TEOLOGIA EM FOCO

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A DOURINA DO NOVO NASCIMENTO


Embora o destino do homem seja o de glorificar a Deus e viver com Ele por toda eternidade, a sua inerente e depravada natureza impede-o de fazer tanto uma coisa como outra. Além do veredito que absorveu do pecado, o homem precisa de uma transformação espiritual total do seu caráter. Essa transformação é a regeneração. A regeneração é uma das doutrinas fundamentais do cristianismo.

I.         A DEFINIÇÃO DA PALAVRA REGENERAÇÃO

A palavra regeneração, do grego paligenesia do latim regenerationis, significa: novo nascimento, renovação, ato de nascer de novo. Por isso renovação, regeneração, produção de uma nova vida consagrada a Deus, mudança radical de mente para melhor. A palavra é frequentemente usada para denotar a restauração de algo ao seu estado primitivo e perfeita das coisas que existiam antes da queda de nossos primeiros pais, que os judeus esperavam em conexão ao advento do Messias, e que os cristãos esperavam em conexão com a volta visível de Jesus do céu.
Regeneração, segundo o dicionário Aurélio, quer dizer, transformação de vida, mudança de vida, corrigir-se do erro, reabilitar-se moralmente, restaurar-se, reorganizar e gerar.
Regeneração é a obra sobrenatural e instantânea de Deus que concede nova vida ao pecador que aceita a Cristo como seu Salvador. Através deste milagre, ele é ressuscitado da morte (do pecado) para a vida (na justiça de Cristo), tornando-o participante da natureza divina. A regeneração é uma mudança profunda operada pelo Espírito Santo na vida do ser humano, é uma divina comunicação duma nova vida à alma do homem. O homem natural está morto pelas ofensas e pecados (Ef 2.1-2). Portanto, o homem natural é um ser cujo viver é deste mundo, isto é, o homem sem Deus está vivo para o pecado, para a carne e para o mundo, mas espiritualmente está morto para Deus. Deste modo, certamente ele não pode salvar-se a si mesmo. Somente Deus pode regenerá-lo. O morto espiritual não tem forças para regenerar-se. Podemos definir a regeneração como:
A.    A comunicação de vida divina à alma (Jo 3.5; 10.10, 28; 1ª Jo 5.11,12).
B.     A transmissão de uma nova natureza (2ª Pe 1.4).
C.     E a concessão de um novo coração (Jr 24.7; Ez 11.19; 36.26).
D.    A produção de uma nova criação (2ª Co 5.17; Ef 2.10; 4.24).
A regeneração é uma mudança de pensamento ou uma mudança de opinião. E só pode ser verdadeiro se tiver uma genuína conversão e um verdadeiro arrependimento.
A regeneração envolve a mudança da velha vida de pecado em uma nova vida de obediência a Deus: “Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos de nossa carne e éramos por natureza filhos da ira. Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo” (Ef 2.2-3).
Sem esta milagrosa transformação espiritual, o pecador arrependido permanecia morto na sua natureza pecaminosa e incapaz de conhecer a Deus num relacionamento pessoal (1ª Co 2.14).

II.      TRÊS Efeitos DA REGENERAÇÃO

1.      Posicionais (adoção). Torna-se filho e beneficiário dos privilégios (Gl 4.1-7).
2.      Espirituais (união com Deus). Mediante o Espírito Santo, resulta em novo caráter; crente deve manter contato com Deus, preservando e nutrindo sua vida espiritual (2ª Pe 1.4 e Rm 6.4).
3.      Práticos. Pessoa nascida odiará o pecado, 1ª Jo 3.9 e 5.8; em obras de justiça, amor fraternal e vitória que vence o mundo.
Observação: Estamos sujeitos a falhar: (Não podemos habituar com o pecado, mas se pecarmos, não voluntariamente, de forma premeditada, temos o bom advogado (1ª Jo 2.1 e 3.9) Temos que vigiar e orar.

III.   O HOMEM NÃO É CAPAZ DE PROMOVER PARA SI O ATO DE REGENERAÇÃO

O profeta Jeremias observou que o homem não pode mudar sua natureza pecaminosa, assim como o etíope não pode mudar a cor da sua pele, nem o leopardo as suas manchas (Jr 13.23). O homem pode por seus próprios esforços refrear seu pecado e praticar atos bons, mas isto é apenas uma mudanças limitada e superficial. Não é uma transformação total da natureza íntima do homem.
A transformação sobrenatural que transforma o homem interior é uma benção que somente Deus pode operar.

IV.   A REGENERAÇÃO É NECESSÁRIA PARA ENTRAR NO CÉU

“Na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3.3-5).
Este versículo não somente promete ao crente a sua entrada no céu após a morte, como também indica a realidade “presente”, de possuir uma “nova vida”. Note que Jesus declara que aos que creem já receberam esta nova vida. Já passamos da morte para a vida. “Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus” (Rm 6.11).

1.      Nascer da água e do espírito.
O primeiro passo para o homem ser regenerado é ouvir a Palavra de Deus. A Palavra simboliza a água. Ela serve para limpar algo que está sujo, por isso o mestre Jesus diz aos Seus discípulos: “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado” (Jo 15.3). Paulo nos diz que: “Para santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela Palavra” (Efésios5.26); “Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas” (Tg 1.18).
O Espírito Santo é quem convence o homem do pecado: “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8).
A Palavra de Deus ensinada, limpa o homem do pecado e o Espírito convence o homem do pecado trazendo uma regeneração perfeita e completa.
A Palavra de Deus nos purifica e nos limpa de todo o pecado, transformando a vida velha numa nova criatura. O novo nascimento não é mérito do homem, mas unicamente do Espírito Santo: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação pelo Espírito Santo” (Tt 3.5).
“...aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus”. Somos salvos pelo sacrifício de Jesus e limpos (santificados) pela lavagem da Palavra de Deus e transformados pelo do Espírito Santo de Deus.
Nascer da água e do Espírito é o único meio para entrarmos no Reino de Deus. Sem que haja uma transformação radical proveniente da graça, misericórdia e do poder de Deus, jamais o homem poderá ver a Deus.
Este novo nascimento não é a relação física entre o homem e a mulher, mas algo sobrenatural: “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre” (1ª Pe 1.23).
Pedro afirma que o novo nascimento não é de uma semente corruptível (a semente do homem e da mulher), mas é da semente incorruptível pela Palavra, que permanece para sempre.
Sendo que o Espírito Santo usa a Palavra de Deus na sua obra de regeneração bem como na sua obra de convicção, nos leva a achar que a Palavra de Deus, ou seja, a verdade é o meio que o Espírito Santo usa na obra de regeneração. O Espírito Santo emprega a Palavra da Verdade. Existe um apelo à natureza racional do homem mediante a verdade. A Palavra de Deus convence da impureza; essa convicção nos leva aquele que pode nos purificar e através dele experimentarmos o novo nascimento. Em outras palavras a obra regeneradora do Espírito Santo acompanha a pregação do Evangelho: “Porque, ainda que tivésseis milhares de preceptores em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; pois eu, pelo evangelho, vos gerei em Cristo Jesus” (1ª Co 4.15).
“Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas” (Tg 1.18).
A natureza da regeneração: “ele nos gerou”.
O instrumento da regeneração: “pela palavra da verdade”.
O autor da regeneração: “Ele”.
A causa suprema da regeneração: “segundo o seu querer”;
O propósito da regeneração: “para que fôssemos como que primícias das suas criaturas”.
O evangelho não é uma mensagem morta mas, sim, uma semente viva. Uma vez plantada no coração, convence o homem do pecado e faz sentir a necessidade de um salvador (Rm 1.16; Hb 4.12-13).
O segundo passo da regeneração é o homem crer na Palavra de Deus, e receber a salvação. A mensagem do amor de Deus pode produzir um grande anseio no coração; mas somente quando o homem responde positivamente a esta mensagem, aceitando a Cristo pela fé, é que terá lugar a transformação divina no coração.
“E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus” (1ª Jo 5.11-13).
O passo final da regeneração é o ato milagroso pelo qual o Espírito Santo comunica nova vida ao crente, implantando a própria natureza de Cristo na sua vida (2ª Pe 1.4). Não se trata de um milagre progressivo, realizado aos poucos e nem por esforços e sacrilégios humanos. É um milagre instantâneo. Este ato acontece no momento em que ele reconhece que é um pecador e se converte a Cristo Jesus.
É bom fazer uma distinção entre regeneração e santificação. A regeneração é instantânea e a santificação é progressiva e continua, ou seja, para toda sua vida. Pela regeneração o homem recebe nova vida e poder, enquanto que a santificação é a capacidade de aplicar esta vida e poder no seu viver diário.
Regeneração é uma nova vida espiritual (Ef 2.5-6; Jo 5.21). Na regeneração Deus partilha ou comunica uma nova forma de vida ao homem. Ele é revivificado, saindo do seu estado de morte espiritual, e entrando numa vida espiritual de união e comunhão com Deus.

V.      PORQUE A REGENERAÇÃO É INDISPENSÁVEL PARA O HOMEM

A condição do homem, tanto em disposição e ato, é exatamente oposta à de santidade que é tal indispensável. O homem é descrito como morte em seus delitos e pecados (Ef 2.1; 1ª Tm 5.6; 1ª Co 2.14), que mostra a sua necessidade de regeneração. Também o homem é pecaminoso e corrupto (Rm 3.10; 7.18; 8.7-8; Jr 17.9).
Não existe cooperação alguma do homem nessa obra. É a obra do Espírito Santo direta e inclusivamente. Isto não quer dizer que o homem não tenha cooperação nenhuma na salvação, mas na regeneração do indivíduo, somente o Espírito Santo trabalha. Então, acima e além de toda influência da verdade, há de haver uma influência ou operação direta do Espírito Santo o coração. E embora realize em conjunto com a apresentação da verdade ao intelecto, regeneração difere de persuasão moral em ser um ato imediato de Deus.

VI.   O NOVO NASCIMENTO É UM RELACIONAMENTO ENTRE DEUS E O SALVO

Nosso relacionamento com Deus é condicionado pela nossa fé em Cristo Jesus durante nossa vida terrena; fé demonstra numa vida de obediência e amor sinceros. “Palavra fiel é esta: que se morremos com ele, também com ele viveremos. Se sofremos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará” (2ª Tm 2.11-12).
A regeneração é questão do Espírito e não da carne. O novo nascimento não é obra humana, mas divina: “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1.13). Por isso Jesus diz a Nicodemos: “O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito” (Jo 3.6).
Os termos empregados nas Escrituras nos provam, isto; Somos gerados por Deus: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança pela ressurreição de Jesus Cristo, dentre os mortos” (1ª Pe 1.3). Agora preste atenção porque Paulo está tratando de algo tremendamente impressionante: “E vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.24). Ele nos deu vida: “E estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos” (Ef 2.5).
A regeneração então, é um ato criativo da parte de Deus e não um processo reformador da parte do homem, como falamos. E conforme Jo 1.13 vimos que a regeneração não é efetuado por descendência natural, pois recebemos apenas carne e não vida espiritual. Não é por escolha natural, pois a vontade humana é imponente para produzir vida. Nem é pelo sangue de qualquer sacrifício cerimonial. É completa e absolutamente e a obra de Deus.

A regeneração é obra da graça de Deus. “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tt 2.11-12, 14).

VII.O NOVO NASCIMENTO É UMA TRANSFORMAÇÃO TOTAL

É uma mudança radical. Tudo se faz novo (2ª Co 5.17): nova vida (Jo 3.3-5); novidade de vida (Rm 6.4); novo alvo (Fp 3.14); novo testemunho (Gl 1.23-24); novo cântico (Sl 40.4); novo homem (Ef 2.15); novas bênçãos (At 3.19); nova incumbência (Lc 22.32), etc.
Esta mudança acontece instantaneamente: Intelectual, emocional e moralmente. Porém a santificação é um processo gradual e continuo (Jo 5.21; Rm 6.3; 1ª Co 12.13; Ez 36.26).

1.        O novo nascimento é uma mudança de mente.
“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, qual seja a boa e agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).
Conformar no original suschematizo que quer dizer: conformar-se com a mente e caráter de alguém; ao padrão de outro; moldar-se de acordo com.
Transformar é moldar a nossa mente e caráter segundo a Palavra de Deus, que é nossa regra de fé e de vida. É uma transformação de entendimento, uma metamorfose, ou seja, mudar a maneira de pensar, agir e viver, tendo a mente de Cristo (cf. 1ª Co 2.16). Devemos deixar os preceitos e injustiças do mundo, o pecado e a corrupção e viver segundo os padrões bíblicos.
O homem que anda segundo o curso deste mundo, segundo as concupiscências carnais e vive na pratica do pecado, está morto para Deus; morto refere-se condenado e separado de Deus eternamente. Mas quando ele crê que Jesus é o Filho de Deus enviado a este mundo para nossa salvação, e deixa toda a prática de pecado do velho homem, então nasce de novo, é vivificado com Cristo e torna-se nova criatura, conforme o que Paulo escreve em Ef 2.1 “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados”.  Tornando-se uma nova criatura: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2ª Co 5.17). “Quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano. E vos renoveis no Espírito do vosso entendimento. E vos revistais do novo homem, que segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4.22-24). “E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3.10). Sem esta milagrosa transformação espiritual, o pecador arrependido permanecia morto na sua natureza pecaminosa e incapaz de conhecer a Deus num relacionamento pessoal (1ª Co 2.14).

VIII.      O NOVO NASCIMENTO É UMA MUDANÇA DE CORAÇÃO

Regeneração consiste uma mudança radical da disposição governante da alma. O coração é uma vida interior com seus pensamentos, sentimos onde sentimos a emoção. É o centro da nossa vida interior e pessoal. É o nosso centro governante (Pv 4.23). O coração do não regenerado é perverso (Pv 12.8; Hb 3.12), rebelde (Jr 5.25), insensato (Rm 1.21), maligno (Pv 26.23) e endurecido (Mt 13.15).
Uma vez que o homem se volta para Deus, o seu espírito, alma e corpo, são restaurados segundo a “imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2ª Co 3.18b), ao propósito original de Deus, em cada pessoa que nasceu de novo.
O escritor do livro de provérbios diz que “a alma do homem é a lâmpada do Senhor” (Pv 10.27). Na ocasião da regeneração, o Espírito Santo entra no homem interior (alma e espírito) e o vivifica, como que acendendo uma lâmpada. “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef 2.1). Este é o “novo coração” e o “novo espírito” como são descritos pelo profeta Ezequiel.
Na regeneração recebe um coração novo: “Então espalharei água pura sobre vós, e ficareis purificados: de todas as vossas imundícies e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei o coração de pedra da vossa carne, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardareis os meus juízos, e os observeis” (Ez 36.25-27).
Agora, a alma e o espírito velhos e mortos pelo pecado, são renovados em vida quando o Espírito Santo infundiu a nova vida de Deus.

IX.   É UMA MUDANÇA DE REINO

“Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13). “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte” (1ª Co 3.14). “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24).
Quando, aceitamos a Cristo como Senhor e Rei de nossa vida, estamos mudando de reino, ou seja, saímos do reino das trevas e entramos no reino da luz que é Cristo Jesus (João 8.12). Por isso nem todas as pessoas são filhos de Deus no sentido bíblico, somente os que creem que Jesus é o Salvador e tem uma vida de obediência a Sua Palavra, têm o direito de serem chamados filhos de Deus. Quando o pecador recebe Jesus, nasce de novo e é feito filho de Deus. É por isso que Paulo diz: “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus” (Rm 8.14).
“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais” (Ef 2.1-3).
No capítulo 2.1-10 da carta aos Efésios, Paulo compara o crente que foi vivificado e o descrente que está nos domínios de Satanás. Neste trecho os descrentes são descritos como:
1.       Mortos em pecados: incessíveis e impotentes como cadáveres (corruptos, mortos espiritualmente).
2.       Andando segundo o curso deste mundo. Um andar não necessariamente imoral ou irreligioso, mas um andar mundano, ou seja, sem Deus e afastado dele v.12.
3.       Levados por Satanás. O grande espírito mestre que dirige o curso deste mundo e determina a maldade e ações nos filhos da desobediência.
4.       Vivendo em concupiscências carnais, entregues aos prazeres do corpo e da mente.
Depois de pintar este quadro tão negro, o apóstolo apresenta outro, cheio de formosura, com as palavras “mas Deus”, e fala, entusiasmado:
“Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus irá mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus” (Ef 2.4-7).
1.        Do seu grande amor que se manifesta em misericórdia, e que se manifestará no porvir nas abundantes riquezas da sua graça (v.7).
2.        Do seu poder vivificador, que se chama à vida os mortos e os assenta juntamente com Cristo nos lugares celestiais. (V.5 e 6). O versículo 5 tem sido traduzido assim: Estando nós também mortos em nossas ofensas, nos chamou para partilhar da vida de Cristo pela graça sois salvos.
3.        Da natureza da salvação. Pensamos na significação do tempo presente no versículo 8. Nossa fé de hoje, que hoje aprecia a graça que Cristo salva hoje do pecado. Podemos indagar se apreciamos devidamente tudo que a graça de Deus deve significar para nós mesmo, e se temos provado todo o seu poder salvador?
4.        Do verdadeiro lugar das obras. Aqui temos três referências às obras. A salvação não prove das obras (v.8); não podemos merecê-la. Deus é o que opera (v.10); somente Ele pode salvar. “Para as boas obras” (10), primeiro salvos, depois trabalhando.

X.      CRISTO VIVE EM MIM

A regeneração envolve união com Cristo, e não uma mudança de coração sem Ele: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10).
O Espírito Santo efetua no homem a união de sua alma com Cristo: Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? (Rm 6.3). É uma união de vida em que o espírito humano, embora possuindo a sua própria individualidade e distinção, é vivificado pelo Espírito de Deus, e assim torna a ser um com Cristo. “Porque somos membros do seu corpo” (Ef 5.30). “Aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1.27).
“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Rm 8.1-2).
“Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.19-20).
O conceito de Cristo vivendo no crente é um pouco difícil de se compreender. Fisicamente, o crente não é diferente do que era antes. Há, porém, um poder invisível habitando nele depois da conversão, que fará amar a justiça e odiar o pecado.
1.        Através dele, os homens são atraídos a Cristo. “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo” (Jo 12.32).
2.        O poder de Cristo compartilhado. “Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele” (1ª Co 6.17).
3.        Mantido pelo poder divino. “Que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo” (1ª Pe 1.5).
4.        O poder divino passa através do crente para atrair outros a Cristo. “... para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal” (2ª Co 4.11b).
5.        O poder divino repele o pecado. “Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Rm 8.32).
6.        O poder divino atrai para justiça. “Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude” (2ª Pe 1.3).

XI.   PARA QUE ESTA VIDA E PODER REGENERADOR CONTINUEM EM NÓS É NECESSÁRIO ESTARMOS SEMPRE LIGADO EM CRISTO JESUS

“Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5).
Nesta ilustração Jesus compara a vida do crente à vida da videira e dos seus ramos. Enquanto o ramo estiver ligado à videira, uma fonte invisível de vida estará passando por aquele ramo, produzindo a vida, a saúde e frutos. Mas se for desligado da videira, sua fonte de vida – o ramo morrerá. O ramo não pode produzir frutos à parte da videira.
A quantidade de poder e de vida que o crente utiliza é proporcional à sua união com Cristo. Se, por outro lado, ele limitar sua comunhão com Cristo, terá vitórias muito limitadas na sua vida.
Deus não impôs à Igreja limitações alguma no emprego dos recursos divinos. Todas as limitações nesse sentido são da parte do crente. Se tivermos uma comunhão intima e verdadeira com Cristo mais poder receberemos da parte d’Ele: “Tendo Jesus convocado os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para efetuarem curas” (Lc 9.1). “Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano” (Lc 10.19).
A grande mensagem da doutrina da regeneração é que a vida do crente não é uma simples filosofia, mas sim, uma vida de poder. Mesmo assim os crentes têm a tendência de perder de vista este poder, preferindo reduzir sua fé a um sistema de ritos e regras humanas. Os crentes da Galáxia tornaram-se vítima desta mesma tendência. Embora tivessem começado suas vidas em Cristo, conscientes do seu poder sobrenatural que os conduziria à novidade de vida, aos poucos a sua fé “espiritual” foi substituída por um sistema de obras, sem este poder (Gl 3.2-3).

XII.OS SETE RESULTADOS DEFINIDOS DO NOVO NASCIMENTO

1. Estabelecimento da justiça como prática de justiça. “Se sabeis que ele é justo, reconhecei também que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele” (1ª Jo 2.29).
Um sinal da regeneração é que a pessoa é confirmada à vontade divina e que temos comportamento correto e moral aceitável a Deus.

2. Limpo de coração. “Quem subirá ao monte do SENHOR? Quem há de permanecer no seu santo lugar? O que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à falsidade, nem jura dolosamente. Este obterá do SENHOR a bênção e a justiça do Deus da sua salvação” (Sl 24.3-5).
Quem há de permanecer no seu santo lugar? É a pergunta do salmista. O lugar onde Deus está já diz: “santo”, e para permanecer lá deve se santificar. Santidade e regeneração é necessário para ver a Deus (Hb 12.14; Jo 3.3-5). Aquele que é regenerado mostra através de seus atos: “puro, não entrega a sua alma a falsidade (adoração de outros deuses), e nem jura dolosamente”. Importante ressaltar que é necessário ter uma vida digna e conforme a verdade para entrar no lugar santíssimo de Deus.

3. Não peca mais. “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (1ª Jo 3.9). “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado” (1ª Jo 5.18).
O apóstolo João diz que ninguém nascido de novo, deliberadamente e conscientemente, pratica habitualmente o pecado. Ele não pode viver pecando, não porque seja impossível pecar, mas antes “como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” (Rm 6.2).

4. Vitória sobre o mundo. “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado; aquele que nasceu de Deus o protege, e o Maligno não o atinge (1ª Jo 5.18).
João diz que: “aquele que é nascido de novo está constantemente vencendo o mundo – isto deve ser porque a luta está em progresso e o cristão recebe constantemente forças para vencer. Mas também ele diz que “e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé”, ou mais literalmente: “esta é a vitória que vence o mundo uma vez para sempre, a nossa fé.
A pessoa regenerada goza de certos privilégios, como ser guardado (protegido) por Deus dos ataques do diabo.

6. Ama seu próximo. “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus” (1ª Jo 4.7).
O amor tem sua origem em Deus e pertence à esfera divina. João não está dizendo que qualquer pessoa que mostre amor é um filho de Deus, mas sendo que somos filhos de Deus, devemos estar amando aos outros porque este amor se origina com Deus.

7. Uma fé viva em Cristo. “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido” (1ª Jo 5.1).

João diz que todo o mundo que crê, isto é, que adere a este fato e confia, e depende do fato de que Jesus é o Cristo (Messias), é um filho nascido de novo de Deus. Esta crença ou confiança, não é mero assentimento intelectual ao fato da encarnação, mas uma aceitação de coração de tudo que está implicando na expiação de Cristo. (1ª Jo 2.22-23; 4.1-3, 15).

Pr. Elias Ribas

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A DOUTRINA DA CONVERSÃO


O homem sem Jesus está morto em seus delitos, precisa ouvir o evangelho da salvação, precisa crer, arrepender-se e converter-se de seus pecados.

Salvação é obra de Deus para com o homem e não a obra do homem para com Deus. O homem é completamente incapaz e agradar a Deus por si próprio, pois leva sobre si a sentença da “morte espiritual”. Deus tomou a iniciativa da redenção, efetuando a provisão para a salvação, pela morte e ressurreição do Seu Filho, e deste modo ajudou o homem a aceitar esta provisão pelo poder do Seu Espírito Santo.

Somente uma coisa Deus não podia fazer ao promover a salvação: forçar o homem à aceita-la. Vem então a pergunta: “Que devo fazer para ser salvo?” A resposta é voltar-se para Deus com fé, tendo as mãos vazias, e Ele as encherá por sua misericórdia. Essa nossa ida a Deus implica rejeitar todo pecado, sem tentar obter a nossa salvação por esforços humanos. Significa abandonar todos os nossos pecados através de um total e sincero arrependimento. Este ato de rejeitar o pecado e aceitar a Deus como nossa salvação, é chamado conversão.

I.         A DEFINIÇÃO DA PALAVRA CONVERSÃO

“Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados” (At 3.19).

A palavra conversão no grego epistrophe, significa literalmente: “volver, voltar-se, virar e retomar; virar para a direção oposta”. É uma mudança voluntária da mente do pecador, qual ele vira para Cristo. De acordo com a Bíblia, esta palavra é usada para descrever a mudança total que ocorre na vida da pessoa que abandona o pecado e vem para Deus, para receber o perdão e libertação dos pecados. Conversão é uma mudança de pensamentos e opiniões, de desejos e vontades, que envolve a convicção de que a direção anterior da vida era insensata e errônea e altera todo o curso da vida. A conversão é o resultado do ato consciente do pecador pelo qual ele, pela graça de Deus, volta-se para Deus com arrependimento e fé (Is 31.6; Ez 14.6; 18.32; 33.9-11; Mt 18.3; At 3.19).

A conversão está muito relacionada com o arrependimento e a fé, pois andam juntos (At 3.19; 26.10). O arrependimento é a mudança interna, no coração; enquanto que a conversão é o abandono do pecado em relação com o mundo e suas concupiscências (1ª Jo 2.16). Enquanto o arrependimento refere-se à mudança total do homem e sua nova atitude para com Deus, a conversão expressa nova posição para com o mundo e o pecado. O homem que estava andando no caminho do pecado e da perdição (caminho largo), faz uma mudança de direção e passa a andar no caminho estreito que conduz a salvação (Mt 7.13-14). Na primeira pregação do apóstolo Pedro no dia do pentecoste ele disse: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados” (At 3.19). E sem está conversão não podemos entrar no reino do céu (Mt 18.3).

O segundo ato da conversão é a pessoa crer em Deus, voltando-se para Ele e abraçando a vida eterna: “Para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (At 26.30).

A conversão pode ser ilustrada da seguinte forma: Imagine um homem andando num caminho que leva à destruição e condenação eterna causada pelo pecado. Quando ele é avisado do que vai lhe acontecer em breve, ele reconhece seu erro, e vira-se para a direção oposta. Em busca da justiça e da salvação. Todavia ele é salvo não somente porque deixou o caminho do pecado, mas porque ele se voltou para Cristo. Enquanto seu olhar permanecer na obra redentora de Cristo, ele estará salvo da destruição e condenação eterna: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” (Is 45.22). “Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus” (Hb 12.2).

Na parábola do Filho pródigo (Lucas 15.17-20), Jesus deixou um grande exemplo de conversão e arrependimento:

1. O primeiro passo para salvação é reconhecer que é pecador. “Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome”.

2. Segundo passo foi sua decisão de retornar a casa se seu pai. “Levantar-me-ei, e irei ter com meu Pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante Ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros”.

3. O último passo foi o de agir, com o coração arrependimento e com fé. Podemos analisar que houve uma conversão sincera, pois ele “levantou-se”, deixou o “chiqueiro” do pecado e “foi para seu pai”, iniciando, uma nova maneira de viver.

Está história nos ensina outra verdade relacionada à conversão. Observe que o filho pródigo achava que seu pai estava zangado com ele e que teria que primeiro obter seu favor e perdão. O filho estava disposto a ser tratado como empregado e servo da família a fim de conseguir, aos poucos, o favor e as boas graças do pai.

Ainda hoje, muita gente faz penitencia, acende velas, cumpre as tradições e dogmas de sua igreja, maltrata seu corpo, procurando aplacar uma suposta ira de Deus. Tal atitude, embora pareça louvável, é realmente um insulto à graça de Deus e à obra consumada do Calvário. Deus já aplacou sua ira contra o pecado quando seu Filho morreu por causa dele (2ª Co 5.19-20). Tudo o que precisamos fazer agora, é irmos a Ele e aceitar o seu amor e perdão.

Observe que o pai do pródigo abraçou e beijou o filho, alegrando-se com sua volta, antes que o filho tivesse oportunidade de pedir um simples emprego (Lc 15.10-21). Afinal de contas ele não teve oportunidade de fazer este pedido, mas a ação de retornar arrependido fez com que o pai se compadecesse dele, restaurado à posição de filho. Fé e arrependimento são os elementos da conversão.

 “... deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro” (1ª Ts 1.9).


“....vos convertestes a Deus...”. Não são os santos que se convertem a si mesmos, no sentido de que se voltam ou se entregam, até que sejam persuadidos pelo Espírito Santo. Deus os converte, no sentido de que Ele de modo eficaz os atrai ou os persuade. Os santos se voltam, no sentido de que essa volta seja um ato próprio de cada um. Deus os converte, no sentido de que Ele os induz ou produz a sua conversão.

Pr. Elias Ribas

sábado, 21 de janeiro de 2017

A DOUTRINA DO ARREPENDIMENTO


A doutrina do arrependimento não é sempre reconhecida em nossos dias como deve ser. Vários evangelistas chamam os não salvos para aceitar a Cristo e crê, sem mostrar ao pecador que ele está perdido e precisa de um salvador.

O arrependimento é absolutamente essencial para a salvação, e como nós vamos ver, as Escrituras dão ênfase na pregação do arrependimento.

O arrependimento surge após o homem ouvir a pregação do evangelho, e o Espírito Santo desperta a fé no seu interior acordando de um sono espiritual.

I.         A DEFINIÇÃO DA PALAVRA ARREPENDIMENTO

“...Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento” (Mt 9.13).
A palavra arrependimento do lat. repoenitere, o mesmo que contrição. No AT encontramos o vocábulo niham que interpreta-se, partindo da ideia de arrepender-se. Já no grego, temos duas palavras disponíveis para analisarmos que são: metanoeo e apostrepfo.

O sentido das interpretações nos dá sempre a mesma ideia e resume-se em voltar-se para longe de, ou em direção de.

Podemos definir o arrependimento como “a mudança produzida na vida consciente do pecador, pela qual ele abandona o pecado”. É uma mudança de mente; é um estado de contrição profunda do coração humano, pela culpa do pecado, e o desejo de abandoná-lo. É dar meia-volta, e seguir na direção oposta ao caminho que seguia. É uma mudança de atitude, como Zaqueu (Lc 19.8), e de rumo, como o filho pródigo (Lc 15.18-20). É a condição para o ser humano alcançar o perdão, quer ele seja um perdido pecador (Lc 13.3; At 2.38; 3.19; 17.30; 2ª Pe 3.9), ou aquele que, mesmo conhecendo a Deus, também pecou (Ap 2.5, 15, 21; 3.3, 19).

Arrependimento envolve uma completa mudança de pensamentos sobre o pecado e a percepção da necessidade de um salvador. O arrependimento faz o homem ficar tão contristado por causa do pecado, que ele aceita com alegria tudo o que Deus requer para uma vida de retidão. O arrependimento então é virar para o Senhor Jesus com todo o ser em obediência à Sua vontade. Este virar requer confiança incondicional nele e é a renúncia de toda a ajuda humana idólatra.

É a tristeza causada pela violação das leis e princípios divinos. “A verdadeira tristeza sobre o pecado, incluindo um esforço sincero para abandoná-lo”. “Tristeza piedosa pelo pecado”. “Convicção da culpa produzida pelo Espírito Santo ao aplicar a lei divina ao coração”.

A importância do arrependimento não é sempre reconhecida em nossos dias como o deveria ser. Os pregadores apelam aos não salvos para aceitarem a Cristo, sem mostrar ao pecador que ele está perdido, caminhando para a perdição e carecendo de um Salvador. Porém as Escrituras dão muito destaque à pregação do arrependimento. Arrependimento era a mensagem dos profetas do Antigo Testamento (Dt 30.1, 2, 8, 10; 2ª Re 17.13; Jr 8.6; Ez 18.30). Foi o princípio fundamental da pregação de João Batista. Inclusive ele começou o seu ministério por chamar os homens ao arrependimento (Mt 3.1,2; Mc 1.4; Lc 3.3-8); Jesus também começou o seu ministério chamando os homens ao arrependimento (Mt 4.17; Lc 13.1-5). Ele mandou Seus discípulos pregar que os homens devia arrepender-se (Mc 6.12). Antes de ser eleva aos céus, Cristo mandou que Seus discípulos evangelizassem o mundo pela pregação do arrependimento (Lc 24.47). Os doze discípulos (Mc 6.12) e de Pedro no dia de pentecostes (At 2.38; 3:19). Era também fundamental na pregação de Paulo (At 20.21; 26.20). E deve ser o conteúdo da mensagem de todos os pregadores (Lc 24.47); porque é uma condição absoluta para a salvação (Lc 13.2-5).

O peso no coração de Deus, e seu mandamento para todos os homens em todo lugar é que deviam arrepender-se (At 17.30; 2ª Pe 3.9). Também, a falha por parte do homem em atender a chamada de Deus para arrepender-se, quer dizer condenação eterna (Lc 13.2-5). Arrependimento, portanto, é obviamente uma condição absoluta para a salvação e é um dos fundamento bíblico (Hb 6.1; Mt 21.32).

Hoje, os nossos cultos estão cheio de sensacionalismo, materialismo, comércio, mas pouco se ensina sobre as doutrinas de salvação. Portanto, devemos lembrar das mensagens dos profetas, de Cristo e de Seus discípulos.

1.      Podemos, portanto, analisar o arrependimento em três aspectos:
1.1.O elemento Intelectual.
Este elemento essencial do arrependimento implica uma mudança de ponto de vista ou mudança de pensamento. Exemplo o retorno do Filho pródigo a casa do pai.

1.2.O elemento Emocional.
Este aspecto essencial do arrependimento implica mudança de sentimento. Envolve tristeza pelo pecado (2ª Co 7.9-10).

1.3.O elemento Evolutivo.
Este elemento implica uma mudança de propósito e disposição. Uma das palavras hebraicas para arrepender-se é “virar”. Este elemento é o virar (ou meia volta) interior de pecado (Jr 25.25).
O filho pródigo disse: “levantar-me-ei.... E, levantando-se foi... (Lc 15.18-20). Ele não somente pensou nos seus caminhos errados e entristeceu-se por causa deles, mas também dirigiu-se para a casa de seu pai. Este elemento, portanto, incluem e implica o elemento intelectual e o elemento emocional, e é portanto o aspecto mais importante do arrependimento.

2.      Arrependimento e salvação.
É Necessário esclarecer o fato de que o arrependimento em si, não é suficiente para a salvação. Judas Iscariotes se arrependeu do mal que tinha feito, mas por não ter exercido a fé, morreu como um perdido pecador. Seu arrependimento não foi verdadeiro nem completo. Na verdade ele sentiu um remorso pela traição cometida, porém não teve fé para arrepender-se e pedir o perdão, mas sim deu cabo a sua vida.

O arrependimento é tão relacionado com a salvação, que não podemos falar da fé sem o arrependimento. Mesmo sabendo que o arrependimento em si não salva, contudo ele produz uma tristeza no homem e move-o a deixar o pecado e a entregar-se à graça salvadora de Deus.  O arrependimento só ocorre quando a pessoa resolve deixar o pecado, reconhecendo que necessita dum salvador.

3.      Há três passos que levam ao arrependimento.
1) reconhecimento do pecado; 2) tristeza pelo pecado; 3) abandono do pecado.
“Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar” (Sl 51.3-4).

3.1. O primeiro passo do arrependimento é reconhecer o seu pecado com fez Davi. É interessante observar que Davi não limita a sua confissão aos seus “principais”, mas também inclui “outras” transgressões.

3.2. O segundo passo do arrependimento é sentir tristeza pelo pecado. A palavra “contristado” no original significa “metanoeo e significa “ter tristeza pelos pecados”.

“Não há parte sã na minha carne, por causa da tua indignação; não há saúde nos meus ossos, por causa do meu pecado. Pois já se elevam acima de minha cabeça as minhas iniquidades; como fardos pesados, excedem as minhas forças. Sinto-me encurvado e sobremodo abatido, ando de luto o dia todo” (Sl 38.3-4, 6).

Davi lamentou suas transgressões; sentiu um pesar da parte de Deus pelos pecados. Davi descreve o viver no pecado não confessado como o oposto do gozo, e compara como se todos os seus ossos estivessem quebrados.

O verdadeiro arrependimento não se preocupa com um só pecado, procurando esconder os demais, mas sente aflição pelo pecado na sua totalidade.

“Agora, me alegro não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus, para que, de nossa parte, nenhum dano sofrêsseis” (2ª Co 7.9).

O Espírito Santo leva o homem a sentir tristeza pelo pecado cometido. O homem só sentira gozo e paz quando confessar e se arrepende de seu pecado. Paulo explica sua alegria após ter confessado seu pecado diante de Deus.

3.3. O último passo é o abandono do pecado. “Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades. Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável. Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito. Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário” (Sl 51.9-12).

Davi era um homem segundo o coração de Deus. Primeiro: porque ele reconhecia seus pecados; segundo: porque ele abandonava o pecado, e, assim Deus usava de misericórdia com sua vida devolvendo a alegria e a paz de espírito. Davi estava disposto a abandonar todo pecado em sua vida. Também, ao mesmo tempo, ele reconheceu sua incapacidade de conseguir isto pelos seus próprios esforços. O seu arrependimento o levou ao Salvador, que unicamente podia criar nele um novo coração, dando-lhe vitória sobre seus pecados pelo poder do Espírito Santo.

No lado divino, o arrependimento é um dom ou uma obra de Deus; Ele é o autor do arrependimento, e inspira e capacita o homem (At 11.18; 5.30-31; 3.23; 2ª Tm 2.24-26; Sl 80.3, 7, 19). O arrependimento então, não é algo que o homem possa originar dentro de si mesmo, ou possa produzir por si mesmo, isto é, por esforço próprio; é dom de Deus. É resultado da graciosa operação de Deus na alma do homem, devido à qual ele dispõe a essa mudança; Deus é quem lhe concede o arrependimento.

A finalidade do mandamento de nos arrependemos é, que reconheçamos a nossa necessidade de obter auxílio fora de nós mesmos, também o fato de que dependemos inteiramente da misericórdia e da graça de Deus; e por isso devemos pedir que ele efetue em nossos corações aquilo que não podemos fazer sozinhos. O homem natural quer fazer tudo por si; somente quando compreendermos a sua fraqueza pedirá auxílio de Deus.

O poder de arrepender-se é gerado pelo Espírito de Deus, causando dentro de nós tristeza pelo pecado cometido, mas o próprio ato em si é do homem; à luz disso, se ele não se arrepender, é porque escolhe não fazer.

4.       Os meios que efetuam o arrependimento.
4.1. Por meio do ministério da Palavra.
“Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar. Com muitas outras palavras deu testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa. Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas” (At 2.37-41).

A pregação do evangelho é que leva a pessoa ao arrependimento. Um exemplo no V. T. é a pregação de profeta Jonas ao povo de Nínive (Jn 3.5-10). Quando ouviram a pregação da Palavra de Deus por Jonas, creram na mensagem e abandonaram suas iniquidade.

Não qualquer mensagem, mas o evangelho é o instrumento que Deus usa para produzir esta finalidade desejada. Além disso, a mensagem precisa ser pregada na autoridade do Espírito Santo (1ª Ts 1.5-9; Lc 16.30-31).

4.2. Por meio da benignidade de Deus para Suas criaturas.
“Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento” (Rm 2.4).

O propósito da bondade de Deus, em seus tratos para com os homens, tem em vista dissuadi-los de prosseguir no caminho do pecado e conduzi-los à vida de justiça.

4.3. Por meio da correção (repreensão ou castigo) do Senhor.
“Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te” (Ap 3.19). “Se pois zeloso, e arrepende-te” (Hb 12.5-11)
O propósito da severidade de Deus em seu trato com os homens tem em vista produzir neles os frutos pacíficos de retidão através do verdadeiro arrependimento.

4.4. Por meio da tristeza segundo Deus.
“Porquanto, ainda que vos tenha contristado com a carta, não me arrependo; embora já me tenha arrependido (vejo que aquela carta vos contristou por breve tempo), agora, me alegro não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus, para que, de nossa parte, nenhum dano sofrêsseis. Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte. Porque quanto cuidado não produziu isto mesmo em vós que, segundo Deus, fostes contristados! Que defesa, que indignação, que temor, que saudades, que zelo, que vindita! Em tudo destes prova de estardes inocentes neste assunto” (2ª Co 7.8-11).

Deus tem motivos benevolentes na tristeza que ele permite que venha sobre as vidas, tanto de seus filhos como de outros, e esse motivo é levá-los ao arrependimento.

O arrependimento para a salvação faz algo que o apóstolo Paulo não podia, trazer pesar. Somente Deus pode causar este pesar para o arrependimento.

4.5. Por meio da percepção da santidade de Deus.
“Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42.5-6).

Em resumo, o arrependimento é um dom de Deus, proporcionado por meio de várias instrumentalidades. Deus aplicando estes meios (no coração do homem) que leva o homem a tomar uma posição. O lado divino é isso e é mostrado nas ordens dadas ao homem para arrepender-se (Mt 3.2; 4.17; At 2.38; 3.19; 26.20; Ap 2.5, b16, 21, 22; 3.3, 19).

5.        Arrependimento um caminho para vitória.
A Bíblia diz que todo homem pecou e carece da glória de Deus (Rm 3.23). Só existe uma maneira de chegar-se a Deus, trilhar pelo caminho do arrependimento.

A parábola do filho pródigo nos dá uma clareza em como conquistar o amor do Pai. O jovem se arrepende. Admite que pecou contra os céus e perante o pai “levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho, faze-me como um dos teus trabalhadores” (Lc 15 18-19).

Com isto o jovem obteve:
Garantia de aceitação – Sl 51. 17, Lc 15.20.
Garantia de reconstituição do caráter - trazei de pressa a melhor roupa, vesti-o
(Lc 15. 22).
A aliança renovada - ponde um anel no dedo (Lc 15. 22).
Garantia de proteção - ponde uma sandália nos seus pés (Lc 15.22).

6.       O verdadeiro arrependimento gera.
5.1. Cancelamento de pecados. “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos par que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos de refrigério pela presença do Senhor” (At 3.19).
Jesus pregou o arrependimento. “Disse Jesus: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1.15). Jesus diz: “E que em Seu nome se pregasse arrependimento para remissão dos pecados a todas as nações começando por Jerusalém” (Lc 24.47). Em Atos 2.38 O apóstolo Pedro falando a uma grande multidão disse: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o Dom do Espírito Santo”.

5.2. Gera frutos. O arrependimento (metanoeo) denota uma mudança de mente, afeição, tristeza, convicção e propósito.

Fruto digno de arrependimento não deve ser confundido com metanoeo que é a mudança de vida, isto é o resultado do arrependimento.

Como uma árvore deve produzir fruto, também uma pessoa arrependida deve produzir frutos ou resultados que concordam com a mudança de coração. João Batista, falando aos fariseus e aos saduceus disse: “Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mt 3.7-8).

O verdadeiro arrependimento nos mostra então, que a fé e o arrependimento autênticos são acompanhados pela mudança de vida, e sem isso a confissão de pecados e o batismo não têm valor. Lucas 3.8-10, acrescenta detalhes à história e ilustra os frutos de arrependimento como:
A. Generosidade (filantropia) ajuda aos necessitados (Lc 3.12).
B. Honestidade no manuseio do dinheiro (Lc 3.12-13).
C. Tratamento justo e misericordioso para com os outros (Lc 3.14).
D. Respeito às autoridades.
E. Satisfação nas coisas materiais (Lc 3.14).
          
Em outras palavras qualquer indivíduo pode realizar coisas boas, mas somente o homem convertido a Deus produz frutos dignos de arrependimento.

Outros frutos como resultado de arrependimento:
A. Boa conduta moral (Lc 6.45; Gl 5.22-23; Ef 5.9; Fp 1.11), que inclui um bom falar (Mt 12.34-37). É conduta digna de um coração mudado e que aborrece o pecado.
B. Trabalho de evangelização (Jo 4.35-38), profissão pública de fé em Cristo (Rm 10.10; Mt 10.32-33).
C. Restituição (Lc 19.8).
D. Serviço e seguimento a Cristo, desprezando a vida pelo amor Cristo (Jo 12.24-26).
F. Oração respondida (Jo 15.5-8, 16).

7.        Aquele que se arrepende odeia o pecado.
Davi ao pecar contra Deus (2ª Sm 11), arrependeu-se em lágrimas, de coração e com tristeza. Ao e escrever o Salmo 51, disse: “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos” (Sl 51.4). O Filho pródigo disse: “Pai, pequei contra o céu e diante de ti” (Lc 15.18).

Aquele que se arrepende odeia os pecados (Sl 97.10) pelos quais se entristece, (2ª Co 7.9). Se verdadeiramente contemplar o seu pecado face a face, há de sentir tristeza de coração de acordo com o que Paulo dia aos Coríntios: “Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte” (2ª Co 7.10).

Tristeza sem esperança pode ser remorso ou desespero, então não é arrependimento. O remorso é tristeza em vista das consequências do pecado. Mas a tristeza segundo Deus, faz-nos tornar do pecado para Deus. O arrependimento verdadeiro consiste em nos sentirmos tão triste por causa do pecado que resolvemos abandoná-lo e voltarmos para Deus, que nos dá força para vivermos para ele.

Todo o pecado é contra Deus, contra sua natureza, sua vontade, sua autoridade, sua lei, sua justiça e sua bondade; e o mal do pecado está principalmente no fato de que é oposição a Deus e desarmonia com seu caráter. O mal do pecado, cometido conta Deus, é o elemento que dá ao verdadeiro penitente uma ansiedade e uma preocupação especiais. Ele justifica a Deus e condena a si mesmo. O filho perdido disse: “Pai, pequei contra o céu e diante de ti” (Lc 15.21). Temos de confessar a Deus aquele pecado que esperamos que ele perdoe e apague.

Também devemos confessar às pessoas a quem temos ofendido com nossos pecados. (Mt 5.23-24; Tg 5.16; Lc 19.8-9). Muitos crentes vivem afastados dos seus irmãos por causa de pecados que foram confessados a Deus, mas não aos que foram prejudicados por eles. Estes pecados constituem um obstáculo constante, impedindo que irmãos trabalhem juntos em amor. Porém muita prudência deve ser empregada em tais casos, para que a confissão não cause mais prejuízo do que o próprio pecado. Os pecados conhecidos por outra pessoa devem ser confessados a essa pessoa, mas os pecados não conhecidos por aquele contra quem foram cometidos, não devem ser confessados a ele, caso tal confissão o faria pecar por tomar uma atitude errada para com a pessoa que confessa. Se um irmão ofendido não souber de certo pecado que você já tenha confessado a Deus, mas souber que alguma coisa veio interromper a comunhão entre vocês dois, esse pecado deve ser confessado ao irmão, para que seja restabelecida a comunhão do Senhor (1ª Jo 1.7).

8.      No abandono do pecado.
Abandonar o pecado significa deixa-lo para nunca mais voltar, nem contemplá-lo na sua lembrança (Hb 10.17). Se pudéssemos ver o pecado, por exemplo, como a serpente astuta que é, não hesitaríamos em abandoná-lo de uma vez, a fim de ser ele apagado pelo sangue de Jesus Cristo, que “nos purifica de todo pecado” (1ª Jo 1.7).
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9.       Na volta para Deus.
Deixar o pecado não adiantaria nada se você não voltar para Deus através de Seu Filho Jesus (Jo 14.6). Paulo fez lembrar aos tessalonicenses que eles se haviam convertido dos ídolos a Deus (1ª Ts 1.9). Quando Paulo testifica perante o rei Agripa, contou como Jesus lhe tinha falado numa visão no caminho de Damasco, dizendo que converteria a muitos da “potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados.... pela fé em mim” (At 26.18).

10.   Os três resultados do arrependimento.

10.1.        Alegria ou gozo no céu.
“Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la? E, tendo-a achado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido. Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.7-10).

Há alegria na presença dos anjos e de Deus, tanto quanto em seu próprio coração pelo arrependimento dos pecadores.

10.2.      Perdão dos pecados.
“Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” (Is 55.7).

O arrependimento é uma condição necessária para obtermos o perdão divino. O homem verdadeiro arrependido é uma condição sente que seu arrependimento não é mérito algum; ele reconhece que seu pecado merece punição. As condições de perdão conforme Pv 28.13 são confissão e arrependimento (Mt 18.15-17; Lc 17.3). Também quem não quer perdoar não pode ser perdoado (Mt 6.14-15).

Se o homem abrir o seu coração, o Espírito Santo o convencerá do pecado (Jo 16.3), e mostrará a necessidade do arrependimento.

10.3.      Recepção do Espírito Santo.
“Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2.38).

O arrependimento faz parte essencial do requisito subjetivo que visa à outorga do Espírito. É justamente isso que põe a alma em atitude receptiva.

Resumindo, então, o pecador arrependido alegra o céu, recebe o perdão e o Espírito Santo.

Pr. Elias Ribas