TEOLOGIA EM FOCO

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A GRAÇA DE DEUS


I.         DEFINIÇÃO DE GRAÇA

A graça de Deus é um dos temas dominantes em toda a Bíblia; aparece mais de cem vezes no Antigo Testamento e mais de 200 vezes no Novo Testamento. Além disso, ocorre dezenas de vezes mediante palavras sinônimos, como o amor divino, sua misericórdia e bondade.

A graça no grego é: “Charis que significa: “favor imerecido, “cuidado ou ajuda graciosa”, “benevolência”. Há um grande tesouro inserido na graça de Deus: a justificação (Rm 5.1).

A graça divina opera amor e a misericórdia, justificando o homem diante de Deus. Portanto, devemos diligentemente desejar e buscar a graça de Deus (Hb 4.14).

A graça pode ser definida como sendo o perdão imerecido que recebemos mediante o sacrifício de Jesus na cruz do Calvário. Porém, muitas vezes significa mais do que isto. Pode ser definida como sabendo o desejo e o poder de fazermos a vontade de Deus. Somente através desta graça que nos é dada é que podemos cumprir a vontade de Deus (1ª Co 15.10).

Com a morte de Cristo Deus consagrou um novo caminho de acesso a Sua pessoa. Esse acesso ao trono da graça e a abolição do caminho cerimonial foram simbolizados pelo rasgar do véu do templo no momento em que Jesus morreu.

A dispensação da graça, no entanto, só foi inaugurada no dia de pentecostes quando o Espírito foi derramado sobre os crentes reunidos no cenáculo. A experiência pentecostal do poder do Espírito Santo torna real na vida dos crentes, aquilo que Jesus proveu pela sua morte na cruz.

As profecias e as leis do Antigo Testamento são cumpridas em Jesus Cristo. Nosso Senhor Jesus Cristo cumpriu todas as profecias Messiânicas do Antigo Testamento.

A graça de Deus envolve dois aspectos. Um aspecto é o favor imerecido de Deus, por Ele expresso a todos os pecadores. O outro aspecto se descreve melhor como um poder ou força ativa de Deus que refreia o pecado; atrai os homens a Deus e regenera os crentes. Nestes segundo aspecto, a graça de Deus opera juntamente com o Espírito Santo, criando uma força ativa para a obra da salvação efetuada no mundo.

II.      A GRAÇA DE DEUS

A graça de Deus é a sua imerecida bondade ou amor manifestado para com os que perderam o direito a ela e estão sob sentença de condenação. O amor de Deus para com o ser humano é sempre imerecido, pois é oferecido gratuitamente e o homem muitas vezes o rejeita, mesmo sem merecer. A graça de Deus é a fonte de todas as bênçãos espirituais concedidas aos pecadores. Sua graça tem maior significação prática para os pecadores. É pela graça de Deus que o caminho da redenção foi aberto aos pecadores (Rm 3.24; 2ª Co 8.9) e pela graça os pecadores recebem o dom de Deus em Jesus Cristo (Ef 2.8). Pela graça são justificados (Tt 3.7); também pela graça são enriquecidos de bênçãos espirituais (Jo 1.16; 2ª Ts 2.16); e finalmente recebem a salvação pela graça (Ef 2.8-9; Tt 2.11). Os seres humanos vivem absolutamente sem méritos próprios, estando na total dependência da graça de Deus em Cristo.

A carta aos romanos revela mais claramente o que é graça. No capítulo 3, vemos que éramos pecadores e, por isso, carecíamos da glória de Deus. Por essa razão, Deus justificou-nos gratuitamente por meio da Sua graça e recebemos Sua vida. O pecado entrou no homem por meio da desobediência de Adão, e com o pecado entrou a morte.

Deus não criou o homem para que esse morresse, mas para ter a vida eterna. Entretanto, em Adão todos pecaram e “a morte passou a todos os homens” (Rm 5.12), impedindo o homem de desfrutar da glória e da graça de Deus. Por isso, Paulo diz que a morte reina (v. 14). Estamos no tempo em que podemos desfrutar da graça e da verdade, o qual se estenderá até a entrada do reino milenar, mas até hoje a morte tem reinado. Somente quando saímos do domínio de Satanás, do domínio do pecado, da vida natural, e nos uniu em vida a Cristo é que escapamos do reinar da morte e passamos a reinar em vida.

Quando isso ocorre a graça passa a reinar em nós (v. 6). Assim como pecado veio por um homem: o pecado veio através do primeiro homem, Adão, mas a graça veio por intermédio do segundo homem, Jesus Cristo, o último Adão, que se tornou o Espírito que dá vida para dar Sua vida a todo o que Nele crer (1ª Co 15.45). O primeiro Adão é terreno e carnal; o segundo é celestial e espiritual. Anteriormente estávamos no primeiro homem e vivíamos por sua vida. Mas quando cremos, tornamo-nos parte do segundo homem, Jesus Cristo, e podemos viver por Sua vida. Isso é o reinar da graça.

III. OS PLANOS DIVINOS NA DISPENSAÇÃO DA GRAÇAS


A palavra chave para esta dispensação é graça. O tempo de duração da dispensação da graça vai da crucificação de Cristo até a sua Segunda vinda, período esse que já abrange quase dois mil anos.

Na dispensação da Lei Mosaica, era a intenção de Deus habitar entre seu povo e conceder-lhe purificação de seus pecados, ter vida e santidade deles e por meio desse mesmo povo, ser uma bênção em toda a terra. Mas em razão dos pecados de Israel e seu fracasso, Deus foi obrigado a afastar-se deles e deixar-se casa vazia.

Na dispensação da graça, Deus fez a mesma oferta a cada indivíduo em todas as nações do mundo (Mc 16.15, Jó 17.20, 21). Agora Deus concede a sua própria e natureza 2ª Co 5.17, 20 e o batismo com o Espírito Santo At 2.4,38, 39. Essas verdades devem ser pregadas em todo o mundo pelos convertidos a Cristo Mt 28.20.

Sob a dispensação da lei, Israel foi chamado a congregação do deserto (At 7.38). Porém na dispensação da graça, todos os indivíduos de todas as nações que aceitarem a Cristo, seu sangue e seu Espírito, constituem a “Igreja dos Primogênitos”, Hb 12.23 que é a Igreja redimida pelo sangue de Cristo, o grande povo salvo, Gl 3.28.

O propósito de Deus nesta dispensação é formar um povo todo Seu, coeso e forte, que o glorificará por toda a eternidade. O meio usado por Deus para atingir esse objetivo é a pregação do evangelho da graça (Mc 16.15 e Rm 1.16). O plano de Deus não é a conversão total do mundo, mas sim, chamar para fora do mundo um povo para o nome de Jesus.

A dispensação da graça não é apenas uma extensão da dispensação da lei sob um outro nome a lei e os profetas duraram até João Batista (Lc 16.16). Moisés e a lei pertenciam a uma dispensação, e Cristo e a graça pertencem à outra dispensação. Por esse motivo não há na igreja lugar para os ritos cerimoniais, sacrifícios de carne, instituição de sacerdotes como mediadores entre Deus e os homens.


A graça de Deus é o agente pelo qual ele receberá a justificação (Tt 3.7); a regeneração (Jo 3.3); a santidade (At 26.18); a segurança de Deus (1ª Pe 1.5). O homem só poderá receber a graça salvadora mediante a sua decisão a Cristo.

Pr. Elias Ribas

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O ESTADO INTERMEDIÁRIO DOS MORTOS

I.         O DESTINO DOS CRENTES ENTRE A MORTE E A RESSURREIÇÃO

Com “estado intermediário”, queremos dizer a condição dos mortos no período entre a morte e a ressurreição; isto é, o estado em que o espírito está sem o corpo. A Bíblia ensina que, após a morte, o crente vai imediatamente para onde está o Senhor Jesus. Paulo diz: “Mas temos confiança e desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (2ª Co 5.8); “Tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fp 1.23). O que Paulo está dizendo aqui é que, no momento em que ele parte ou morre, naquele mesmo instante ele estará com Cristo. Não há demora alguma entre a morte do crente e o seu comparecimento na presença de Cristo; quando ele fecha os olhos neste mundo, abre-os logo no céu. Jesus deu ao ladrão arrependido a jubilosa certeza: “hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43). À luz de 2ª Co 12.2-4, as palavras “céu” e “paraíso” são simplesmente dois termos para indicar o mesmo lugar. Isto prova, com certeza, que o “seio de Abraão” (Lc 16.22), “o céu” e o “paraíso”, são o mesmo lugar. O destino dos crentes após a morte é um estado de descanso e felicidade sem fim (Ap 14.13); é um estado no qual os crentes estão verdadeiramente vivos e plenamente conscientes (Lc 16.19-31; 1ª Ts 5.10).

II.      O DESTINO DOS ÍMPIOS ENTRE A MORTE E A RESSURREIÇÃO

O destino dos ímpios é estar eternamente separados de Deus e sofrer eternamente o castigo que se chama a segunda morte: a eterna separação de Deus (Lc 16.26). Devido à sua natureza aterradora, é um assunto muito pouco comentado nos púlpitos das igrejas modernas. Analisemos aqui a passagem de Lc 16.19-31, onde o Senhor Jesus traz um ensino bem claro da vida no além-túmulo:
A) Ao morrer o ímpio (o rico) achou-se no lugar de tormentos; v.23.
B) Ele não estava dormindo; viu Abraão e Lázaro; v.23.
C) O ímpio não estava mudo; falava normalmente; v.24.
D) Ele estava cônscio da sua condição deplorável; pediu misericórdia numa época tardia e à pessoa errada; v.24.
E) Procurou lenitivo para o tormento que estava sentindo; uma ponta de dedo molhado em água seria o suficiente para aliviar parte do seu tormento; v.24.
F) A situação do ímpio foi invertida no além -túmulo; o rico que nunca mendigara na terra, agora implora por socorro como o mendigo implorava as migalhas; v.24.
G) Abraão lembra ao rico que "a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui" (Lc 12: 15); v. 25.
H) Foi lhe dito que aquela situação é irreversível; é impossível sair dali; v.26.
I) O ímpio lembrou de todos os seus cinco irmãos e mostrou o desejo de que eles fossem advertidos, para que evitassem semelhante condenação; w. 27,28. Através deste ensino o Senhor Jesus elimina, assim, a possibilidade de existência do purgatório ou de salvação após a morte.

III.   O EFEITO DO PECADO NO SEU SER

Adão e Eva foram criados inocentes e santos. Agora, tiveram um senso de vergonha, degradação e poluição. Perda da inocência “abriram-se então, os olhos de ambos” (Gn 3.7). A inocência não pressupõe a ausência do conhecimento intelectual do mal. Tal conhecimento inclusive é benéfico e necessário para nós entendermos a natureza do mal. Inocência, porém, quer dizer a ausência do “conhecimento experimental” do mal. Havia algo para esconder. Estavam nus e não podiam aparecer diante de Deus na sua condição caída. Foi este sendo de impropriedade que os levou a fazerem para si vestimentas de folhas de figueira.
As folhas de figueiras de nada serviram para cobrir a nudez do casal. Elas simbolizam o esforço das religiões e das boas obras em favor da salvação do homem, sem levar em conta a justiça de Cristo. Batismo, educação, filosofia, legalismo, dízimos, etc., nada disto repara a terrível queda do gênero humano. Somente a graça de Deus, mediante a morte expiatória de Seu Filho Jesus Cristo, pode salvar o homem que, pela fé, volta-se para Ele (Ef 2.8-9), pois “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9.22).
Adão e Eva não eram vitimas de um destino inevitável. Eles eram livre, capazes de serem influenciado por motivos e desejos, mas ainda com liberdade perfeita para seguir o caminho que lhes agradasse. Mas, eles permitiram a si mesmos receberem algo que não era de Deus. Não foi qualquer necessidade rigorosa, mas pela escolha determinada de sua própria vontade, uma entrega voluntária dos seus corações à tentação, que os levou a cometer o primeiro pecado.
Devemos lembrar também que como o pecado deveria ser punido, isto é, a maneira e alcance da punição, não é para o homem culpado decidir, mas foi determinado o decreto pelo próprio Deus, (Dt 9.5; Rm 6.23; Mt 25.41).
“Posto à prova, porém, o homem mostrou-se infiel, desprezando a glória de que estava revestido, ao duvidar da bondade e da fidelidade do Senhor, deixando-se seduzir pela mentira ilusória de Satanás (Gn 3.1-19). Assim, ao desobedecer a única proibição imposta por Deus (Gn 2.17), o homem tornou-se pecador, colocando toda a criação debaixo da maldição divina (Gn 3.19).
O pecado e sua consequente maldição causaram (leia Gn 3 e Rm 8.22).
1. Quebra da comunhão com Deus e expulsão da sua presença (Gn 3.23 e 24; Is 59.1,2);
2. A introdução da dor, da fadiga e do sofrimento na Terra (Gn 3.16-19);
3. A morte, geralmente precedida das mais variadas enfermidades sobre o homem (Gn 3.19 e 19; Rm 5.12);
4. O pecado é hereditário e extremamente contagioso, havendo-se disseminado nas formas mais diversas, infames e vis (Rm 1.18-32).
5. O pecado leva o homem ao inferno (Rm 3.23; Gl 5.19-21; Mt 7.23; Ap 21.8).
O homem ao pecar fica separado de Deus e debaixo da maldição (e juízo receberá o castigo).  A Bíblia descreve dois efeitos do pecado sobre o culpado; primeiro, é seguido por consequências desastrosas para sua alma; segundo, trará da parte de Deus o decreto da condenação eterna.
Antes da queda, Deus e Adão estiveram em comunhão um com o outro; depois da queda, essa comunhão foi quebrada ou interrompida (Gn 3.8-9). Nossos primeiros pais tiveram o sendo do desagrado de Deus para com eles. Eles haviam desobedecido ao comando explícito de Deus para não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, e foram culpados de um crime. Eles sabiam que haviam perdido sua posição diante de Deus e que se achavam sob condenação. Então, em vez de buscar a comunhão com Deus, tentaram fugir dele, com vergonha (Gn 3.7-10), remorso e medo (Gn 3.10) e culpa, sentimento que nunca experimentaram antes.
Sua consciência não lhes permitiu descanso, então tentaram transferir a responsabilidade. Adão disse que Eva, a mulher que tu me deste, o levou a pecar (Gn 3.12). Eva acusou a serpente (Gn 3.13). Eram culpados, mas tentaram passar a responsabilidade para outros.
A sentença bíblica é sem apelação. No Antigo Testamento diz que a alma que pecar morrerá (Ez 18.4). O salário do pecado é a morte (Rm 6.23). Por isso, a morte foi uma consequência direta do pecado de nossos primeiro pais (Gn 2.17).
A morte é um castigo, não uma extinção da personalidade, e sim, o meio de separação de Deus. Há três fases desta morte: morte espiritual, enquanto vive, mas não crê em Deus (Ef 2.1; 1ª Tm 5.6); morte física (Hb 9.27); e a segunda morte ou morte eterna, que é a separação e condenação eterna sem Deus (Ap 21.8; Jo 5.28-29).

1.      A morte espiritual. 
A morte espiritual é a separação entre a alma e Deus. O pecado separa o homem de Deus; como consequência do pecado, o homem morreu espiritualmente (Ef 2.1-5). A morte espiritual significa culpa e também corrupção. O castigo anunciado no Éden, que recaiu sobre a raça, é primariamente esta morte espiritual (Gn 2.17; Rm 5.21). Por ela, o homem perdeu a presença, a comunhão intima e o desejo por Deus. Por estar morto espiritualmente falando, o homem precisa ser revivido dos mortos (Lc 15.32; 105.24; 8.51).
Foram arruinados moralmente. Deus havia dito a Adão sobre o fruto proibido: “no dia que dele comerdes, certamente morrerás” (Gn 2.17; Rm 6.23). Esta morte, em primeiro lugar, é morte espiritual ou uma separação da pessoa de Deus; ela aconteceu no momento em que pecaram. Isto implica também que se tornaram depravados. A palavra depravados do latim “pravus”, significa torto e literalmente “depravatus” que quer dizer muito torto. Pelo pecado de Adão toda a humanidade ficou sob o domínio de Satanás.
Se o corpo se torna depravado, a mente, então, provavelmente vai ser afetada. O intelecto pode ficar desorientado involuntariamente, por causa da deterioração do corpo físico. Porém, os membros corpóreos se tornam servos da injustiça. O que não pode ser literalmente não santo, pode ser usado de uma forma não santa.
Quanto as emoções, os desejos, apetites e paixões, podem cair em desordem e anomalia involuntária. A humanidade, certamente, está depravada fisicamente. Não existe saúde perfeita do corpo entre todos os seres humanos que vivem neste mundo. Podemos dizer também que os apetites, as paixões e as tendências do homem estão num estado de desenvolvimento doentio.
Só existe uma maneira do homem se tornar puro e buscar a comunhão e a vida eterna com Deus. Deste assunto trataremos nos próximos capítulos.

2.      A morte física.
De acordo com as Sagradas Escrituras, a morte física é o término da vida física pela separação de corpo e espírito. Isto não significa aniquilação. A morte física não é uma cessação da existência, mas, um rompimento das relações naturais da vida. É impossível dizer exatamente o que é a morte em sua essência. A Bíblia a descreve como “dormir” (Dt 31.16; Jo 11:11); deixar este tabernáculo (2ª Pe 1.14); descer ao silêncio (Sl 115.17); expirar (At 5.10); tornar ao pó (Gn 3.19) e partir (Fp 1.23). Convém notar que a morte física, para o crente, deixa de ser uma pena ou castigo, como acontece com o descrente. Para o incrédulo não só indica separação entre o corpo e alma, entre o indivíduo e tudo quanto lhe é querido na terra; mas, sobretudo, significa a separação eterna dele e Deus. Pois, sobrevindo-lhe a morte física, esta sela o seu destino eterno. Do ponto de vista bíblico tanto a morte física, como a morte eterna, é o resultado do pecado (Rm 5.12; 6.23).
Quando Deus disse: “certamente morrerás” para a desobediência do homem, ele também incluiu o corpo. A morte física é a separação entre a alma e o corpo. Devido ao pecado, veio a morte física. As Sagradas Escrituras nos mostram a morte física como parte do castigo do pecado. “O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Este é o ensino de Gn 3.19; Nm 16.29; 27.3. Este ensino é também encontrado no Novo Testamento (Rm 5.12-21; 6.9-10; 8.3, 10,11; 1ª Co 15.12-23).
Não somente o pecado entrou no mundo, mas “pelo pecado a morte”. O pecado paga aos seus servos; “o salário é a morte”. Também que “o aguilhão da morte é o pecado” (1ª Co 15.5-6), ou “é o pecado que dá a morte o seu aguilhão”. O pecado em geral produz a morte (Tg 1.15; Rm 6.16; Tg 5.10).
A palavra morte do grego é (thonotos) que se refere à morte física (separação do corpo da alma; Hb 7.13), ou a morte espiritual (separação do homem de Deus; Jo 5.24), ou as duas juntas (conforme romanos 5.12).
Deus falou com Adão em Gn 2.17 “no dia em que dela comeres, certamente morrerás” e em Gênesis 3.19 disse Deus: “No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás”.
A morte é o efeito ou consequência do pecado: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12).
“Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). A razão porque a morte passou a todos os homens é porque todos pecaram. A morte passou a todos os homens, por um homem, no qual todos pecaram. Pela ofensa de Adão veio o julgamento para todos os homens.
Imediatamente depois da transgressão Deus disse a Adão: “tu és pó e ao pó tornarás” (Gn 3.19). O primeiro casal perdeu o privilégio da imunidade à morte física. Embora eles não morressem no momento em que comeram o fruto proibido, seus corpos ficaram sujeitos a mortalidade (Gn 3.16-19).
Em Gênesis 3.22-24, diz que o casal foi expulso do jardim para não comerem da árvore da vida, porque Deus não quis que os corpos caídos e depravados tivessem imortalidade, que teriam sido uma penalidade mais rubra e mais profunda. A morte física foi uma penalidade do pecado.
“Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo” (Rm 5.17). Se pela desobediência de um homem veio a morte, mas pela a obediência de um só, muitos se tornaram justo (gr. dikaiosune). Como resultado do ato de desobediência de Adão, muitos se tornaram pecadores; da mesma forma como resultado do ato de obediência de Cristo, muitos se tornarão justos. Entretanto, para o cristão a morte física não é mais um castigo, pois, Cristo sofreu a morte como castigo do pecado. Para o crente, ela se torna como um sono para o corpo, e como um portal para a alma, através do qual ele entra em plena comunhão com seu Senhor (2ª Co 5.8; Fp 1.21-23; 1ª Ts 4.13-14). Uma outra tradução diz: “Pois assim, como por causa da sua relação com Adão todos os homens morrem, assim também por causa da sua relação com Cristo eles serão trazidos a vida novamente”. Falaremos da morte vicária de Cristo e da vida eterna com Cristo mais tarde.

3.      A morte eterna.
Quando a Bíblia diz: “A alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18:20). A consequência do pecado leva a morte física e espiritual. Neste caso a Bíblia refere-se a separação eterna de Deus, ou seja, a condenação eterna pelos atos praticados contra Deus. “E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna” (25.46).
A palavra grega para “eterna” é “aionios” que quer dizer: sem começo e nem fim, aquilo que sempre tem sido e sempre será, nunca termina, eterno. Por outro lado quando a Bíblia fala da vida como recompensa pela justiça, isso significa mais do que existência, pois os pecadores existem no inferno.
“Vida” significa viver em comunhão com Deus e no seu favor – comunhão que a morte não pode interromper ou destruir (Jo 11.25-26). É uma vida que proporciona união consciente com Deus, a fonte da vida.
“E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). A vida eterna é uma existência perfeita; a morte eterna é uma existência má, miserável e desgraçada.

A morte eterna é simplesmente o auge, o cume e a consumação da morte espiritual. É a separação eterna entre a alma e Deus, juntamente com o remorso, isto é, a inquietação da consciência por culpa ou crime que se cometeu e castigo eterno (Mt 10.8; 25.1; 2ª Ts 1.9; Ap 14.10-11). O peso total da ira de Deus desce sobre os condenados, isto significa morte no sentido mais terrível da palavra. O homem tem sempre diante de si dois caminhos a escolher: o do bem e o do mal. Tem sempre duas vontades: a própria e a de Deus. Adão escolheu a vontade própria, em vez de escolher a de Deus. Ele fez uma escolha egoísta, em vez de uma escolha altruísta. Escolheu a morte, em vez da vida. Tudo quanto aconteceu a ele próprio e à raça humana são consequências justíssimas da decisão que Adão tomou no Éden. Nenhuma pessoa pode escolher o caminho do egoísmo, e queixar-se depois com os resultados. Ninguém pode escolher a morte e queixar-se quando ela chegar. Não pode escolher o caminho da perdição eterna e queixar-se por não chegar ao céu (Dt 30.11-20; Jr 21.8; Mt 7.13-29).

Pr. Elias Ribas

quarta-feira, 22 de junho de 2016

A QUEDA DA RAÇA HUMANA


Antes de o homem ser induzido ao pecado, já encontramos outro pecador – “a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás (Ap 12.9 e 20.2), tentando a mulher a duvidar da justiça e da bondade do Criador”.

Temos indícios do pecado de Satanás, chamado “estrela da manhã” em Isaías 14.12-15. O termo original hebraico é “hellel”, que se traduz “brilhante”. Os setentas traduziram “heosphoros”, vindo para o latim “LÚCIFER”, em ambas as línguas significando “portador de luz”, “aquele que leva a luz”. Ver ainda Ezequiel 28.12-18. Embora, de certa forma, os textos se refiram respectivamente aos reis da Babilônia e de Tiro, existem aspectos que revelam a existência de uma outra entidade maligna por trás daqueles personagens históricos além de textos que induzem a esta interpretação (Lc 10.18; Ap 9.1; 1ª Pe 2.4; Jd 6).

Algum tempo após o estabelecimento da aliança entre Deus e o homem, Satanás entrou no paraíso, com o objetivo de introduzir confusão naquele ambiente de paz. O ardil usado por Satanás foi dúvida, a qual conseguiu introduzir na mente da mulher através da insinuação maliciosa, “...certamente não morrereis” (Gn 3.1-6).

A queda do homem foi o grande pecado de todos os séculos. Essa condição espiritual e pecaminosa o casal transmitiu à sua posterioridade.

I.         A QUEDA DO HOMEM

Sabemos que o homem não foi criado pecador, mas é verdade que o poder do pecado entrou no mundo dos homens através da escolha consciente e voluntária de Adão. O termo “queda” é uma tradução da palavra grega paraptoma, que quer dize: transgressão, violação, passo falso, pecado, um lapso moral pelo qual a pessoa é responsável; decair ao lado de onde a gente devia ter ficado em pé; perder o caminho, fracassar; e é aplicada à transgressão de Adão.

Disso podemos dizer então que a queda do homem é o cair da posição primitiva de favor e de santidade e vida espiritual, por causa do pecado de Adão, para a posição sob o domínio do pecado e da morte.

Como criatura de Deus, foi exigido do homem prestar obediência ao seu Criador, o que reflete basicamente a soberania moral de Deus e a livre agência do homem.

Ao contrariarem provavelmente a primeira ordem de Deus que disse para que não comece do fruto da ciência do bem e do mal; mas o inimigo ciente desta ordem imperativa, antagônico à vontade de Deus disse ao casal que no dia em comessem do fruto se tornaria como Deus, conhecedor do bem e do mal só bastou essas palavras funestas para nascer em Eva um sentimento impaciente e ávido de ser como Deus até que desobedeceu dando início as trágicas consequências para a humanidade.

O pecado originou na raça humana, devido à transgressão voluntária de Adão no paraíso. O tentador veio com a sugestão de que o homem, colocando-se em oposição a Deus, tornar-se-ia igual a Ele. Adão se rendeu à tentação e cometeu o primeiro pecado, desobedecendo às ordens de Deus. Com o primeiro pecado, Adão passou a ser escravo do pecado (Jo 8.34). Esse pecado trouxe consigo corrupção permanente, não somente sobre Adão, mas também sobre todos os seus descendentes. A tentação de Satanás pode ser resumida como tendo apelado ao homem desta maneira: ele fez o homem desejar TER o que Deus havia proibido; SABER o que Deus não havia revelado; e SER o que Deus não tivera a intenção que fosse (Gn 3.1-24), A essência do pecado de nossos primeiros pais é algo como o que segue: Eva não confiou na bondade de Deus; Ela acreditou na mentira de Satanás; A mulher cedeu ao seu apetite físico; Se submeteu a um desejo excessivo pelo belo; Cobiçou uma sabedoria que não era da intenção de Deus que tivesse.

Desejar o que Deus proibiu é preferir a si mesmo no lugar de Deus, isto é pecar. O primeiro pecado foi o desejo do coração, a escolha de interesses próprios ao contrário dos interesses de Deus. Adão pecou como pai da raça humana e também como chefe representante de todos os seus descendentes e, portanto, a culpa do pecado é imputada a todos os homens, pelo que todos são merecedores de punição e morte, É nesse sentido que o pecado de Adão é o pecado de todos. É o que o apóstolo Paulo escreve: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens porque todos pecaram” (Rm 5.12 -ARA). Deus imputa a todos os homens a condição de pecadores culpados em Adão, exatamente como atribui a todos os crentes a condição de justos em Jesus Cristo. É o que Paulo quer dizer, quando afirma: “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio à graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obediência de um só muitos se tornarão justos” (Rm 5.18-19-ARA).

O pecado é tanto um ato como um estado. Pecado é uma transgressão deliberada e consciente das leis estabelecidas por Deus; é um estado pecaminoso. O pecado traz o mal sobre si, mesmo por suas ações e incorre em culpa aos olhos de Deus.

Quando se fala em Gênesis que a serpente falou a Eva, devemos tomar as palavras no sentido literal. A serpente não designa a figura de Satanás. Nem Satanás tomou a forma de uma serpente. Também a serpente não era um mero nome (Ap 12.9), nem um símbolo para cobiça, para desejo sexual, nem para razão errante. Uma serpente real era o agente da tentação, como é claro daquilo que é dito das características naturais da serpente (Gn 3.1).

Satanás, usando a serpente, lança primeiramente dúvida e a incerteza no coração de Eva. Ele conhece o valor da Palavra de Deus e que se o homem a transgredir, torna-se indesculpável.

Em seguida, dentro da confusão que se estabeleceu em seu coração Eva acrescenta algo à Palavra de Deus, mencionando a proibição de tocar na árvore da ciência do bem e do mal, coisa que não consta da ordem de Deus dada a Adão (veja Gn 2.16-17).

Por último, a serpente desafia a Palavra do Criador e tenta desacreditá-la, afirmando: “Certamente não morrereis”, quando Deus havia dito que morreriam (Gn 3.4; 2.17). Eva deixou entrar uma dúvida quanto à Palavra de Deus e caiu na tentação de comer o fruto proibido.

Se Adão e Eva tivessem dado ouvido à Palavra de Deus e levado a sério a consideração que Ele merece, não teria provocado o caos espiritual. O uso da Palavra de Deus pela serpente poderia ter sido também empregado, em contrapartida, como arma espiritual por Eva, mas ela não o fez. Foi bem diferente o exemplo do último Adão (Jesus Cristo), quando o diabo o tentou no deserto (Mt 4.1-8).

Antes da desobediência: Tudo era harmonia; tudo girava em torno da presença amorosa de Deus; havia paz, havia a facilidade no relacionamento do casal. Eles viviam cada dia para Glória de Deus e um para o outro cumprindo assim o mistério de uma só carne. Depois da queda experimentaram sentimentos jamais vividos anteriormente, tais como: Sentimentos de medo, de angustia, de insegurança, de vergonha, de dor, de culpa, de remorso, de falta de paz e de ódio.

A Bíblia diz em: 1ª Pedro 2.15 e 16: “Porque assim é à vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos; Como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus”.

II.      OS RESULTADOS DA QUEDA

Conhecimento do mal. Antes da queda o homem tinha capacidade para pecar, porém desconhecia os efeitos do pecado. E ao pecar ele adquiriu esse conhecimento, por isso foi lhe proibido comer do fruto da árvore da vida, (Gn 3.22).

Perdeu a comunhão com Deus. Quebrantando a lei de Deus o homem sentiu-se envergonhado em sua presença. Essa vergonha era o resultado da transgressão cometida.

Morreu espiritualmente. O espírito humano é vivificado pela vida que Cristo lhe comunica. (Rm 8.9-16).

A perversão da natureza moral. No lugar da pureza de coração e da perfeição moral que caracterizavam o homem no Éden, veio o pecado e a perversão moral.

Doenças e enfermidades. O corpo ficou sujeito as enfermidades que no fim resultaria na morte física e conseqüente corrupção.

Escravo do pecado e de Satanás. Rejeitando a palavra de Deus e aceitando a palavra do inimigo, o homem tornou-se seu escravo. A regência do mundo passou das mãos do homem para as mãos de Satanás (2ª Pd 2.19).

III.   O EFEITO DO PECADO EM RELAÇÃO A DEUS

1.      Perversão.
Com a prática do pecado, todas as faculdades humanas tornaram-se moralmente pervertidas, como explicou Paulo em Romanos 1.29-32.

2.      Juízo.
Com o advento do pecado, produzido pela quebra das leis de Deus, a raça humana se tornou condenável diante de Deus (Rm 3.19). O juízo de Deus veio imediatamente após o pecado.

3.      Sofrimento sobre a mulher.

Além das conseqüências desastrosas sobre o casal em sentido geral, a mulher sofreu uma tríplice maldição.  A concepção multiplicada, o aumento de dores durante a maternidade e sujeição ao domínio do homem.
“E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará” (Gn 3.16).

4.      Maldição sobre a serpente.
“Então, o SENHOR Deus disse à serpente: Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida” (Gn 3.14).
A serpente recebeu a pior maldição que qualquer animal, pois foi condenada a rastejar-se sobre o ventre e comer o pó da terra.

5.      A expulsão do Éden (Gn 3.23).
Na verdade foi por misericórdia que Deus expulsou Adão e Eva do Éden e proibiu sua aproximação da árvore da vida, pois se tivessem comido dessa árvore amargariam uma existência eterna no triste estado em que se encontravam.
Embora o ato de expulsar o casal pecador do Jardim tenha significado um forte e doloroso juízo divino sobre Adão e Eva, na verdade ele também ressalva um ato de misericórdia e graça do Criador.

IV.        A CULPA DE ADÃO

A Bíblia nos ensina que Adão introduziu no mundo o pecado e transmitiu a natureza pecaminosa ao gênero humano, de sorte que todos que chagam a idade de fazer a sua escolha, inevitavelmente escolhem o pecado que conduz à morte.

1.        Desfiguração da imagem divina.
O Homem não perdeu completamente a imagem divina, porque ainda em sua posição decaída é considerado uma criatura a imagem de Deus, (Gn 9.6). Apesar de não estar inteiramente perdido, a imagem divina no homem encontra-se muito desfigurada. Jesus Cristo veio ao mundo tornar possível ao homem a recuperação completa da semelhança divina por ser recriado a imagem de Deus (Gl 3.10).

2.        Pecado Original.
O Efeito da queda arraigou-se tão profundamente na natureza humana que Adão, como pai da raça, transmitiu aos seus descendentes a tendência ou a inclinação para pecar (Sl 51.5).

Esse impedimento espiritual e moral o qual os homens nascem é conhecido como pecado original.

Os atos pecaminosos que se seguem durante a idade da plena responsabilidade do homem são conhecidos como pecado atual. Cristo, o segundo Adão, veio ao mundo resgatar-nos de todos os efeitos da queda (Rm 5.12-21).

Ainda que Adão tivesse se reconciliado mais tarde com Deus, a morte física continuaria de acordo com o decreto estabelecido pelo Criador.

“Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17).

“Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gn 3.5).

Somente um ato de redenção e de recriação o homem teria outra vez o direito a árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus. Por meio de Cristo a justiça é restaurada a alma, a qual a ressurreição, é reunida a um corpo glorificado: “Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1ª Co 15.22). Este versículo diz noutras palavras, o seguinte: “Assim como Adão trouxe a possibilidade de morte para todos, assim Jesus trouxe também a possibilidade da vida para todos”. É evidente que cada individuo tem que tomar a decisão de aceitar ou rejeitar a Cristo e a vida eterna; e igualmente tem que tomar a decisão de seguir o pecado e a conseqüência morte espiritual. Por isso Paulo escreve na epístola aos romanos dizendo: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12).

Assim, o pecador já estava morto em ofensa e pecados e no momento da morte física ele entra no mundo invisível na mesma condição. Então no grande julgamento o Juiz pronunciará a sentença da segunda morte, que envolve “indignação e ira, tribulação e angustia” (Rm 2.7-12).

3.      A culpa Universal.

Salomão o homem mais sábio que já existiu, observou que não havia homem algum que não necessitasse de salvação: “Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque” (Ec 7.20). Paulo na carta aos romanos compartilha dizendo: “Como está escrito: Não há justo, nem um sequer” (Rm 3.10).

Muitos chamam a si mesmo justos, simplesmente porque vivem uma vida melhor, mais aceitável do que outros. Porém trata-se de uma comparação baseada no padrão humano de julgamento. Devemos compreender que Deus não nos avalia comparando com o nosso próximo, mas pelo seu padrão de justiça:

“Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como um vento, nos arrebatam” (Is 64.6). “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). A razão porque a morte passou a todos os homens é porque todos pecaram. A morte passou a todos os homens, por um homem, no qual todos pecaram. “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo” (Rm 7.18).

“Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51.5). Este texto porém, carece de uma boa interpretação para não criarmos uma “heresia”. Uma ala cristã usa este texto para afirmar que as crianças já nascem em pecados e precisam ser batizadas para purificação. Porém, não se pode criar uma doutrina com base em apenas um texto isolado. Primeiro porque o livro dos Salmos é um livro de cânticos e não de doutrinas. Devemos notar que o salmista escreveu em uma linguagem poética. Segundo Davi, ele emprega a primeira pessoa “eu nasci”, isto é a ele e não aos outros.

Se tomarmos este texto literalmente, estaremos falando de bebês desencaminhados, pecaminosos, que não sabem falar. Nenhum bebezinho fala ao nascer, pois são inocentes.

Davi está dizendo que depois que nascem, as pessoas se inclinam para a direção errada. Nós sabemos que isto é verdade. O homem nasce em um corpo sujeito ao pecado, e esta natureza pecaminosa é uma herança que todo o homem recebe através de Adão. O pecado de Adão introduziu a morte no mundo e implantou no homem uma natureza pecaminosa, colocando assim toda a criação sob o julgamento de Deus.

Não nascemos já pecaminosos, nem culpados. A existência de culpa implica em escolha moral. A culpa significa que agimos erradamente com base em nosso direito de escolha, com base em nossa responsabilidade. Uma criancinha não nasce em pecado, só haverá na criança a qualidade moral, depois que ela aprender a distinguir entre o certo e o errado. Lembramos que o texto de Dt 1.39 ensina que as criancinhas não possuem conhecimento de bem e do mal. Como elas não sabem a diferença entre um e outro não podem ser responsabilizadas.

Se uma criancinha fosse um pecador e se o batismo purifica alguém, certamente Jesus teria deixado esta doutrina. Portanto nos Seus ensinos Ele diz:

“Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor” (Mt 21.16). “Então, lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse, mas os discípulos os repreendiam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus” (Mc 10.13-14).

Na Bíblia Deus tem revelado seu padrão, na Lei, para vivermos uma vida justa; porém, homem algum foi capaz de alcançá-lo perfeitamente. O padrão de vida, exposto por Deus, nunca foi destinado a ser o caminho da salvação para ninguém; nem nos tempos do Antigo Testamento, nem nos dias de hoje.

Teoricamente, uma pessoa poderia obter salvação através da sua perfeita obediência à Lei durante a sua vida, porém ninguém exceto Cristo foi capaz de guardar toda a Lei. Podemos compreender com mais clareza o propósito de Deus em dar a lei, se pensarmos nela como se fosse um espelho. Um espelho pode refletir um rosto sujo, mas não pode limpa-lo. Igualmente, a lei pode mostrar ao homem quão pecaminoso ele é, mas não pode salva-lo do seu pecado: “E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé” (Gl 3.11). A lei simplesmente mostra a incapacidade do homem salvar a si mesmo, uma vez que ele é incapaz de guardá-la.

V.      O EFEITO DO PECADO NO SEU SER

Adão e Eva foram criados inocentes e santos. Agora, tiveram um senso de vergonha, degradação e poluição. Perda da inocência “abriram-se então, os olhos de ambos” (Gn 3.7). A inocência não pressupõe a ausência do conhecimento intelectual do mal. Tal conhecimento inclusive é benéfico e necessário para nós entendermos a natureza do mal. Inocência, porém, quer dizer a ausência do “conhecimento experimental” do mal. Havia algo para esconder. Estavam nus e não podiam aparecer diante de Deus na sua condição caída. Foi este sendo de impropriedade que os levou a fazerem para si vestimentas de folhas de figueira.

As folhas de figueiras de nada serviram para cobrir a nudez do casal. Elas simbolizam o esforço das religiões e das boas obras em favor da salvação do homem, sem levar em conta a justiça de Cristo. Batismo, educação, filosofia, dízimos, etc.... nada disto repara a terrível queda do gênero humano. Somente a graça de Deus, mediante a morte expiatória de Seu Filho Jesus Cristo, pode salvar o homem que, pela fé, volta-se para Ele (Ef 2.8-9), pois “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9.22).

Adão e Eva não eram vitimas de um destino inevitável. Eles eram livre, capazes de serem influenciado por motivos e desejos, mas ainda com liberdade perfeita para seguir o caminho que lhes agradasse. Mas, eles permitiram a si mesmos receberem algo que não era de Deus. Não foi qualquer necessidade rigorosa, mas pela escolha determinada de sua própria vontade; uma entrega voluntária dos seus corações à tentação, que os levou a cometer o primeiro pecado.

Devemos lembrar também que como o pecado deveria ser punido, isto é, a maneira e alcance da punição, não é para o homem culpado decidir, mas foi determinado o decreto pelo próprio Deus, (Dt 9.5; Rm 6.23; Mt 25.41).

“Posto à prova, porém, o homem mostrou-se infiel, desprezando a glória de que estava revestido, ao duvidar da bondade e da fidelidade do Senhor, deixando-se seduzir pela mentira ilusória de Satanás (Gn 3.1-19). Assim, ao desobedecer a única proibição imposta por Deus (Gn 2.17), o homem tornou-se pecador, colocando toda a criação debaixo da maldição divina (Gn 3.19).

O pecado e sua consequente maldição causaram:
1. Quebra da comunhão com Deus e expulsão da sua presença (Gn 3.23 e 24; Is 59.1,2);
2. A introdução da dor, da fadiga e do sofrimento na Terra (Gn 3.16-19);
3. A morte, geralmente precedida das mais variadas enfermidades sobre o homem (Gn 3.19 e 19; Rm 5.12);
4. O pecado é hereditário e extremamente contagioso, havendo-se disseminado nas formas mais diversas, infames e vis (Rm 1.18-32).
5. O pecado leva o homem ao inferno (Rm 3.23; Gl 5.19-21; Mt 7.23; Ap 21.8).

O homem ao pecar fica separado de Deus e debaixo da maldição (e juízo receberá o castigo). A Bíblia descreve dois efeitos do pecado sobre o culpado; primeiro, é seguido por consequências desastrosas para sua alma; segundo, trará da parte de Deus o decreto da condenação eterna.

Antes da queda, Deus e Adão estiveram em comunhão um com o outro; depois da queda, essa comunhão foi quebrada ou interrompida (Gn 3.8-9). Eles haviam desobedecido ao comando explícito de Deus para não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, e foram culpados de um crime. Eles sabiam que haviam perdido sua posição diante de Deus e que se achavam sob condenação. Então, em vez de buscar a comunhão com Deus, tentaram fugir dele, com vergonha (Gn 3.7-10), remorso e medo (Gn 3.10) e culpa, sentimento que nunca experimentaram antes.

Sua consciência não lhes permitiu descanso, então tentaram transferir a responsabilidade. Adão disse que Eva, a mulher que tu me deste, o levou a pecar (Gn 3.12). Eva acusou a serpente (Gn 3.13). Eram culpados, mas tentaram passar a responsabilidade para outros.

A sentença bíblica é sem apelação. No Antigo Testamento diz que a alma que pecar morrerá (Ez 18.4). O salário do pecado é a morte (Rm 6.23). Por isso, a morte foi uma conseqüência direta do pecado de nossos primeiro pais (Gn 2.17).

A morte é um castigo, não uma extinção da personalidade, e sim, o meio de separação de Deus. Há três fases desta morte: morte espiritual, enquanto vive, mas não crê em Deus (Ef 2.1; 1ª Tm 5.6); morte física (Hb 9.27); e a segunda morte ou morte eterna, que é a separação e condenação eterna sem Deus (Ap 21.8; Jo 5.28-29).

1.        A morte espiritual.

A morte espiritual é a separação entre a alma e Deus. O pecado separa o homem de Deus; como consequência do pecado, o homem morreu espiritualmente (Ef 2.1-5). A morte espiritual significa culpa e também corrupção. O castigo anunciado no Éden, que recaiu sobre a raça, é primariamente esta morte espiritual (Gn 2.17; Rm 5.21). Por ela, o homem perdeu a presença, a comunhão intima e o desejo por Deus. Por estar morto espiritualmente falando, o homem precisa ser revivido dos mortos (Lc 15.32; 105.24; 8.51).

Foram arruinados moralmente. Deus havia dito a Adão sobre o fruto proibido: “no dia que dele comerdes, certamente morrerás” (Gn 2.17; Rm 6.23). Esta morte, em primeiro lugar, é morte espiritual ou uma separação da pessoa de Deus; ela aconteceu no momento em que pecaram. Isto implica também que se tornaram depravados. A palavra depravados do latim “pravus”, significa torto e literalmente “depravatus” que quer dizer muito torto. Pelo pecado de Adão toda a humanidade ficou sob o domínio de Satanás.

Se o corpo se torna depravado, a mente, então, provavelmente vai ser afetada. O intelecto pode ficar desorientado involuntariamente, por causa da deterioração do corpo físico. Porém, os membros corpóreos se tornam servos da injustiça. O que não pode ser literalmente não santo, pode ser usado de uma forma não santa.

Quanto as emoções, os desejos, apetites e paixões, podem cair em desordem e anomalia involuntária. A humanidade, certamente, está depravada fisicamente. Não existe saúde perfeita do corpo entre todos os seres humanos que vivem neste mundo. Podemos dizer também que os apetites, as paixões e as tendências do homem estão num estado de desenvolvimento doentio.

Só existe uma maneira do homem se tornar puro e buscar a comunhão e a vida eterna com Deus que é através de Seu Filho Jesus Cristo.

2.      A morte física.
De acordo com as Sagradas Escrituras, a morte física é o término da vida física pela separação de corpo e espírito. Isto não significa aniquilação. A morte física não é uma cessação da existência, mas, um rompimento das relações naturais da vida. É impossível dizer exatamente o que é a morte em sua essência. A Bíblia a descreve como “dormir” (Dt 31.16; Jo 11.11); deixar este tabernáculo (2ª Pe 1.14); descer ao silêncio (Sl 115.17); expirar (At 5.10); tornar ao pó (Gn 3.19) e partir (Fp 1.23). Convém notar que a morte física, para o crente, deixa de ser uma pena ou castigo, como acontece com o descrente. Para o incrédulo não só indica separação entre o corpo e alma, entre o indivíduo e tudo quanto lhe é querido na terra; mas, sobretudo, significa a separação eterna dele e Deus. Pois, sobrevindo-lhe a morte física, esta sela o seu destino eterno. Do ponto de vista bíblico tanto a morte física, como a morte eterna, é o resultado do pecado (Rm 5.12; 6.23).

Quando Deus disse: “certamente morrerás” para a desobediência do homem, ele também incluiu o corpo. A morte física é a separação entre a alma e o corpo. Devido ao pecado, veio a morte física. As Sagradas Escrituras nos mostram a morte física como parte do castigo do pecado. “O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Este é o ensino de Gn 3.19; Nm 16.29; 27.3. Este ensino é também encontrado no Novo Testamento (Rm 5.12-21; 6.9-10; 8.3, 10,11; 1ª Co 15.12-23).

Não somente o pecado entrou no mundo, mas “pelo pecado a morte”. O pecado paga aos seus servos; “o salário é a morte”. Também que “o aguilhão da morte é o pecado” (1ª Co 15.5-6), ou “é o pecado que dá a morte o seu aguilhão”. O pecado em geral produz a morte (Tg 1.15; Rm 6.16; Tg 5.10).

A palavra morte do grego é (thonotos) que se refere à morte física (separação do corpo da alma; Hb 7.13), ou a morte espiritual (separação do homem de Deus; Jo 5.24), ou as duas juntas (conforme romanos 5.12).

Deus falou com Adão em Gn 2.17 “no dia em que dela comeres, certamente morrerás” e em Gênesis 3.19 disse Deus: “No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás”.

A morte é o efeito ou consequência do pecado: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12).

“Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). A razão porque a morte passou a todos os homens é porque todos pecaram. A morte passou a todos os homens, por um homem, no qual todos pecaram. Pela ofensa de Adão veio o julgamento para todos os homens.

Imediatamente depois da transgressão Deus disse a Adão: “tu és pó e ao pó tornarás” (Gn 3.19). O primeiro casal perdeu o privilégio da imunidade à morte física. Embora eles não morressem no momento em que comeram o fruto proibido, seus corpos ficaram sujeitos a mortalidade (Gn 3.16-19).
Em Gênesis 3.22-24, diz que o casal foi expulso do jardim para não comerem da árvore da vida, porque Deus não quis que os corpos caídos e depravados tivessem imortalidade, que teriam sido uma penalidade mais rubra e mais profunda. A morte física foi uma penalidade do pecado.

“Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo” (Rm 5.17). Se pela desobediência de um homem veio a morte, mas pela a obediência de um só, muitos se tornaram justo (gr. dikaiosune). Como resultado do ato de desobediência de Adão, muitos se tornaram pecadores; da mesma forma como resultado do ato de obediência de Cristo, muitos se tornarão justos. Entretanto, para o cristão a morte física não é mais um castigo, pois, Cristo sofreu a morte como castigo do pecado. Para o crente, ela se torna como um sono para o corpo, e como um portal para a alma, através do qual ele entra em plena comunhão com seu Senhor (2ª Co 5.8; Fp 1.21-23; 1ª Ts 4.13-14). Uma outra tradução diz: “Pois assim, como por causa da sua relação com Adão todos os homens morrem, assim também por causa da sua relação com Cristo eles serão trazidos a vida novamente”. Falaremos da morte vicária de Cristo e da vida eterna com Cristo mais tarde.

3.      A morte eterna.
Quando a Bíblia diz: “A alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18:20). A consequência do pecado leva a morte física e espiritual. Neste caso a Bíblia refere-se a separação eterna de Deus, ou seja, a condenação eterna pelos atos praticados contra Deus. “E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna” (25.46).

A palavra grega para “eterna” é “aionios” que quer dizer: sem começo e nem fim, aquilo que sempre tem sido e sempre será, nunca termina, eterno. Por outro lado quando a Bíblia fala da vida como recompensa pela justiça, isso significa mais do que existência, pois os pecadores existem no inferno.

“Vida” significa viver em comunhão com Deus e no seu favor – comunhão que a morte não pode interromper ou destruir (Jo 11.25-26). É uma vida que proporciona união consciente com Deus, a fonte da vida.

“E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). A vida eterna é uma existência perfeita; a morte eterna é uma existência má, miserável e desgraçada.

A morte eterna é simplesmente o auge, o cume e a consumação da morte espiritual. É a separação eterna entre a alma e Deus, juntamente com o remorso, isto é, a inquietação da consciência por culpa ou crime que se cometeu e castigo eterno (Mt 10.8; 25.1; 2ª Ts 1.9; Ap 14.10-11). O peso total da ira de Deus desce sobre os condenados, isto significa morte no sentido mais terrível da palavra. O homem tem sempre diante de si dois caminhos a escolher: o do bem e o do mal. Tem sempre duas vontades: a própria e a de Deus. Adão escolheu a vontade própria, em vez de escolher a de Deus. Ele fez uma escolha egoísta, em vez de uma escolha altruísta. Escolheu a morte, em vez da vida. Tudo quanto aconteceu a ele próprio e à raça humana são conseqüências justíssimas da decisão que Adão tomou no Éden. Nenhuma pessoa pode escolher o caminho do egoísmo, e queixar-se depois com os resultados. Ninguém pode escolher a morte e queixar-se quando ela chegar. Não pode escolher o caminho da perdição eterna e queixar-se por não chegar ao céu (Dt 30.11-20; Jr 21.8; Mt 7.13-29).

VI.   OS SOFRIMENTOS DA VIDA


O pecado produziu distúrbios em todos os aspectos na vida do ser humano. Sua vida física ficou sujeita as fraquezas e doenças, que trazem grandes desconfortos e, muitas vezes, em penosas agonias. E sua vida mental está sujeita a perturbações angustiantes, que muitas vezes o privam da alegria de viver, levando-o até ao extremoso suicídio. Sua alma veio a ser um campo de batalha de pensamentos, paixões e desejos conflitantes. A sua vontade se recusa a seguir o julgamento do intelecto, e os sentimentos se revoltam, sem o controle de uma vontade compreensível. O homem se acha num estado de depravação que freqüentemente leva consigo os sofrimentos mais dolorosos. Por causa do pecado do homem, toda “a criação ficou sujeita à vaidade” (Rm 8.20-22) e à escravidão da corrupção; a natureza ficou “rubra de sangue nas garras e nos dentes”. Muitas vezes as forças destruidoras são liberadas causando terremotos, ciclones, tomados, tufões, furacões, erupções vulcânicas, inundações que trazem indescritíveis misérias à humanidade. Não devemos esquecer das cidades de Sodoma e Gomorra, que foram destruídas pelo fogo do céu (Gn 19.1- 26). É sempre bom lembrar o que Jesus disse aos judeus que falavam de uma calamidade que aconteceu acertos galileus, e insinuaram que aqueles galileus deviam ter sido grandes pecadores: “Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas? Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. Ou cuidais que aqueles dezoito, sobre os quais desabou a torre de Siloé e os matou, eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis” (Lc 13.2-5-ARA). Devemos ter sempre em mente que há uma responsabilidade coletiva, e que sempre há motivos suficientemente justos para Deus visitar cidades, regiões ou países com calamidades horrendas.

Pr. Elias Ribas