o teu orvalho, ó Deus, será como orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos. Vai, pois, povo meu, entra nos teus quartos e fecha a porta sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a ira” (Is. 26.19-20).

Ele nos livra do castigo eterno que merecemos pelos nossos pecados. Na cruz Ele suportou a ira de Deus por nossos pecados. Pela fé em Jesus, o valor da Sua obra na cruz é creditado a nós. Daqui por diante não há mais condenação para nós, por estarmos em Cristo (Rm 8.1).

Jesus (O Noivo) tem preparado um lugar especial para Sua noiva, por isto profetizou Isaías: “Os teus mortos ressuscitarão” refere-se ao arrebatamento da Igreja que após este evento entrará nas mansões celeste para receber seus galardões: “entra nos teus quartos e fecha a porta sobre ti”. E Deus é claro quando diz: “até que passe a ira”.

Os crentes em Jesus não precisam temer porque Deus enviará o seu Filho, o Noivo para buscar a Sua Igreja (a Noiva) antes da ira futura, a Grande Tribulação. Que Ele venha em breve.

Amaste a justiça e aborreceste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus te ungiu, com óleo de alegria mais do que a teus companheiros (Hb 1.9). Os que amam a justiça serão recompensados, e o nosso misericordioso Pai não irá deixar-nos passar pela tristeza, isto é, pela Grande Tribulação, Ele nos ungiu com o óleo da alegria. Amém.

X.     QUEM PASSARÁ PELA GRANDE TRIBULAÇÃO

Há dois grupos distintos que passarão pela Grande Tribulação:

1.      A Grande Tribulação será para os judeus que não aceitarão a Cristo.
O Julgamento de Israel dar-se-á após o arrebatamento da Igreja de Cristo. Israel será julgado, repreendido pelo Senhor por ter rejeitado a Jesus como Messias e Salvador.

Este julgamento o Senhor chama de angustia de Jacó:

“E estas são as palavras que disse o SENHOR acerca de Israel e de Judá. Assim diz o SENHOR: Ouvimos uma voz de tremor, de temor, mas não de paz. Perguntai, pois, e vede se um homem tem dores de parto. Por que, pois, vejo a cada homem com as mãos sobre os ombros, como a que está dando à luz? E por que se tem tornado macilentos todos os rostos? Ah! Porque aquele dia tão grande, que não houve outro semelhante! E é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela. Porque será naquele dia, diz o SENHOR dos Exércitos, que Eu quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço e quebrarei as tuas ataduras; e nunca mais se servirão dele os estranhos. Mas servirão ao SENHOR, Seu Deus, como também a Davi, seu rei, que lhes levantarei”(Jr 30.4-9).

Nesta passagem o profeta Jeremias fala de um tempo ainda futuro quando grande angústia ou tribulação virá sobre todo o Israel, que é simbolicamente denominado de “Jacó”. É melhor interpretar este tempo de angústia como algo que ainda é futuro para Israel - um tempo conhecido como a septuagésima semana de Daniel ou a Tribulação. O expositor bíblico e estudioso de profecia Dr. Charles H. Dyer escreve sobre essa passagem e seu significado:

A que “tempo de angústia” Jeremias está se referindo? Alguns acham que ele está indicando a derrota de Judá pela Babilônia ou a derrota posterior da Babilônia pela Medo-Pérsia. Mas, em ambos estes períodos o Reino do Norte, Israel, não foi afetado. Ele já tinha sido levado ao cativeiro em 722 a.C. Uma solução melhor é que Jeremias está referindo-se a um período de tribulação futuro quando o remanescente de Israel e Judá sofrerá uma perseguição incomparável (Dn 9.27; 12.1; Mt 24.15-22). O período terminará quando Cristo aparecer para resgatar os Seus eleitos (Rm 11.26) e estabelecer Seu reino (Mt 24.30-31; 25.31-46; Ap 19.11-21; 20.4-6).

Portanto, o tempo de angústia para Jacó enfatiza o aspecto da Tribulação futura que expressa a dificuldade pela qual os judeus ou descendentes de Jacó passarão durante este período.

A nação de Israel goza duma relação especial com Deus em razão do pacto com eles, por Ele ter escolhido esta nação como testemunho entre as nações da terra (Is 43.10; Rm 3.1-2).


No plano de Deus ficou estabelecido que dela viriam a salvação e as bênçãos pelo fato de que o Messias procederia de Israel. Por causa desta relação pactual Deus os chama “meus filhos”, e trata-os com castigo quando lhe desobedecem (Is 43.6).

A grande maioria dos judeus permanece até hoje incrédula e apóstata. Rejeitaram a Deus e nos dias de Samuel pediram um rei como tinha as demais nações. Quando o Messias dele, e libertador da humanidade chegou, eles disseram: “Fora com ele, não O queremos para mandar em nós”.

Mesmo depois de ter contemplado a obra redentora e estar aberta à porta da salvação para eles, recusaram a convicção do Espírito Santo, recusaram seus mensageiros e apedrejaram seus discípulos.
Israel já tem passado por muitas repreensões de Deus, mas passará ainda por um grande desapontamento, ou seja, um julgamento tão severo qual ainda não passou, por isto, o Senhor diz: “E é tempo de angústia para Jacó”.

Serão enganados pelo Anticristo e sofrerão os horrores do tempo da “Angustia de Jacó”. O período da Grande Tribulação será o tempo de angústia para Israel, onde Deus enviará os seus juízos para os desobedientes.

“No momento que seriam esmagados pelas nações do mundo, no fim deste período, passarão debaixo do cajado de Deus” (Ez 20.37), que simboliza uma aproximação de Deus. Na grande Tribulação, após sofrerem, os justos clamarão o nome do Senhor, em profundo arrependimento. Os rebeldes serão destruídos e o remanescente fiel entre eles tornar-se-á o único núcleo de um Israel renovado espiritualmente, então dirão a Deus: “Mas agora, o Senhor, Tu és nosso Pai; nós o barro, e Tu o nosso Oleiro; e todos nós obra de suas mãos” (Js 64.8); (Zc 12.10; 13.1).

O Renovo de Davi: “Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; sendo rei, reinará, e prosperará e praticará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias, Judá será salvo, e Israel habitará seguro; e este será o nome com que o nomearão: O SENHOR, Justiça Nossa. Portanto, eis que vêm dias diz o SENHOR, em que nunca mais dirão: Vive o SENHOR que fez subir os filhos de Israel da terra do Egito. Mas, Vive o SENHOR que fez subir e que trouxe a geração da casa de Israel da terra do Norte e de todas as terras para onde os tinha arrojado. E habitarão na sua terra” (Jr 23.5-8).

Será nesta hora que a nação, em sua totalidade, reconhecerá Jesus como seu Messias, sendo por Ele convertido. “Quem jamais ouviu tal cousa? Quem viu cousas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra num só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas Sião esteve de parto e já deu à luz seus filhos” (Is 66.8).

No final da Grande Tribulação quando Israel estiver cercado pelo Anticristo então virá o Senhor em glória e irão dizer: “E se alguém lhe disser: Que feridas são essas nas tuas mãos? Dirá Ele: São as feridas com que fui ferido em casa dos meus amigos” (Zc 13.6).

2.      Os gentios.
“Depois destas coisas, olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas mãos” (Ap 7.9, 13, 14).

A grande tribulação é um tempo de julgamento divino sobre um mundo ímpio que rejeitou a Cristo, mas também um tempo de ira e perseguição satânica contra os que recebem a Cristo e a sua Palavra.

“E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são e de onde vieram. E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram de grande tribulação, lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro” (Ap 7.13-14).

“E um dos anciãos...” Os vinte quatro anciãos visto pelo apóstolo João Apocalipse 4.4, representam os remidos, que foram levados ao Tribunal de Cristo e coroados logo após o arrebatamento. Portanto a Grande Tribulação dará inicio logo após o arrebatamento.

Mas um dos anciãos pergunta a João: “Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são e de onde vieram...”. Estes são os que vieram de grande tribulação..., ou seja, os “mortos por amor da palavra de Deus” são os que foram martirizados por sua fé em Cristo e pela verdade da sua Palavra.

Será baixado um decreto ordenando a morte de todos que se recusarem a adorar o governante mundial e sua imagem. Noutras palavras, muitos que resistirem ao anticristo e permanecerem fiéis a Jesus, selarão sua fé com suas vidas (Ap 6.9; 14.12,13; 17.9-17).

XI.   HAVERÁ SALVAÇÃO DURANTE A GRANDE TRIBULAÇÃO?

Quando se estuda a Grande Tribulação, a pergunta é inevitável: “haverá salvação neste período?” É claro que sim. O livro de Apocalipse mostra dois grupos distintos de salvos: os israelitas e os gentios: “Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Ap 7.4-14). Outras passagens que evidenciam a salvação durante a tribulação (Ap 6.9; 12.17; 7.9-11; 15.2; 20.4).

Isto significa que, apesar da oposição do Anticristo, a Bíblia continuará a ser divulgada em escala mundial. Enganam-se aqueles que afirmam que após o arrebatamento da Igreja, as Escrituras perderão sua inspiração sobrenatural e única. Tal ensinamento não conta com qualquer respaldo bíblico. Afirma o profeta Isaías: “seca-se a erva, e caem as flores, mas a palavra de Deus subsiste eternamente” (Is 40.8).

Precisamos entender que a salvação é pela graça. A graça é manifestada a todos os homens que se arrependem de seus pecados. Na Velha Aliança, o povo era salvo pela fé no Redentor Prometido. Na Nova Aliança, somos salvos pela fé no sacrifício de Jesus no Calvário. Porém, na grande tribulação o povo será salvo por guardar a fé. Isto é também salvação pela graça (At 15.11; Ef 1.4; 1ª Pe 1.19-20).
Eles também tinham o Evangelho (Gl 3.8; Hb 4.2). Em Ap 14.1-5 vemos uma multidão de judeus salvos da terra na grande tribulação. Em Ap 6.9 e 7.9-11 vemos uma multidão de gentios salvos no céu, porém saídos da terra, após sofrerem martírio.


 Pr. Elias Ribas