TEOLOGIA EM FOCO

domingo, 27 de abril de 2014

JESUS LAVA OS PÉS DOS DISCÍPULOS


Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim. E, acabada a ceia, tendo já o Diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o traísse. Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus e ia para Deus. Levantou-se da ceia, tirou os vestidos, e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com a toalha com que estava cingido. Aproximou-se, pois de Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim? Respondeu Jesus, e disse-lhe: O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois. Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu te não lavar, não tens parte comigo. Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça. Disse-lhe Jesus: Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo. Ora vós estais limpos, mas não todos. Porque bem sabia ele quem o havia de trair; por isso disse: Nem todos estais limpos. Depois que lhes lavou os pés, e tomou os seus vestidos, e se assentou outra vez à mesa, disse-lhes: Entendeis o que vos tenho feito? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou.  Ora se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também" (Jo 13.1-15).


A narrativa da paixão de Cristo tem o seu início neste capítulo 13 do Evangelho de São João, quando o Mestre começa a preparar os discípulos para entenderem a morte sacrifical que Ele, brevemente, sofreria na cruz (Jo 13.1). Pedro, naquele momento, não compreendeu o significado do ato de Cristo, em lavar os pés dos seus discípulos, mas pouco depois veio a compreender a lição de humildade que o Senhor queria que aprendessem (Jo 13.7). Cabe a nós, como Igreja de Cristo, buscar o entendimento divino (Ef 4.22-24), para que possamos compreender a medida do amor de Cristo (Ef 3.18-19), e, principalmente, o significado espiritual deste ato de humildade, praticado pelo Senhor Jesus, que é o tema desta lição. 

I. O MESTRE LAVA OS PÉS DOS DISCÍPULOS 

Conforme diz o Texto Bíblico Básico (Jo 13.2), podemos verificar que esta ceia era particular, pois dela participaram somente o Mestre e seus discípulos; conforme podemos constatar em Mt 26.12 e Lc 22.14. Cremos que não havia ali escravos para lavar os pés dos discípulos, como era costume da época (Lc 7.44), e que nenhum dos discípulos tivera a ideia ou a delicadeza de providenciar as condições necessárias para a realização desta tradição, o lava-pés, que além de aliviar as dores dos pés dos caminhantes, era, também, um ato de higiene. Por isso, certamente, o Mestre esperou que todos acabassem de cear para tomar a posição de servo e lavar-lhes os pés, demonstrando, assim, todo o seu amor e humildade (Fl 2.6-7), ensinando-lhes, e a nós, também, o quanto temos que crescer no conhecimento do evangelho, através da humildade (Gl 5.15; Sl 110.125).

1. A hora do Calvário está próxima. Conforme o versículo primeiro do texto bíblico em foco, Jesus sente em seu espírito que é chegada a hora da obediência suprema ao Pai, mas ainda necessita preparar os seus discípulos, afim de que eles possam continuar a obra de “pescar” os pecadores para o Reino de Deus. Certamente, observando-os ao redor da mesa, Ele sentiu a dor humana da separação física que logo iria ocorrer entre eles, e “amou-os até o fim”. Agora, a luta passaria para outro campo, onde seria travada uma batalha espiritual, nas regiões celestiais (Ef 4.8-10; 6.12), que culminaria na morte de Cristo na Cruz, mas, também, na sua ressurreição no terceiro dia, vencendo a morte e Satanás (Is 25.8; 2ª Tm 1.10; Hb 2.14). A hora do supremo sacrifício estava, já, próxima, o Cordeiro de Deus estava pronto para ser imolado e oferecido sobre o altar – a cruz, no Calvário.

2. Cristo despoja-se dos vestidos. Consideremos, agora, a atitude de Jesus Cristo, conforme registrou o discípulo amado: “Levantou-se... tirou os vestidos... tomou a toalha e cingiu-se” (Jo 13.4). Para os discípulos, no momento, era difícil entender esta atitude do Mestre (Jo 13.7); mas, para nós, que temos a Palavra de Deus escrita, podemos compreender o significado deste ato de amor e humildade.

Cristo sabia que todas as coisas estavam em suas mãos (Jo 13.3); mas ao tirar os vestidos mostrava, figuradamente, o despojar de todas as suas virtudes divinas, para cumprir a missão do servo sofredor, da ovelha muda, que seria levada ao matadouro, como disse Isaías, “para dar a sua vida em resgate de muitos” (Is 53.3; Mc 10.45).

3. Os elementos usados por Jesus. Era costume dos orientais, sempre que recebiam um visitante, dar-lhe água para lavar os pés e limpá-los do pó e do barro das estradas. Isto servia, também, para aliviar as dores dos pés cansados da jornada, pois naqueles dias era costume andar quase sempre a pé. Esta era uma tarefa humilde, realizada apenas por escravos, que não fossem judeus, os quais deveriam lavar os pés dos viajantes (1º Sm 25.41). Mas, para o Senhor dos senhores, e Mestre dos mestres, não representava uma tarefa humilhante, mas, sim, uma demonstração de humildade e amor. Isto nos mostra que devemos ter humildade para alcançarmos a plenitude e estatura completa de Cristo (Ef 4.13).

Vejamos então, alguns elementos que Cristo utilizou, para realizar este ato de amor, de humildade, de abnegação, como ensinamento para seus discípulos e para nós, hoje, como Igreja que somos e que buscamos seguir suas pegadas (1ª Pe 1.19-25).

A. A bacia. A bacia era o recipiente que continha à água. Está relacionada com a pia do tabernáculo (Êx 30.20,21), um dos objetos usados no ritual da purificação, da santificação.

B. A água. A água é um dos símbolos da Palavra de Deus, que nos lava, nos purifica e nos santifica (Jo 17.17).

 II. O PROPÓSITO DO MESTRE

Temos que estudar estes fatos, relacionando-os com os acontecimento do capítulo anterior (Jo 12.27-33), onde, no versículo 31, Cristo diz que é chegada a hora da expulsão do príncipe deste mundo. Ele está revelando aos discípulos que a hora da sua morte está próxima, e através dela consumar-se-á o plano divino da redenção do homem, conforme a promessa de Gn 3.15. É o início da grande vitória sobre Satanás, o pecado e a morte.


Agora, reunido com os discípulos, após a ceia, Cristo passa a demonstrar todo o seu amor a eles, lançando as bases para sua Igreja, que deve ser edificada sobre a fé, o amor, a paciência e a humildade. Tomando o lugar de servo, o Senhor aproxima-se dos discípulos para lavar-lhes os pés. Podemos imaginar o espanto que se apoderou dos discípulos, quando o viram aproximar-se deles para cumprir uma tarefa somente atribuída aos anônimos serviçais. Pedro não entendeu, e não quis permitir que o Senhor Jesus lavasse os seus pés, dizendo: “Senhor, tu lavas-me os pés a mim”? E insiste: “Nunca me lavarás os pés” (Jo 13.6-8a). Mas o Mestre, humildemente, ensina a Pedro a grande verdade: “Se eu te não lavar os pés, não tens parte comigo”. Pedro reconhece então e diz: “Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça” (Jo 13.8,9). Pacientemente o Mestre responde: “Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo” (Jo 13.10).

Embora tenhamos sido libertos deste mundo, ainda estamos nele, e é necessário que a terra, o pó, o barro, a sujeira, que são as concupiscências deste mundo (1ª Jo 2.15-17), que por vezes nos atingem, sejam lavadas pelo sangue de Jesus, para que possamos crescer, para que tenhamos perfeita comunhão com Ele. Se dissermos que não pecamos, que não nos sujamos com a poeira, com a lama deste mundo, estaremos mentindo (1ª Jo 1,5-7): Necessitamos de “lavar os nossos pés”, e devemos “lavar os pés uns dos outros” (1º Jo 4.7), amando-nos uns aos outros, em perfeita comunhão, como ordenou o Senhor (Jo 13.14,34). Este é o Seu propósito. Aleluia!

III. A Lição e a Ordem do Mestre

Diz-nos a Palavra, que após este ato, Cristo colocou seus vestidos e se assentou à mesa novamente e perguntou aos discípulos: “Entendestes o que vos tenho feito?” (Jo 13.12).

1. O exemplo do Mestre. “Vós me chamais de Mestre e Eu o sou, mas eu, Senhor e Mestre vos laveis os pés, vós também deveis lavar os pés uns dos outros, Eu vos dei exemplo, para que assim façais, porque o servo não é maior do que o seu senhor” (Jo 13.13-16).

Esses ensinamentos mostram a verdadeira posição daquele que serve a Cristo e faz a sua obra, com amor, em verdade e justiça; sem hierarquias, sem privilégios, sem posições de destaque, onde ninguém é senhor de alguém, pois o próprio Filho de Deus veio para servir e não para ser servido
(Mc 10.45; Lc 22.27).


2. Lavar os pés uns dos outros. Esta é a ordem do Senhor e Mestre (Jo 13.17). Para que possamos crescer espiritualmente, para que tenhamos comunhão uns com os outros e com Cristo, temos de nos despir de toda a nossa roupagem de arrogância, de vaidade, de hipocrisias, e nos lavar e purificar com a água da verdade, da justiça, da humildade e da santidade que é a Palavra de Deus (Jo 17.17), santificados na verdade (Jo 17.19), para que todos sejamos um, como o Filho é um com o Pai (Jo 7.21) Amém.




Pr. Elias Ribas

sábado, 26 de abril de 2014

O MUNDO QUANDO CRISTO NASCEU


  A Bíblia nos diz em Gálatas 4.4 
    “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da lei...”   

      Você sabe o que significa:  “A PLENITUDE DOS TEMPOS" ?
    Quando olhamos para essa expressão “a plenitude dos tempos” que o apostolo Paulo usa nesta passagem de Gálatas, muitas vezes passamos desapercebidos do seu real significado.

 NA HORA CERTA!!!

 Isto significa que Deus na sua onisciência preparou um lugar na história para que o seu filho pudesse nascer, um tempo designado por ele, quando todas as coisas tinham sido dispostas de tal modo que a sua mensagem se espalharia pelos quatro cantos da terra.

     Para entendermos melhor esta preparação do mundo para a manifestação do Cristo e consequentemente a implantação da Igreja cristã, precisamos considerar a contribuição que foi dada pelos três grandes povos de então.

      Estes povos foram os romanos, os gregos e os judeus. Cada um, ao seu tempo e modo, pela providência de Deus que criou situações na sociedade em que o cristianismo apareceu, para que ele pudesse se expandir e crescer durante seus primeiros anos de conquista.

        Esses três povos se destacam por causa da influência que exerciam sobre o mundo da época em que Cristo nasceu. Mesmo sem saber que estavam sendo instrumentos na mão de Deus, eles estabelecem leis, revogam as leis, enfim, provocam uma série de situações que só contribuíram para a vinda de Jesus e o estabelecimento e expansão da igreja.

http://crescimentocristaomaturidade.blogspot.com.br/2014/03/o-mundo-quando-cristo-nasceu.html

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO

1ª Co 15.14 “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé”.

De todas as religiões existentes no mundo, o cristianismo é a única que teve seu fundador ressurreto. De fato, os primeiros apóstolos demonstravam a autenticidade do cristianismo baseado no fato da ressurreição do Senhor Jesus Cristo. É interessante notar que a maioria das mensagens apresentadas no livro de Ato enfatiza a morte, sepultamento e ressurreição (At 1.22; 4.33; 17.18-31).

Paulo mostra que o fato histórico da ressurreição de Cristo é fundamental ao Evangelho. Sem um Cristo ressurreto, não teríamos Evangelho nenhum para anunciar! “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã a nossa fé. Se mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo perecem”. (1ª Co 15.14,17-18).

Paulo confessou abertamente que a ressurreição de Cristo era um fato absolutamente fundamental à sua pregação, pois sem essa ressurreição, não havia mensagem alguma de salvação e nem esperança para se pregar.

I. O FUNDAMENTO DO CRISTIANISMO – A RESSURREIÇÃO HISTÓRICA

O fundamento da igreja cristã é a confiabilidade da ressurreição de Jesus Cristo. Como observamos antes, o apóstolo Paulo disse: "Se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permanecereis nos vossos pecados" (1ª Co 15.17). Este é um fato extremamente poderoso. A igreja cristã não é uma religião filosófica como o hinduísmo, o budismo, ou as várias e "novas espiritualidades". Em vez disso, ela está ligada a uma questão extraordinariamente central – que a ressurreição de Jesus é um fato histórico!

Não dizemos que a ressurreição de Jesus Cristo seja a única questão teológica importante no cristianismo; longe disso. A crucificação de Jesus foi o evento que propiciou a salvação (foi o sacrifício) para aqueles que possuem um relacionamento pessoal com Ele. No entanto, foi a ressurreição de Jesus que confirmou a reivindicação profética de que Ele era o Filho de Deus – o Messias – e venceria a morte para que pudéssemos ter a vida eterna. Apenas Deus poderia realizar esta ressurreição. Era absolutamente necessário que isto acontecesse a fim de que a promessa de salvação tivesse um significado e uma importância incomensurável. Nenhum outro líder religioso fez algo semelhante. A ressurreição fez os primeiros discípulos se alegrarem por saber que Jesus era quem dizia ser, e que a vida eterna estava assegurada. A ressurreição deu aos discípulos a confiança necessária para enfrentarem a morte alegremente, sabendo que existia uma maior recompensa para eles, no céu.

Devido ao fato de o cristianismo ser baseado em um evento histórico que demonstra a divindade de Jesus, ele é muito diferente de qualquer outra religião. O cristianismo pode ser testado e confirmado por este único evento histórico – a ressurreição. Se isso ocorreu, então Jesus é de fato o Senhor e Salvador. Se não ocorreu, Ele não o é.

O meio de provar qualquer evento histórico desse tipo é através de provas "legais" – isto é, a prova pelo depoimento das testemunhas e também por outras provas que são frequentemente circunstanciais, a saber, as evidências.

Há um grande número de depoimentos de testemunhas de que a ressurreição ocorreu. Este conjunto de provas foi proporcionado por muitas testemunhas, incluindo os discípulos que tiveram uma mudança radical de atitude ao se tornarem ousados defensores e divulgadores de Cristo, imediatamente após a ressurreição do Senhor.

II. EVIDÊNCIA DA RESSURREIÇÃO DE JESUS

A ressurreição de Jesus como um evento real e histórico tem sido a pedra de esquina do cristianismo através dos séculos. O fato de que isso é crido por inúmeras pessoas por uma sucessão ininterrupta de gerações, tem dado pouca oportunidade para o surgimento de repentinos “mitos de Jesus” ou lendas. Além disso, sempre podemos comparar a crença moderna com milhares de escritos antigos do Novo Testamento, e com escritos não-cristãos, para verificar a coerência de vários relatos e garantir a exatidão histórica na doutrina e nas crenças.

Diferente de outras religiões, o cristianismo é baseado em fatos históricos. Ele não é uma filosofia ilusória. Se a ressurreição de Jesus nunca tivesse acontecido, não haveria absolutamente nenhuma base para a igreja cristã. Ela não existiria. Como vimos, há uma história contínua da igreja sem interrupção. Podemos voltar ao passado recorrendo aos documentos mais antigos da igreja (primeiros manuscritos do Novo Testamento) e encontrar o dogma essencial da igreja, que permanece o mesmo.

Os muitos mártires da fé cristã morreram todos por essencialmente uma coisa – defender o fato histórico de que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos. Os inimigos da igreja esperavam que a execução dos líderes da igreja fizesse a expansão do cristianismo cessar. Em vez disso, aumentou a determinação dos cristãos e fornece evidências pungentes da historicidade da ressurreição de Jesus às gerações posteriores.

III. CRISTO FALA DA SUA RESSURREIÇÃO

Em Jo 2.19 Jesus diz aos seus ouvintes: “Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei”. Cristo mesmo afirmou que Sua futura ressurreição seria o sinal pedido pelos judeus.

IV. O VALOR DA RESSURREIÇÃO

Cristo considerou tão importante a Sua ressurreição que permaneceu quarenta dias na terra após ressuscitar para apresentar e mostrar muitas provas incontestáveis. At 1.3 a estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.

Não somente os crentes em Jesus consideram o fato da ressurreição de Cristo como de suprema importância de sua fé, também os inimigos de Cristo se puseram desmentir esse acontecimento, destruiria pela base a fé cristã.

A recusa de muitos em admitir e confessar o fato da ressurreição não é novidade do século XX, pois tal atitude se manifestou logo após a ressurreição do Mestre! Lemos em Mt 28.12-15 diz: “Reunindo-se eles em conselho com os anciãos, deram grande soma de dinheiro aos soldados, recomendando-lhes que dissessem: Vieram de noite os discípulos dEle e o roubaram, enquanto dormíamos. Caso isso chegue ao conhecimento do governador, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança. Eles, recebendo o dinheiro fizeram como estavam instruídos. Esta versão divulgou-se entre os judeus até o dia de hoje”.

Outros indivíduos, não querendo admitir o fato da ressurreição, preferem acreditar que Jesus apenas desmaiou, mas não morreu. Tal teoria não convence as pessoas de mente sadia e bem intencionadas, o mesmo Cristo reapareceu em pleno vigor físico e mental; não estado de fraqueza ou semi-inconsciência. Além disso, os mesmos soldados que crucificaram Jesus cravaram uma lança no Seu lado esquerdo, e observaram que das Suas feridas saíram sangue e água, do qual João foi também testemunha ocular (Jo 19.34-35).

Os fisiologistas dos nossos dias são unânimes em declarar que tal efusão de água e sangue dos órgãos vitais do corpo resulta da morte do organismo previamente ocorrida.

Outros críticos incrédulos preferem dizer que Jesus apareceu apenas em espírito. Porém Jesus fez questão de comer na presença de muitas testemunhas após Sua ressurreição, comprovando assim a qualidade física do seu corpo ressurreto. Vejamos o que Jesus diz em Lc 24.39 “Vede as minhas mãos e os meus pés, que Sou Eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho”.

É mais correto concluir que aqueles que não creem, nem aceitam a ressurreição corporal do Senhor Jesus Cristo, adotam tal atitude para por meio dela tentarem acalmar sua consciência e daí evitarem a responsabilidade de responder à chamada pessoal e insistente de Jesus Cristo em seus corações, para que creiam no Evangelho, se arrependam, abandonem as vis imaginações humanas, as heresias e recebam a salvação que Jesus lhes oferece graciosamente.

Pr. Elias Ribas

pr.eliasribas2013@gmail.com.br

FONTE DE PESQUISA

1.       BÍBLIA PENTECOSTAL. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida - Edição 1995, CPAD, Rio de Janeiro RJ.
2.       BÍBLIA SHEDD. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil – 2ª Edição, Sociedade Bíblica do Brasil, Barueri - SP.
3.       BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida 1995. Sociedade Bíblica do Brasil. Barueri - SP.
4.       BÍBLIA DE ESTUDO APLICAÇÃO PESSOAL, R.C. CPAD.
5.       BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE, Revista e Corrigida, S.B. do Brasil.
6.       Cristologia – EETAD.
7.       Dicionário Teológico Claudionor Corrêa de Andrade – CPAD.
9.       Pequena Enciclopédia Temática da Bíblia CPAD – Geziel Gomes.


sábado, 12 de abril de 2014

O JULGAMENTO DE JESUS

I. JESUS E OS FARISEUS

 “Jerusalém, Jerusalém, que mata os profetas e apedreja os mensageiros que Deus lhe manda! quantas vezes eu quis abraçar todo o seu povo, assim como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram!” (Lc 13.34).

A tristeza e as lágrimas (cf. Lc 19.41) de nosso Senhor, por causa da rebeldia de Jerusalém, evidenciam a livre vontade do homem de resistir à graça e à vontade de Deus.

Deus fez tudo pelo Seu povo, mas este rejeitou a Jesus. A entrada a Jerusalém deveria ser triunfal; todavia foi motivo de lamentação e maldição por causa da incredulidade.

A salvação dos judeus não tem outro caminho senão a confissão do Senhor Jesus Cristo, reconhecendo-o como Salvador e Filho de Deus. Os líderes religiosos terão de participar do júbilo das multidões, descrito em Mt 21.9, e não confiar na sua própria religiosidade.

Jesus, desde o início, havia perturbado o estabelecimento judaico. Para começar, ele era irregular para os judeus, embora fosse Rabi. Além disso, Ele chamado sobre si mesmo a controvérsia por causa do seu comportamento provocante, confraternizando com gente de má fama, festejando em vez de jejuar, e profanando o sábado por meio de curas. Não estando contente com as tradições dos anciões, ele havia, na realidade, rejeitado um grupo, e tinha também criticado aos fariseus por exaltarem a tradição, colocando-a acima da Escritura. Eles se importavam mais com os regulamentos tradicionais do que com as pessoas, mais com a purificação cerimonial do que com a pureza moral, mais com as leis do que o amor. Ele até mesmo havia denunciado como “hipócrita”, chamando-os de “guias de cegos”, e comparando-os a “sepulcros caídos, que por fora se mostravam belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia (Mt 23.1-27). Essas foram acusações intoleráveis. Pior ainda, Jesus estava minando a autoridade deles. Ao mesmo tempo Ele fazia afirmações ultrajantes acerca de ser o Senhor do sábado, conhecer Deus como Seu Pai, até mesmo ser igual a Deus. Para os fariseus, era blasfêmia.


Ele até mesmo havia denunciado como “hipócrita”, chamando-os de “guias de cegos”, e comparando-os a “sepulcros caídos, que por fora se mostravam belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia (Mt 23.1-27). Essas foram acusações intoleráveis. Pior ainda, Jesus estava minando a autoridade deles. Ao mesmo tempo Ele fazia afirmações ultrajantes acerca de ser o Senhor do sábado, conhecer Deus como Seu Pai, até mesmo ser igual a Deus. Para os fariseus, era blasfêmia.


De modo que estavam cheios de indignação auto-justificada para com Jesus. Sua doutrina era herética. Seu comportamento era uma ofensa a lei sagrada. Ele desviava o povo das tradições dos anciões. Eles os odiavam e tinham grande ciúme porque a multidão lhes seguia. Foram estes os motivos para prender Jesus.

Os dirigentes judaicos ficaram furiosos com sua atitude desrespeitosa para com a lei e com suas reivindicações provocadoras. Os judeus fizeram uma aliança maligna (fariseus e saduceus) a fim de acusarem com falsas testemunhas contra Cezar.

Quando Jesus e Seus discípulos comeram sem lavar as mãos, os fariseus o acusarão de quebrar as tradições dos anciões, conforme Mateus capitulo 15.

Os judeus consideravam os samaritanos uma classe inferior de pessoas nem se quer, podiam cumprimentar, ou conversar com um samaritano, mas Jesus não somente conversou, mas passou a falar com a mulher samaritana no poço de Jacó, discutindo a vida inteira dela, e como poderia transformá-la. A mulher samaritana ao conhecer Jesus foi até a cidade anunciará que havia encontrado o Messias.

Os homens até podem ter êxito em preservar um pouco de sua retidão no desempenho do dever público e religioso, mas por traz dessa fachada espreitam emoções violentas e pecaminosas, as quais estão ameaçando a explodir. Os evangelistas expõem esses pecados secretos dos líderes relógios da época de Jesus.

Jesus sabia que ia morrer por cauda da hostilidade dos líderes nacionais judaicos. Parece que esta hostilidade fora despertada bem cedo durante o Seu ministério. A Sua atitude no descumprimento da lei em geral, e para com o Sábado em particular, os enraivecia. Quando Ele insistiu em curar numa sinagoga, no dia de Sábado um homem que tinha a mão ressequida, Marcos nos diz que: “retirando-se os fariseus, conspiravam logo com os herodianos, contra Ele, em como lhe tirariam a vida” (Mc 3.6).

Jesus deve ter percebido a intenção deles. Ele também conhecia o registro da perseguição dos profetas fies no Antigo Testamento. Embora soubesse que era mais do que profeta, ele também sabia que não teria tratamento melhor por parte dos fariseus. Ele era uma ameaça à posição e preconceito dos líderes.

II.     JESUS PASSOU POR TRÊS JULGAMENTOS

Jesus enfrentou dois inquéritos preliminares nas casas de Anãs (cf. Jo 18.19-23) e Caifás, o sumo sacerdote (Lc 22.54; Jo 11.49), e finalmente, depois do amanhecer (para ser legal), diante do Sinédrio. Este tribunal não podia aplicar a pena capital sem autoridade do procurador romano (cf Jo 18.31).

Quando os líderes judaicos levaram Jesus a Pilatos O acusaram dizendo: “Encontramos este homem pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser ele o Cristo, o Rei” (Lc 23.2).

Procuram a única acusação formal que pesaria perante Pilatos. Admitir que fosse rei implicaria que Cristo estava em rebelião contra o estado. O Sinédrio não debate agora o ponto de vista para descobrir a verdade, mas para arrancar uma confissão condenatória. Para os interessados Jesus podia mostrar, pelas profecias messiânicas, quem Ele era (Lc 24.44).

Pilatos estava convicto da inocência de Jesus. Ele obviamente ficou impressionado com a nobre conduta, com o domínio próprio e a inocência política de Jesus. Pilatos os ouviu, fez algumas perguntas a Jesus, e depois de uma audiência preliminar anunciou: “Não vejo neste homem crime algum” (Lc 23.4).

Pilatos, ao ouvir que Jesus era da Galiléia, e, portanto, estar sob a jurisdição de Herodes, enviou-o ao rei para julgamento, esperando transferir a ele a responsabilidade da decisão. Herodes, porém, devolveu Jesus sem sentença (Lucas 23.5-12).

Pilatos disse aos sacerdotes judaicos e ao povo: “apresentaste este homem como um agitador do povo, mas tendo interrogado na vossa presença, nada verifiquei contra ele dos crimes que acusais. Não tampouco Herodes, pois no-lo tornou a enviar. È, pois claro que nada contra ele se verificou digno de morte”.

Na semana da Páscoa era costume dos judeus soltar um preso e crucificar outro. Nesta hora Barrabás está preso porque era criminoso e Jesus sendo inocente está diante do sinédrio e de Pilatos aguardando a Sua hora. E então Pilatos então pergunta a Caifás: “A quem devemos soltar: Jesus o Messias e Rei dos Judeus ou Barrabás, o prisioneiro? E este respondeu: Solte Barrabás e crucifique Jesus”. Então o povo gritou: solte Barrabás e crucifique Jesus.

Pilatos pergunta ao povo por três vezes. Que mal fez este? De fato nada achei contra ele para condená-lo à morte. A convicção pessoal do procurador acerca da inocência de Jesus foi confirmada pela mensagem enviada por sua mulher: “Não te envolva com esse justo; porque hoje, em sonhos, muito sofri por seu respeito” (Mt 27.19).

Jesus o Filho de Deus sendo julgado inocentemente pelas autoridades, foi trocado por um mau feitor, um bandido e ladrão. Foi Ele condenado à morte pelos religiosos da época que valorizaram mais um bandido do que o Filho de Deus.

Pilatos tentou protestar sua inocência. Tomando água, lavou as mãos na presença do povo, dizendo: “Estou inocente do sangue deste justo” (Mt 27.24).

Agora devemos passar além dos detalhes da traição e da prisão de Jesus, seus julgamentos perante Anás e Caifás, Herodes e Pilatos, as negações de Pedro, a zombaria cruel dos sacerdotes e soldados, a malevolência e o açoite, e a história da multidão que exigiu a sua morte.



Pilatos, então O entregou nas mãos dos soldados para ser açoitado. Desde Sua prisão começaram a espancar, a esbofeteado, cuspir. Vedaram Seus olhos e batiam insultando: “Se tu és o Filho de Deus nos diga quem te bateu”. O corpo do nosso salvador ficou todo riscado pelos açoites, e Seu sangue marcava o chão pelas chicotadas que os carrascos lhes davam. Aquele homem forte, bonito, humilde, justo, sincero, amoroso ficou transfigurado e irreconhecível, conforme relata o profeta messiânico (Isaías 53.1-10).

Lá no alto da cruz Ele bradou com alta voz: “está consumado”; “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”! Jesus na cruz proclama o grito da vitória. Foi para sempre consumado. Percebemos a realização que Jesus reivindicou logo antes de morrer. Não foram homens que consumaram sua ação brutal; foi Ele que realizou o que veio ao mundo realizar. Ele levou os pecados do mundo. Deliberada, livre e perfeitamente em amor Ele suportou o juízo em nosso lugar. Na cruz Ele declarou a nossa salvação, estabelecendo uma “Nova Aliança” entre Deus e a humanidade, e tornou disponível a principal benção da aliança, o perdão dos pecados. Imediatamente a cortina do templo, que durante séculos tinha simbolizado a alienação dos pecadores de Deus, rasgou-se de alto a baixo, a fim de demonstrar que Deus havia destruído a barreira do pecado, e aberto o caminho à sua presença.

Trinta e seis horas mais tarde, Deus ressuscitou a Jesus dentre os mortos. Aquele que havia sido condenado à morte em nosso lugar foi publicamente vindicado em sua ressurreição. Foi a demonstração decisiva de Deus de que Jesus não havia morrido em vão.

Jesus foi executado publicamente como um criminoso. Achavam que as doutrinas que ele ensinava eram perigosas até mesmo subversivas. Foi um julgamento inocente, uma morte angustiante. A sentença que era contra nós, Jesus pagou na cruz do Calvário. Fomos justificados pela sua morte.

“Mas, agora, em Cristo Jesus, vós que estáveis longes, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque Ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenança, para que dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade” (Ef 2.13-16).

Ele perdoou todos os nossos delitos, não importando o tamanho deles. Por isso não estamos mais sob o jugo das antigas normas legais e tradições dos homens. A condição para ganhar o céu é crer no sacrifício de Jesus, arrepender-se dos seus pecados e ter uma nova vida e perfeita com Cristo, que é o novo nascimento e uma vida separada do pecado que é a santidade. O que era impossível ao homem, pelas leis judaicas e as tradições dos homens, Jesus fez por amor a nós.
Muitos não compreendem a supremacia do amor e da graça de Cristo. Deus podia com justiça, ter-nos abandonado ao nosso próprio destino. Ele podia ter-nos deixados sozinhos para colhermos o fruto de nossos erros e perecermos em nossos pecados. É isso o que merecíamos. Mas Ele não nos abandonou, por causa de Seu amor por nós, ele veio procurar-nos em Cristo. Ele foi ao encalço até mesmo na desolada cruz, onde levou o nosso pecado a nossa culpa, o nosso juízo e a nossa morte. É preciso que o coração seja duro e de pedra para não se comover face a um amor como esse. É mais do que amor. Seu nome correto é “graça”, que o amor aos que não merecem.

A salvação de Cristo é um dom gratuito. Ele a “comprou” para nós com o alto preço de Seu próprio sangue. Quando Jesus bradou la no alto cruz dizendo “está consumado”, nada há com que possamos contribuir. Não, é claro, que agora temos a permissão de pecar e podermos sempre contar com o perdão de Deus. Pelo contrário, a mesma cruz de Cristo que é o fundamento de uma salvação gratuita, é também o incentivo mais poderosos a uma vida santa. Mas essa nova vida vem depois. Primeiro, temos de nos humilhar aos pés da cruz, confessar que pecamos e nada merecemos de suas mãos a não ser o juízo, agradecer-lhe por Seu amor profundo, e receber dele um perdão completo e gratuito. Contra essa humilhação própria e nosso orgulho pelas tradições, se rebelamos contra o nosso Deus. Ressentimos a ideia de que não podemos ganhar, nem mesmo contribuir para a nossa própria salvação. De modo que tropeçamos, como disse Paulo, na pedra de tropeço da cruz, quando exigimos santidade pelas normas humanas.

“Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó” (Lc 20.18).

Cair, tropeçar em Cristo, na cegueira espiritual, trará despedaçamento nesta vida pelo julgamento divino. Temos como exemplo a destruição de Jerusalém em 70 d. C. Mas se os religiosos persistirem na dureza de coração até passar o dia da graça, Cristo os levará ao juízo final como a palha soprada por um temporal.

A morte vicária de Cristo satisfez as exigências da lei quanto a morte pelo pecado. Há porém, uma segunda exigência que precisa ser cumprida para levar o homem ao céu. A obediência perfeita a Santa Palavra de Deus (Rm 10.5; Gl 3.12).

Jesus pagou nossa divida com Sua morte na cruz do Gólgota, e com Sua morte Ele abriu o Caminho para o céu. Agora todos são chamados para entrar por este caminho: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28) . Esse Caminho é Jesus. No Evangelho segundo João Ele Diz: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Ele é o novo Caminho: “Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hb 10.20).

Pr. Elias Ribas

1.      TACITUS. Annals. Texto estabelecido, traduzido e comentado por A. J. Woodman. Indianapolis/Cambridge: Hackett Publishing Company, Inc., 2004. http://sm.claretiano.edu.br/upload/4/revistas/sumario/pdf/31.pdf
2.      História e Bíblia. UMA PONTE PARA O CONHECIMENTO. Disponível: http://historiaebiblia.blogspot.com.br/2010/01/nero-o-incendio-de-roma-e-perseguicao.html
3.      HECTOR OMAR NAVARRO, Conheça os dogmas do Catolicismo, 3ª Edição, Editora Hon, Uruguaiana RS.
4.       RAIMUNDO OLIVEIRA, Heresiologia – 2ª Edição – EETAD, São Paulo SP.
5.       RAIMUNDO OLIVEIRA, Lições Bíblicas, 1º Trimestre de 1986, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ.