TEOLOGIA EM FOCO

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

AS SETENTA SEMANAS DE DANIEL

Enquanto a Igreja de Cristo estiver nos céus, participando do Tribunal de Cristo, de Suas mãos, recebendo os galardões a que fizeram jus aos trabalhos que realizaram em prol do Reino de Deus, estará a terra vivendo a Septuagésima Semana de Daniel que, profeticamente, terá a duração de sete anos.

Para se fazer um estudo completo da Escatologia, ou qualquer outro assunto que fale sobre o fim (Dn 8.17) é necessário estudar as setenta semanas de Daniel, pois esta é uma profecia indispensável à Escatologia.

I.  O QUE QUER DIZER AS SETENTA SEMANAS

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo...” (Dn 9.24).

Esta profecia de Daniel a respeito de Israel e da cidade santa (Jerusalém) é fundamental para os últimos tempos. Nesta profecia, cada dia da semana significa um ano, e assim, a palavra traduzida por “semanas” significa, aqui, uma unidade numérica de sete anos, conforme Levítico 25.8 uma semana tem sete anos. A contagem das “setenta semanas” compreendem, portanto, a um período de 490 anos: 70 x 7 = 490.

O termo original traduzido por “semana” em Daniel 9.27 é literalmente “setenário”, isto é, sete anos.

II.   QUANDO COMEÇARÁ AS SETENTA SEMANAS?

“Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as ruas e as tranqueiras se reedificarão, mas em tempos angustiosos” (Dn 9.25).

Deus revelou a Daniel que sessenta e duas e mais sete, que seriam sessenta e nove períodos de sete anos, somando portanto 483 anos, transcorreram entre a data da ordem para reconstruir Jerusalém e a vinda do Messias, o Ungido.

As três divisões das setenta semanas.

  1. 07 Semanas                  Dn 9.25                         49 anos
  2. 62 Semanas                  Daniel 9.25                   434 anos
  3. 01 Semana                    Daniel 9.26                   7 anos.

1.  A Primeira Divisão – Sete Semanas


De acordo com Dn 9.25, Jerusalém seria edificada e restaurada da destruição que o império Babilônico causou a santa cidade (Dn 1.1; 2ª Rs 24.1), esta ordem foi dada pelo Rei Ataxerxes (Ne 2.1-8) a Neemias aproximadamente no ano 445 a.C. Um minucioso exame no registro da história mostra que 445 a.C. foi a data deste decreto e nesta mesma data o início da contagem da primeira divisão, e terminou aproximadamente no ano 397 a.C., o que é relativo a 49 anos (7 semanas), onde a santa cidade estava totalmente reconstruída em tempos angustiosos sob a liderança de Neemias. Esta palavra cumpriu literalmente no período previsto (ref. Ed 1.1; Ed 4.11-24).

2.      A Segunda Divisão – Sessenta e Duas Semanas.

Têm-se calculado 483 anos após o decreto da reedificação do templo à vinda do “Ungido” (v. 25). A segunda divisão tem início aproximadamente no ano 397 a.C. e vai até os dias dos apóstolos de Cristo (Messias), neste período o Cristo iria nascer, morrer, e logo após Jerusalém seria invadida e destruída pelo Império Romano, neste caso, os 483 anos referentes as sessenta e nove semanas terminaram em 27 d.C. que foi aproximadamente o ano em que Jesus começou seu ministério na terra:

“E, depois das sessenta e duas semanas, será tirado o Messias e não será mais; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas assolações” (Dn 9.26).

Depois das “sete semanas” (v. 25) e mais “sessenta e duas semanas”, um total de sessenta e nove semanas (483), duas coisas aconteceram.

A. O Messias seria “tirado” (crucificado) (ref. Is 53.8). Jesus foi rejeitado pelos judeus, condenado e morte na cruz. O povo presente à condenação de Cristo clamou: “O sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos (Mt 27.25).

Israel era o povo especial de Deus, representante do Senhor no mundo, e fazia parte, como os ramos naturais, da boa Oliveira (Rm 11.24). Porém, os judeus rejeitaram Jesus (Jo 1.11). Por isso, foram quebrados da Oliveira, isto é, foram rejeitados pelo Criador (Jr 11.16; Rm 11.19-20), e no seu lugar, foi enxertado a Igreja (Rm 11.17-19). Iniciou-se então, a dispensação da graça, formada por aqueles que o Todo poderoso purificou para si, a fim de serem Seu povo especial, zeloso de boas obras (Tt 2.14). Nós (Igreja) somos agora: “...raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia” (1ª Pe 2.9-10).

B. O povo do príncipe, que há de vir, destruiria Jerusalém e o templo. O “povo” refere-se ao exército romano, que destruiu Jerusalém em 70 d.C. O “príncipe” refere-se ao General Tito que comandou a dispersão dos judeus (Dn 9.25-26).

Note-se que a destruição de Jerusalém não ocorreu imediatamente após a crucificação de Cristo. Portanto, há um hiato de tempo entre o final das sessenta e nove semanas e o início da septuagésima semana. Os exegetas concluem que este período de tempo corresponde ao período da Igreja. Portanto, podemos notar que para septuagésima semana, falta uma, e sobre esta há grande expectativa. E esta última semana terá início logo após o arrebatamento da Igreja, que serão os sete terríveis anos da Grande Tribulação.

3.      A Terceira Divisão – Uma Semana Sete Anos.

A terceira divisão, a última das setenta semanas de Daniel é ainda futura, ainda não se cumpriu, devido o povo Judeu não estar na cidade santa (Dn 9.24). Como já foi visto na segunda divisão, os Romanos invadiram Jerusalém no ano 70 d.C e expulsaram os Judeus da cidade e os mesmos foram dispersos para muitas nações (Ez 36.19-20; Lc 21.24) e nesta data a profecia teve de ser interrompida na sua sexagésima nona semana, pois o povo judeu não se encontrava na cidade de Jerusalém, e para que esta profecia se cumpra é necessário que o povo do profeta Daniel esteja em Jerusalém. Mas, no dia 14/05/1948, os Judeus começaram a voltar para a santa cidade, neste mesmo dia cumpriu-se a profecia do profeta Isaías 66.8. Na verdade os Judeus já residem na cidade santa, porém ainda não tem o domínio total de Jerusalém, eles a dividem com os palestinos que querem ter domínio de toda Jerusalém e em troca darão a paz que os Judeus procuram. Todos os dias ouvimos falar de ataques e terrorismo no Oriente Médio, pois Satanás procura impedir que esta profecia se cumpra.

Para ter início a última semana é necessário Israel voltar e ser restabelecida como Nação. E foi nesta pergunta que os apóstolos fizeram a Cristo, “restauraras tu o reino a Israel neste tempo?” (At 1.16). Pois sabiam os apóstolos que logo após Cristo restaurar o reino de Israel o mesmo Cristo iria reinar no trono de Jerusalém e a paz estaria de vez com o povo israelita (Is 66.8-10).

Esta última semana não pode ter se cumprido em hipótese alguma, pois nesta última semana (sete anos) os Judeus irão fazer um acordo com o assolador (Anticristo), e este assolador irá ser destruído, porém isto ainda não aconteceu, Israel ainda não fez este acordo com ele (Is 28.15-18), muito menos o Anticristo manifestou-se, sendo assim podemos afirmar que esta última semana de Daniel ainda não cumpriu-se, pois a profecia permanece interrompida.

III.  PARA QUEM ESTÃO DETERMINADAS AS SETENTA SEMANAS

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo (Israel), e sobre a tua santa cidade...” (Dn 9.24).

Esta parte das Escrituras Sagradas afirma que este período de tempo irá cumprir-se sobre o povo Judeu (o teu povo) e sobre a cidade de Jerusalém (a tua cidade). Portanto esta profecia é destinada para Israel, sendo assim, lembramos ao leitor: “Não deve-se confundir Igreja com Israel”.

Na segunda Guerra Mundial, o alemão Hitler tentou exterminar o povo Judeu fazendo um holocausto de seres humanos, matando cerca de 6 milhões de judeus. Os demônios sabendo desta profecia procuraram acabar com os judeus, para que não se cumprisse a profecia do profeta Daniel, sobre a ultima semana, e o retorno de Israel. Mas, um milagre aconteceu e Deus deu vida ao povo Judeu que havia sido comparado com um vale de ossos secos (Ezequiel 37), e a nação judaica pode ter nova vida.

O assolador de Daniel 9.27 é o Anticristo, que fará um concerto com Israel por sete anos (uma semana), (Jo 5.43 e Is 28.15-18), e na metade da semana (três anos e meio) irá quebrar o concerto com os judeus.

IV.  CONDIÇÕES PARA A PROFECIA SE CUMPRIREM

Esta profecia de Daniel 9.24-27, está determinada as seguintes condições para seu fiel cumprimento:

Quando Deus rejeitou Israel, por ter desprezado o Messias, parou a contagem do tempo, uma vez que as 70 semanas estavam determinadas para os judeus. Resta, ainda, uma semana, a última. Os judeus necessitam estarem em Jerusalém (cidade Santa), e a Igreja já arrebatada.

V.   O QUE ACONTECERÁ QUANDO COMPLETAR AS SETENTA SEMANAS

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressão, e dar fim aos pecados e expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e ungir o santo dos santos” (Dn 9.24).

Neste versículo seis coisas específicas seriam realizadas em favor de Israel durante os 490 anos ou as setenta semanas.

1. A expiação da iniquidade efetuada pela morte de Jesus.
2. O fim dos pecados. Quando Israel voltar para Deus e viver em retidão (Rm 11.26).
3. A extinção da transgressão (quando Jesus vir em glória para reinar) (Ez 37.21-23).
4. Um governo de justiça eterna terá início (milênio – Ap 20.6).
5. As profecias terão seu pleno cumprimento e também seu término.
6. Jesus Cristo ungido Rei.

A última semana de Daniel terá a duração de sete anos, que será dividida em duas partes de três anos e meio (Dn 9.27; Ap 11.1-3; Ap 12.6-14; Ap 13.5).

A primeira metade da semana, cuja duração será de três anos e meio, será ocupada pelo governo do Anticristo. A segunda metade da semana, que terá a mesma duração da primeira, caracterizar-se-á pela Grande Tribulação. Por conseguinte, a Septuagésima Semana de Daniel terá, ao todo, a duração de sete anos (Dn 9.27). Logo: a volta triunfal de Cristo em glória, que fará acompanhar por Sua Igreja, ocorrerá sete anos após o arrebatamento.

Finda-se aqui as setenta semanas de Daniel. Israel reconciliar-se-á com Deus. Ter-se-á cumprido o tempo determinado por Deus, para a execução da transgressão, o fim do pecado, a expiação da iniquidade, para que venha a justiça eterna.

Com o fim das setenta semanas, a visão e a profecia estarão seladas (Dn 9.24). Jesus, então, instalará o Milênio. Israel, agora salvo, estará ao lado de Seu Messias, como a nação líder, tanto política como espiritualmente.

Pr. Elias Ribas

terça-feira, 18 de novembro de 2014

OS QUATRO ÚLTIMOS IMPÉRIOS MUNDIAIS - DANIEL CAPÍTULO 7

Continuando o capítulo 2, tem outra profecia dentro do mesmo assunto: as quatro últimas potências mundiais. No capítulo 2 estes impérios são representados por uma imagem dividida em 4 partes, que se esmiuçaram ao impacto de uma pedra cortada de um monte. No presente capítulo, estes mesmos impérios representam-se por um leão, um urso, um leopardo, e um animal anônimo terrível e espantoso. Por fim, vem o Filho do Homem, exercendo o juízo e estabelecendo o reino eterno do Altíssimo.

I.        OS TEMPOS DOS GENTIOS



Que são os tempos gentios. O texto de Lucas refere-se a um período especial no qual Jerusalém será pisada pelos gentios (Lc 21.24).

O tempo dos gentios teve seu inicio quando uma parte de Israel foi levado de sua terra para o cativeiro na Babilônia em 586 a.C. (2º Cr 36.1-21; Dn 1.1-2) e só terminará quando Cristo voltar para governar sobre todo o mundo, e assumir o trono de Davi (Lc 1.31-32).

II.     O CURSO DOS TEMPOS DOS GENTIOS

1.      O paralelo entre os capítulos 2 e 7 de Daniel.
Duas revelações paralelas no livro de Daniel nos dão a descrição completa deste período. No capítulo 2, por meio de Nabucodonosor, Deus revelou o lado político destes últimos impérios mundiais. A Daniel, neste capítulo, Deus revelou o lado moral e espiritual através de quatro bestas. A historia política havia sido mostrada a Nabucodonosor, mas a historia espiritual foi mostrada a Daniel. Notemos ainda o seguinte: No capitulo 2, as figuras representadas são tomadas da esfera inanimada, materiais como ouro, prata, bronze, ferro e barro. No capitulo 7, as figuras são representadas por seres animados, aqueles animais estranhos.

2.      O Mar agitado (Dn 7.2).
A palavra “mar” na linguagem escatológica sempre representa as nações gentílicas (Is 17.12,13). O mar agitado representa as nações inquietas (ref. Ap 17.15). A inquietação e perplexidade das nações é uma característica do fim dos tempos, isto pelas crises mundiais cada vez maiores. “Os ventos” podem ser os poderes do mal que incitam e afligem as nações. São poderes usados por Deus para agitar a humanidade. São específicos. Obedecem e cumprem fielmente sua missão, agitando geologicamente mares, rios e a terra com seus vulcões. Açoitam a terra varrendo os continentes, e também sopram brandamente sobre a terra, avisando-a de possíveis catástrofes.

Em seguida é revelado a Daniel quatro animais grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar (Dn 7.3), isto é saem do meio dos povos.

III.  O PODER DOS GENTIOS (Dn 7.3-8).

1.       O Leão com asas de águia (Dn 7.4).

Era como o leão e tinha asas de águia (Império Babilônico). O leão corresponde a cabeça de ouro da estátua do capítulo 2 (2.32, 37, 38), a Nabucodonosor, rei do Império Babilônico.

O leão é a cabeça de ouro, refere-se ao orgulho, a vaidade e a fineza da Babilônia; leão com duas asas como de águia, nos diz a respeito da força e rapidez nas suas conquistas, como revela a história do nosso mundo.

A. Breve história do Império Babilônico. O império Babilônico teve início no ano 612 a C.539 a.C.

A cidade era extravagante; luxuosa e pomposa além do que se possa imaginar; era sem rival na história do mundo. Isaías diz a respeito de Babilônia: “Babilônia, a jóia dos reinos, glória e orgulho dos caldeus” (Is 13.19). Jeremias diz que a Babilônia era a “glória de toda terra” (Jr 51.41).

Os antigos historiadores declaram que seu muro alcançava 96 km de extensão (24 km de cada lado da cidade), 90 m de altura e 25 de espessura. O muro tinha ainda 250 torres e 100 portões de cobre. Sob o rio Eufrates, que dividia Babilônia ao meio, passava um túnel. Os diversos muros da cidade e do palácio e fortalezas eram tão espessos e altos, que para qualquer tipo de guerra da Antiguidade, Babilônia era uma cidade simplesmente inconquistável.

B. O orgulho pessoal e político do rei. 
“A grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder, e para glória da minha majestade” (Dn 4.30). O homem mais orgulhoso da época se vã gloria pelos seus feitos; ao profeta Isaías diz o Senhor Deus: “E a minha glória não a darei a outro” (Is 48.11b). Devemos ter o cuidado, pois, com o costume de receber a glória que pertence só a Deus.

C. As profecias referentes à Babilônia. Veremos a seguir algumas profecias bíblicas vaticinadas pelos profetas que se cumpriram em Babilônia.

Nunca mais seria habitada. “E Babilônia, o ornamento dos reinos, a glória e a soberba dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou. Nunca mais será habitada nem reedificada de geração em geração: nem o árabe armará ali a sua tenda, nem tampouco os pastores ali farão os seus rebanhos. Mas as feras do deserto repousarão ali, e as suas casas se encherão de horríveis animais” (Is 13.19-21).

Jeremias 50.13 e 39 diz: “Por causa do furor do Senhor não será habitada, antes se tornará em total assolação: qualquer que passar por Babilônia se espantará; e assobiará vendo todas as suas pragas. 39 Por isso habitarão nela as feras do deserto, com os animais bravos das ilhas: também habitarão nela as avestruzes; e nunca mais será povoada, nem será habitada de geração em geração”. Jr 51.37 e 58 diz: “E Babilônia se tornará em montões, morada de dragões, espanto e assobio, nem um só habitante. 58 Assim diz o Senhor dos exércitos: Os largos muros da Babilônia totalmente serão derribados, e suas portas excelsas serão abrasadas pelo fogo”.

Aos olhos humanos era impossível a Babilônia ser conquistada, mas o que Deus falou por intermédio de Seus profetas cumpriu-se. Diz a história em confirmação com a Bíblia que o rio Eufrates que passava sob a Babilônia secou-se e os Medos e Persas a conquistaram.

“Cairá à seca sobre as suas águas, e secarão” (Jr 50.38). “Quem diz às profundezas: seca-te, e eu secarei os teus rios” (Is 44.27).

Jeremias profetizou 50 anos antes da queda do Império Babilônico e que seria dominado pelo rei da Média. “Alimpai as flechas, preparai perfeitamente os escudos: O Senhor despertou o espírito dos reis da Média: porque o seu intento contra Babilônia é para destruir” (Jr 51.11). Cinqüenta anos após Jeremias ter profetizado, o profeta Daniel relata no capítulo 5, a tomada da grande Babilônia.
No ano 538 a.C. o rei Belsazar, filho de Nabonido e neto de Nabucodonosor, rei da Babilônia, estava num grande banquete juntamente com mil convidados, onde bebia muito vinho e davam louvores aos seus deuses. A Bíblia diz que bebiam vinho nas taças de ouro trazidas do templo de Jerusalém quando Nabucodonosor trouxe Israel para o cativeiro Babilônico. 

Na noite da festa, Belsazar teve uma visão, viu uns dedos de mão de homem que escreviam na parede do palácio real, que dizia: Mene, Mene, Tequel, Ufarsim. Como Daniel já era conhecido pelos seus feitos no palácio, foi comunicado por intermédio da rainha, e então trouxeram o profeta Daniel para fazer a leitura da escrita. No mesmo instante que Daniel viu a escrita a interpretou dizendo: Mene: “Contou Deus o teu reino e o acabou”. Tequel: “Pesado foste na balança, e foste achado em falta”. Peres: “Dividido foi o teu reino, e deu aos medos e aos persas” (Dn 5.26-28). E mais uma vez o profeta Daniel, com a sabedoria divina, trouxe conhecida o enigma divino.

Os Persas formaram uma colisão para derrotar a Babilônia. A Média sob o comando de Dário e a Pérsia sob Ciro. Na mesma noite em que Belsazar teve a visão, os Medos e os Persas invadiram a Babilônia, mataram Belsazar e tomaram o Palácio. Assim terminou o magnífico império babilônico, (a cabeça de ouro da estátua de Dn 2.32, o leão com duas asas de Dn 7.4).

2.      O Urso destruidor (7.5).
“Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual levantou-se de um lado, tendo na boca 3 costelas entre seus dentes; e foi-lhe dito: levanta e come muita carne”.

O urso representa o segundo império mundial dos gentios, Medo-Persa. E corresponde ao peito e os braços da estátua (Dn 2.32-39). Este império teve início no ano de 539 a.C. 331 a.C.

No capítulo oito de Daniel, os Medo e Persa são representados por um carneiro com duas pontas: “Aquele carneiro que viste com duas pontas são os reis da Média e da Pérsia” (Dn 8.20).

Os dois braços da estátua, o urso e as duas pontas do carneiro correspondem as duas nações.

Em Dn 7.5 diz que “o urso levantou-se de um lado” e Dn 8.3 diz: “o carneiro tinha duas pontas e uma era mais alta do que a outra”. O lado que se levantou do urso e uma das pontas mais alta do carneiro é a Pérsia que passou a ter mais poder sobre a Média. Apesar de ser mais recente.

As três costelas na boca do urso aludem à conquista da Babilônia, Lídia e Egito pelo império. Média tornou-se proeminente. “O mais alto subiu por último”. Em 550 a.C. Ciro, o persa, rebelou-se contra os Medos, que até então detinham o poder e tornou-se cabeça dos dois reinos.

3.      O Leopardo altivo (7.6).
“Depois disto, eu continuei olhando, e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha quatro asas de ave nas suas costas: tinha também este animal quatro cabeças, e foi-lhe dado domínio”.

O leopardo representa o terceiro império: Império Grego, no período de 331a168 a.C., e corresponde ao ventre e as duas pernas de bronze da estátua no capítulo 2.

O leopardo tinha “quatro asas e quatro cabeças”. As quatro asas do leopardo, indicam mais rapidez nas conquistas do que Babilônia, pois era um exército relâmpago em suas conquistas na guerra. As quatro cabeças falam da divisão do Império Grego em 4 partes (quatro reinos). As quatro cabeças falam da quádrupla divisão do Império Grego após a morte de Alexandre.

O reino da Grécia em Dn 8.5-8 e 21 é representado por um bode peludo:

“E, estando eu observando, eis que um bode vinha do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; e aquele bode tinha uma ponta notável entre os olhos; 6 Dirigiu-se ao carneiro que tinha as duas pontas, e correu contra ele com todo o império de sua força. 7 E o vi chegar perto do carneiro, irritar-se contra ele; e feriu o carneiro, e lhe quebrou as duas pontas, pois não havia força no carneiro para parar diante dele; e o lançou por terra, e o pisou a pés; não houve quem pudesse livrar o carneiro da sua mão. 8 E o bode se engrandeceu em grande maneira; mas estando na sua maior força, aquela grande ponta foi quebrada: e subiram no seu lugar quatro também notáveis, para os quatro ventos do céu. 21 Mas o bode peludo é o rei da Grécia; e a ponta grande que tinha entre os olhos é o rei primeiro. 22 Por ter sido quebrada, levantando-se quatro em lugar dela, significa que quatro reinos se levantarão da mesma nação, mas não com a mesma força dela”.

O “chifre notável” do bode verso 5 e 21, é Alexandre, o Grande, um dos reis mais brilhantes dos tempos antigos: gênio militar e propagador da cultura grega. Em 12 anos de reinado Alexandre, o Grande, tinha o mundo a seus pés.

“Aquela grande ponta foi quebrada” (v. 8, 22) Com a morte de Alexandre o grande o império foi dividido entre seus quatro generais. Depois da morte de Alexandre, o império grego dividiu-se em 4 partes; sendo a Grécia, a Turquia, a Síria e o Egito.

Note que leopardo com quatro cabeças em Daniel 7.6, é representado por um bode peludo com quatro pontas em Daniel 8.8, 21, 22. As quatro pontas do bode e as quatro cabeças do leopardo indicam a divisão do império grego em 4 partes (4 reinos).

Com a divisão do Império Grego em quatro partes, acabou enfraquecendo o reino, e com isso, surgiu, então, o último império – o Império Romano.


4.      O animal terrível e espantoso.
“O quarto monstro que vi naquela visão era terrível, espantoso e muito forte. Tinha enormes dentes de ferro e com eles despedaçavam e devoravam as suas vítimas; o que sobrava ele esmagava com as patas. Esse monstro era diferente dos outros três e tinha dez chifres” (Dn 7.7).

O quarto animal espantosos e terrível, e com os dentes de ferro, representa o Império Romano, é um paralelo do sonho de Nabucodonossor de (Dn 2. 37-43), inclusive os dez dedos.

A.     A origem do Império Romano.
A cidade de Roma foi fundada em 753 a.C.. Seus domínios iam da Europa à Babilônia englobando o norte da África e o Oriente Médio.

O quarto animal que corresponde as duas pernas da estátua do capítulo 2. As duas pernas, corresponde as duas formas do Império, isto é, o Império Romano do Ocidente e o Império Romano do Oriente. O primeiro caiu em 476 d.C. e o segundo, em 1453. O Império do Ocidente teve início no ano 168 a.C. e durou até o ano 476 d.C.

No capítulo dois, ele descreve aparência exterior deste império; ao passo que, no capitulo sete, revela sua índole e caráter.

1.       Sua aparência exterior: “E o quarto reino será forte como ferro; pois, como ferro esmiúça e quebra tudo, como ferro quebra todas as coisas, ele esmiuçará” (Dn 2.40).

2.       Seu caráter: 
“O quarto monstro que vi naquela visão era terrível, espantoso e muito forte. Tinha enormes dentes de ferro e com eles despedaçavam e devoravam as suas vítimas; o que sobrava ele esmagava com as patas. Este monstro era diferente dos outros três e tinha dez chifres.

O quarto animal seria um rei ou um reino, como os demais animais. Este animal tinha dentes de ferro. Seria o reino da força, da ferocidade, do esmagamento, como foi o Império Romano, diferente de todos os reinos.

B.     O Império Romano na Era Escatológica.
Desejamos advertir os nossos leitores dizendo que a era escatológica já chegou. E uma de suas maiores evidências é o ressurgimento do Império Romano através do Mercado Comum Europeu.

C.    Apesar das aparências, estarão divididos.
“E, como os artelhos eram em parte de ferro e em parte de barro, assim por uma parte o reino será forte e por outra será frágil. Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão com semente humana, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro se não mistura com o barro” (Dn 2.42-43).

Houve um tempo na Europa em que os monarcas estavam sempre em guerra. Foram-se quase todos os reis, e veio a União Européia; a situação, porém nada foi alterada. Os Ingleses continuam a não aturar os franceses, que desconfiam dos alemães, que não se dão com os alemães, que não aturam os espanhóis. As rivalidades existem, entretanto estão unidos para governar o mundo através do Anticristo que aparecerá em breve.

D.    O objetivo do Novo Império Romano.
Terá o Novo Império Romano, por objetivo, sustenta o governo que Satanás, através da Besta e do Falso Profeta irão implantar no mundo logo após o arrebatamento da Igreja. De acordo com Apocalipse 13, o domínio do Anticristo abrangerá tanto a economia e a política como a religião. Todavia, este reino não subsistirá; Cristo fará dele um monturro.

E.     A formação do Novo Império Romano.
Tanto Daniel com João mostram o Novo Império Romano constituído a partir de dez unidades:

“O quarto animal será o quarto reino da terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços” (Dn 7.23).

Pensava-se de início, que seria formado por apenas dez nações. Hoje, porém, já são 25 os países que formam a União Européia. Amanhã poderá aumentar ou diminuir de acordo com os intercâmbios com os países.

Na verdade, não são dez países, e sim dez blocos ou dez regiões administradas pelo Anticristo, que abrangerão um território maior do que o Antigo Império Romano. Logo o Novo Império Romano ocupará não só a Europa, mas também o Norte da África e o Oriente Médio. Por conseguinte, cada região administrativa será composta por mais de um país.

Os dez chifres do versículo 7 correspondem a dez futuros reis, interpretação no verso 24 que diz: “E quanto às pontas, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros e abaterá a três reis”.

Os dez chifres, correspondem aos dez dedos dos pés da estátua do capítulo (2.41-42), e aos dez chifres da besta do Apocalipse 13.1; 17.12, que serão dez reinos ou dez reis que se levantarão no fim para entregar o mundo ao Anticristo.

F. O chifre pequeno. “Estando eu considerando as pontas, eis que entre elas subiu outra ponta pequena, diante da qual três das pontas primeiras foram arrancadas; e eis que nesta ponta havia olhos, como olhos de homem, e uma boca que falava grandiosamente” (Dn 7.8).

O chifre pequeno, que abateu (arrancou) fora três pontas que já havia no terrível animal, representa o futuro Anticristo que ao emergir entre os dez reinos, abaterá três reis.

No livro Apocalipse 17.8 o anjo diz para o apóstolo João: “A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo”.

O terrível animal que Daniel viu, o anjo o chama de besta; “e há de subir do abismo”. Esta expressão diz com respeito ao Império Romano, que ressurgirá no tempo do fim, comandado pelo Anticristo e o falso profeta, junto com as confederações mundiais (dez reinos). É claro que o Império Romano não será o mesmo, mas será terrível, espantoso e brutal como era. Portanto, os fatos proféticos do v. 8 são ainda futuro.

Hoje as confederações mundiais (Mercado Comum Europeu, Alca, Mercado Asiático Mercosul, etc.), já trabalham numa forma de globalização, moeda única, e de um governo único, ou seja, um governo mundial, ou um líder mundial. E este líder mundial é a ponta pequena que Daniel descreve (7.8), dizendo que nesst ponta havia olhos, como olhos de homem, e boca que falava grandiosamente, diz com respeito ao Anticristo.

G. “Falava Grandiosamente”: Será um ditador, inteligente e com poder para enganar o mundo e persuadir as nações com seus discursos inflamados e mentirosos no tempo do fim.

A Besta que subiu do mar (Ap 13), diz o apóstolo João que era semelhante ao leopardo, e os pés como de urso e a boca como de leão; esta besta é o Anticristo, e será o animal mais terrível e maldoso que já existiu na face da terra, maior que todos os impérios que já existiram, ou seja, a maldade de todos os animais estará incorporada neste império. Jamais o mundo teve alguém como este, subversivo e impostor. A crueldade da besta será tal que nem juntando Nero, Mussolini e Hitler, pode se explicar, tamanha a fúria da besta.

IV.  A QUEDA IMPÉRIO ROMANO NO FIM DOS TEMPOS

Como já vimos, a pedra bateu violentamente nos pés da estátua e esmiuçou-a. Isto ocorrerá em Armagedom, no tempo do domínio mundial das nações confederadas sob o governo do Anticristo (Ap 17.11-13; 19.11-21), quando o império do Anticristo será destruído na vinda de Jesus em glória.

Daniel continua descrever a ruína do Novo Império Romano, agora mostrado como aquele animal terrível: “Estive olhando até que o animal foi morto, e o seu corpo, desfeito e entregue para ser queimado pelo fogo” (Dn 7.11). Por quem o animal foi morto? Pelo Filho de Deus! E, assim, recebe o Senhor Jesus o poder, a glória e a majestade.

Por mais poderosos que se mostrem os reinos deste mundo, não subsistirão ante a soberania divina. Roma dominou nações e reinos; pisou os mais aguerridos povos e humilhou os mais altivos soberanos. Mas nada poderá fazer contra o Senhor Jesus. Ele é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Nada tarda o dia em que o Império Romano, base do governo do Anticristo, haverá de prestar contas a Deus por todos os seus pecados e iniquidades. Ainda que renascidos não subsistirá.

Senhor Jesus, quem poderá subsistir ante teu poder? Que a honra, a força e a glória sejam-te tributadas para todo o sempre.

V.     A VINDA DE JESUS SEGUNDO DANIEL



“Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de Dias se assentou; sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a pura lã; o seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente” (Dn 7.9).

Aqui temos uma previsão futura dos juízos do Apocalipse, culminando os juízos das nações na vinda do Filho do Homem (v.13; Mt 25.31-46; Ap 19.11ss). Deus não permitirá que estes opressivos reinos mundanos governem com injustiça para sempre. Ele estabeleceu um dia para julgamento.Quando este dia chegar, todos os governos do mundo e toda a opressão virá a um fim.

“Ancião de Dias” é outra maneira de reconhecer que Deus é o eterno, é aquele que Abraão reconhecia como “o juiz de toda terra” (Gn 18.25). A descrição de Deus neste versículo também revela a Sua santidade (“Sua veste era branca como a neve”), a Sua majestade (“os cabelos da cabeça, como a pura lã) e a Sua justiça como fogo ardente (o seu trono eram chamas de fogo”).

“Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele” (Dn 7.13).

Este ser majestoso apresenta-se diante de Deus Pai como uma pessoa separada e distinta dEle, a fim de receber um reino eterno que jamais será dado a outros.

A visão que Deus deu a Daniel era assustadora no começo, mas depois reconfortante como ele percebeu que ela significava. É ainda mais reconfortante para nós que temos visto a maioria das previsões desta visão perfeitamente cumprido. É confortante saber que Deus está no controle. Deus tem um plano, e seu plano continua a ser realizado, não importa como muitos tentam se opor. Jesus veio assim como os profetas anunciaram. Ele fez tudo que era necessário para pagar pelos nossos pecados. Ele viveu em nosso lugar, Ele morreu em nosso lugar, Ele ressuscitou dos mortos como as primícias de todos os que morreram, Ele subiu ao céu e quando o Pai lhe der o trono, Ele voltará sobre as nuvens do céu pôr fim a este mundo que está infectado com o pecado.

Confiar nele. Permanecei firmes na fé, mesmo quando possa parecer que Deus não está no controle. Confiança que, quando Jesus aparecer nas nuvens do céu, ele vai convidá-lo para viver no seu reino de paz para todo o sempre, tudo por causa do que ele fez por nós.


Pr. Elias Ribas